eternamocidade

Já são poucas as palavras que posso usar para, a cada domingo, escrever aquilo que é o FC Porto. Semana após semana, os 120 anos de história são manchados. Semana após semana, apenas as camisolas vão subindo aos relvados para mais uma jornada.

Caro leitor, não me esqueci do que aconteceu em Frankfurt. Sim, lembro-me perfeitamente da atitude que a equipa teve na segunda parte, mas também me lembro de mais três golos sofridos e de muitos mais erros defensivos, que se acumulam jogo após jogo. O apuramento para os oitavos-de-final da Liga Europa fazia finalmente parecer que a equipa ia dar o salto, mas, como em tantas outras ocasiões esta época, isso não aconteceu.

Sem Varela, Jackson e Mangala no onze, os portistas entraram bem no terreno, e aos 17 minutos, após grande penalidade assinalada pelo árbitro Marco Ferreira por falta sobre Carlos Eduardo, Ricardo Quaresma fez o primeiro dos portistas. O FC Porto começou a jogar com outra segurança e tranquilidade, e podia ter ampliado a vantagem pouco depois, com Ghilas a enviar uma bola à trave da baliza do Vitória.

Os minutos iam passando e, após mais uma oportunidade de Ghilas para fazer o golo, o Vitória de Guimarães começou a responder por intermédio de Maazou, que em duas ocasiões de cabeça podia ter dado outro destino à bola. Contudo, e apesar da reação vitoriana, foi o FC Porto a chegar ao 0-2 aos 41 minutos, num lance protagonizado por Ghilas, que, com um remate forte, fez Douglas aliviar a bola para o local onde Licá, com a baliza aberta, não teve dificuldade em faturar.

Quaresma e Licá foram os autores dos golos azuis e brancos  Fonte: Zero Zero
Quaresma e Licá foram os autores dos golos azuis e brancos
Fonte: Zero Zero

A vantagem parecia segura, e o jogo parecia controlado. Sim… apenas parecia, porque no último lance da primeira parte, Maazou, que foi o jogador mais perigoso dos minhotos ao longo dos primeiros 45 minutos, finalizou com sucesso uma jogada de insistência dentro da área dos dragões, aproveitando um atraso posicional de Abdoulaye para ficar em situação regular na hora do desvio para a baliza de Helton.

O golo motivou o Vitória, que ganhou uma nova esperança de chegar ao empate, o que acabou por conseguir logo no reinício da partida. Em mais um erro defensivo, Maazou não teve dificuldades em isolar Marco Matias, que, perante Helton, fez o 2-2 para a equipa da casa. O FC Porto via-se mais uma vez envolvido num emaranhado de erros e mais erros, deixando fugir mais uma vez uma vantagem no marcador. Apesar de estarem obrigados a ganhar para impedir os dois primeiros classificados do campeonato de aumentarem a distância, os dragões não conseguiam criar oportunidades, nem sequer incomodavam a defesa do Vitória de Guimarães. A exceção foi um remate de trivela com pouca força de Ricardo Quaresma.

No banco, Paulo Fonseca, que parece não ter aproveitado o Carnaval para se disfarçar de treinador, colocou Varela, Jackson e Quintero para procurar a vitória mas, como em tantas outras ocasiões, não conseguiu. Com mais coração do que imaginação e cabeça, a equipa parecia novamente assombrada pelos medos que a tem perseguido ao longo de toda a época. No banco de suplentes, Paulo Fonseca, de mãos cruzadas e olhar impotente, ia vendo uma equipa sem imaginação e ideias para contrariar aquilo que estava a acontecer. E pior não foi o resultado porque, aos 86′, Nii Plange enviou uma bola ao poste e Danilo acabou por tirar o terceiro ao Vitória na linha de golo.

Licá e Ghilas, hoje titulares, foram dos que mais lutaram  Fonte: Mais Futebol
Licá e Ghilas, hoje titulares, foram dos que mais lutaram
Fonte: Mais Futebol

O resultado aceita-se e mais uma vez a desilusão esteve no rosto portista. No final do jogo, só Helton foi dar a cara perante os adeptos. Fonseca, que na antevisão ao jogo havia dito que não conseguia explicar os erros defensivos, afirmou na flash interview que foi inadmissível o que aconteceu e que não consegue explicar mais um mau resultado. Olhando para tudo o que tem sido este FC Porto, acho que não é preciso dizer mais nada. Não há explicações nem razões que expliquem uma equipa como estas manchar aquilo que é ser FC Porto. Não há explicações nem significados que expliquem como Paulo Fonseca foi contratado para ser treinador de uma equipa tri-campeã nacional. Não há razão que me faça compreender como é que a dois meses de acabar a época ainda tudo parece na mesma. São 9 pontos para o primeiro lugar, 4 para o segundo e 4 para o quarto classificado. Confesso-lhe que já pouco me importa, porque nem para isso tenho, como diz o treinador do meu clube, explicação. A mim, só me resta perguntar: quando é que isto finalmente acaba?

Figura: Crivellaro
O médio vitoriano conseguiu pautar os ritmos do jogo e levar a equipa do Vitória para um empate que parecia impossível depois da desvantagem por 2 golos.

Fora-de-jogo: Abdoulaye
O central senegalês cumpriu o desejo de Rui Vitória… e deu mesmo barraca. Erro atrás de erro, foi apenas mais um entre a desorganização geral do setor defensivo e da equipa depois do 0-2.

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