Todos os campeonatos têm jogadores que cumprem expectativas. Mas existem outros que mudam completamente de estatuto ao longo de uma temporada.
A Liga Portugal voltou a revelar jogadores com muito talento fora do eixo dos “três grandes”, com vários jogadores a aproveitarem a época 2025/26 para explodirem competitivamente, valorizarem-se no mercado e entrarem definitivamente no radar de clubes de dimensão superior.
Entre confirmações e autênticas afirmações, estes foram os cinco jogadores que mais cresceram esta temporada.
5.


Diogo Sousa – O médio português de apenas 20 anos foi uma das grandes revelações da temporada no Vitória SC. Capaz de ligar setores, acelerar jogo e oferecer critério com bola, Diogo Sousa destacou-se pela inteligência posicional e pela maturidade com que assumiu protagonismo numa equipa que conquistou a Taça da Liga frente aos seus rivais do Braga, em que o jovem médio teve um papel fulcral nesta conquista.
A excelente temporada realizada em Guimarães acabou por confirmar a sua valorização no mercado, culminando recentemente na transferência para os franceses do Estrasburgo por um negócio que pode chegar aos 15 milhões de euros, num passo extremamente relevante na sua carreira e um sinal claro do crescimento competitivo demonstrado ao longo da época.
4.


Diogo Travassos – A temporada de Diogo Travassos representou praticamente uma afirmação definitiva no futebol português. O lateral-direito realizou uma época de enorme maturidade táctica, revelando capacidade física, qualidade técnica e uma evolução muito interessante na tomada de decisão ofensiva.
Num Moreirense extremamente organizado e competitivo durante grande parte da temporada, Travassos foi um dos jogadores que mais cresceu individualmente. E olhando ao contexto atual do mercado, laterais com esta capacidade física e intensidade competitiva tornam-se ativos cada vez mais valorizados. Emprestado esta época pelo Sporting ao Moreirense, será incluído no negócio que irá levar Rodrigo Zalazar para a equipa leonina, e Travassos irá continuar a sua promissora carreira em Braga.
3.


Yanis Begraoui – O avançado franco-marroquino foi uma das grandes surpresas ofensivas da Liga Portugal. Num Estoril Praia muito interessante ofensivamente durante vários momentos da época, Begraoui destacou-se pela mobilidade, capacidade de desequilíbrio e qualidade na definição perto da baliza.
Mas para além da veia goleadora, o que mais se destacou, foi a versatilidade ofensiva. Nunca foi apenas um finalizador. Participou muito na construção, atacou espaços com inteligência e deu constantemente soluções diferentes ao jogo ofensivo da equipa da Linha.
Terceiro melhor marcador do campeonato, com 20 golos apontados (faltando ainda por disputar a última jornada frente ao Benfica), certamente que não lhe faltarão pretendentes para poder ir para uma equipa com outra dimensão competitiva.
2.


Rodrigo Zalazar – O médio-ofensivo uruguaio foi um dos melhores jogadores do campeonato (senão mesmo o melhor) antes de sucumbir a uma época extremamente exigente dos arsenalistas, com uma carga muito elevada de jogos. Um Zalazar na sua melhor condição física, provavelmente teria feito com que o Braga não fosse eliminado precocemente da Taça de Portugal (contra uma equipa de Liga 3, como o Fafe) e se tivesse apurado para a final da Liga Europa.
16 golos e cinco assistências na nossa liga são números bastante interessantes para um jogador que actua na sua posição, e esta época representou claramente a sua consolidação como jogador talhado para outros voos.
Já tinha deixado sinais claros da sua qualidade em temporadas anteriores. Mas em 2025/26 conseguiu finalmente transformar talento em domínio competitivo consistente. Foi um dos médios mais influentes do campeonato. Decisivo em jogos grandes, muito forte no último passe, perigoso em remates exteriores e cada vez mais confortável a assumir protagonismo ofensivo.
A sensação transmitida ao longo da época foi clara: deixou definitivamente de ser apenas um jogador talentoso para se afirmar como um verdadeiro líder competitivo dentro do Braga. Prestes a ser oficializado no Sporting, naquela que será a maior transferência de sempre entre clubes portugueses (30 milhões de euros).
1.


Gustavo Sá – Provavelmente a maior explosão individual da temporada fora dos grandes. Gustavo Sá confirmou em definitivo tudo aquilo que há muito se dizia sobre o seu potencial. O médio ofensivo do Famalicão realizou uma época absolutamente brilhante, assumindo-se como o cérebro criativo da equipa minhota.
Se a equipa famalicense está prestes a conseguir a sua melhor classificação de sempre ( apenas um empate será suficiente para ficar em 5º lugar da tabela classificativa, o que consequentemente poderá representar uma qualificação histórica para a fase preliminar da Conference League), muito deve ao talento do seu jovem capitão.
Tendo recusado transferir-se para os árabes do Al Ittihad no mercado de Inverno, e tendo optado por ficar no Famalicão, foi um dos jogadores mais utilizados na máquina extremamente bem oleada e trabalhada por Hugo Oliveira. Na retina, fica uma soberba exibição no Dragão contra o campeão nacional FC Porto, onde Gustavo mostrou todas as suas imensas qualidades, desmontando quando e como quis a melhor defesa do campeonato. E isso são palavras maiores.
Capacidade para jogar entre linhas, inteligência na ocupação dos espaços, criatividade no último passe e uma maturidade competitiva muito acima da média para alguém tão jovem, fazem dele o jogador que mais se valorizou no futebol português em 2025/26. Mais do que os números, impressiono a naturalidade com que passou a dominar jogos da Primeira Liga.
E neste momento, parece apenas uma questão de tempo até dar o salto para outro patamar, assim como caso continue esta extraordinária evolução, não será de todo descabido pensar que o internacional sub-21 está às portas de uma primeira convocatória para a seleção nacional A.

