Fechado o mercado, ganha finalmente clareza a matéria prima que Nuno dispõe para atacar a liga NOS e as restantes competições. O FC Porto foi o pior dos “grandes” neste mercado de transferências, onde o Sporting CP foi claramente o melhor. Este plantel está claramente dependente da capacidade de NES em reformar e aprimorar certos jogadores.

Destes jogadores, Brahimi é claramente o caso mais expressivo, muito por conta da recusa em vender o jogador ao Everton por uma quantia bastante aliciante, mas também pelo seu avultado salário e potencial desportivo. O argelino chegou à Invicta há duas temporadas e apesar de ter deslumbrado os portistas e restantes adeptos de bom futebol na primeira época, a sua apurada técnica e os seus dribles fantásticos foram insuficientes para a manutenção do carinho dos adeptos e os elogios da crítica. O extremo foi revelando sérias limitações: a tentação de fazer tudo sozinho, a renitência em soltar a bola, as dificuldades de fazer bons cruzamentos aéreos entre outras coisas. Acima de tudo Brahimi tornou-se na pior coisa que um extremo se pode tornar: previsível. Com isso os seus dribles e artimanhas deixaram de surtir tanto efeito e tanto a crítica como o Dragão foram perdendo o encanto por ele. Agora cabe a NES e ao argelino entenderem-se e juntos poderem arranjar uma maneira de o tornar no valioso ativo que prometia ser. Creio que caso consiga polir as suas capacidades no cruzamento e aumentar o número de combinações que faz com os seus colegas de equipa, pode-se tornar num jogador extraordinário.

Será Brahimi um dos melhores "reforços? Fonte: Facebook Oficial de Brahimi
Será Brahimi um dos melhores “reforços?
Fonte: Facebook Oficial de Brahimi

Outro dos casos é Adrián. O espanhol apresenta melhorias claras em relação à sua época de estreia, ao que me parece sobretudo devido à melhoria do seu estado anímico e da sua confiança. Porém, a inexistência do papel de segundo avançado no esquema de NES sugere que o jogador oscilará por outras posições se quiser conquistar a titularidade e isso exige um trabalho profundo com o jogador no sentido de melhorar a sua adequação ao papel de avançado interior ou ao de avançado centro. Neste processo estão em jogo os 11M de euros investidos no jogador e a concorrência a Corona na extrema direita.

Silvestre Varela. O internacional português entrou neste plantel do FC Porto por ter aceite ser o que Ricardo Pereira foi umas épocas atrás: o 5º extremo e o 4º lateral. Além disso o facto de se tratar de um jogador formado em Portugal também deverá ter pesado. NES terá assim que trabalhar com Varela sobretudo em termos defensivos pois apesar de ser uma opção de recurso, com a lesão de Maxi Pereira este pode ser chamado ao serviço caso Layún seja requisitado para o flanco esquerdo.

Estes são os casos mais bicudos do plantel. Apesar de não ser tão recheado como o de SL Benfica e Sporting CP, se for bem trabalhado creio que pode ser o suficiente para voltar às vitórias.

Comentários

Artigo anteriorCarta Aberta a: Slimani
Próximo artigoBraçadeira de Capitão
O João é do FC Porto desde que sabe o que é futebol; por fora de terras lusitanas é um ferrenho adepto da Juventus e também um admirador incondicional do 3-5-2 e do 3-4-3. Tem o sonho de ser treinador do FC Porto e, enquanto não o realiza, alimenta a sua paixão pelo futebol através da escrita e de incontáveis horas de Football Manager.                                                                                                                                               O João não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.