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Maxi Pereira é reforço do FC Porto. Depois de infindáveis rumores e entre avanços e recuos, aí está mais uma contratação-bomba, poucos dias depois de Iker Casillas ter sido anunciado como jogador dos dragões. Pela ordem natural dos acontecimentos, Maxi será o substituto direto de Danilo na lateral-direita dos azuis e brancos. Depois do impasse em redor do seu futuro, e das já conhecidas “trocas e baldrocas” geradas pelo seu empresário, Maxi tem agora um contrato de quatro temporadas à sua espera na Invicta. Portistas e benfiquistas já deveriam estar habituados a estes volte-faces de última hora, mas a troca de camisola do uruguaio assume uma relevância quase histórica.

Acima de tudo, esta transferência representa (mais) um rude golpe no seio do balneário da Luz. Depois de Jorge Jesus ter trocado de “casa” na Segunda Circular, é a vez do subcapitão dos encarnados fazer as malas rumo ao outro rival. Se Rui Vitória considerava essencial a renovação de Maxi, para ser uma extensão sua no grupo de trabalho que vai comandar esta época, viu agora desaparecer um dos seus maiores alicerces para o novo desafio que enfrenta. Maxi era o “jogador à Benfica”. Será “jogador à Porto”?

Numa primeira instância poder-se-ia avançar que sim. Maxi Pereira é um jogador aguerrido, com muito coração e que raramente desiste de um lance. Sua a camisola em todos os jogos e, para ele, os amigáveis são para levar tão a sério como uma final europeia. É o protótipo de jogador que cairia no goto da massa associativa dos dragões. Mas este é um caso muito particular que merece ser revisto mais a fundo.

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Maxi passou oito anos de águia ao peito. Quão estranho será vê-lo de azul e branco?
Fonte: Sport Lisboa e Benfica

Esta é, para mim, a contratação mais anti-natura que vi no FC Porto nos últimos tempos. Estamos a falar de um jogador com 31 anos, que vem para substituir um dos melhores laterais direitos da atualidade. Maxi não é um prodígio de técnica e isso é algo que, no futebol idealizado por Julen Lopetegui, pode ter consequências nefastas. Além do mais, nas oito épocas que passou ao serviço do Benfica, gozou de uma impunidade tremenda. Não é o jogador que quero para substituir Danilo. Foi aquele adversário que criou ódios de estimação entre os adeptos portistas e que vai totalmente contra a política de contratações do clube: é um jogador que não se vai valorizar e que já está na curva descendente. O salário não será baixo. Tem fragilidades defensivas e é, por vezes, demasiado trapalhão. E, hoje em dia, no Dragão, não se exalta um jogador porque é muito esforçado. Tem de ser, efetivamente, um bom jogador, na plenitude de todos os recursos técnicos e táticos.

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Vale pela “facada” ao maior rival do FC Porto? É inegável que este é uma machadada nas aspirações benfiquistas e a oportunidade de negócio foi boa, porque vem a custo zero; mas Maxi é daqueles jogadores que eu não queria ver com a camisola às riscas vestida e de brasão abençoado ao peito. Porque os contras são mais do que os prós. E (acusem-me da irracionalidade que quiserem) porque simplesmente não faz sentido. Tenho dito.

Foto de capa: Página do Facebook da Seleção Uruguaia de Futebol