5 possíveis surpresas da Primeira Liga 26/27

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Muitas vezes, são as equipas que começam a época longe dos holofotes aquelas que acabam por conquistar a admiração dos adeptos. Época após época, a Primeira Liga tem uma longa tradição de clubes capazes de superar as expectativas, desafiar orçamentos muito superiores, e até lutar pelos lugares europeus.

A temporada 2026/27 promete voltar a oferecer esse tipo de histórias. Entre projetos consolidados, regressos ao principal escalão e mudanças técnicas que podem revelar-se decisivas, há várias equipas que reúnem argumentos para surpreender ao longo da época.

Estas são, na minha opinião, as cinco equipas com maior potencial para se afirmarem como as grandes revelações da nova edição da Primeira Liga.

5.

Santa Clara jogadores
Fonte: Rafael Canejo/Bola na Rede

Santa Clara – O Santa Clara já deixou de ser visto apenas como uma equipa difícil de defrontar nos Açores. Depois de uma época muito conturbada (onde lutou até à última jornada pela permanência), os açorianos iniciam uma nova época sob o comando de Petit, um treinador que privilegia equipas intensas, organizadas e competitivas, e que foi o obreiro de uma recuperação sensacional que evitou a despromoção. Apesar da saída de algumas peças importantes (como a de Gabriel Silva para o Braga), a SAD do quadro açoriano, voltou a recrutar com enorme critério com o intuito de continuar com uma identidade muito vincada, procurando manter a qualidade e a dinâmica da equipa.

O Estádio de São Miguel continua a ser um dos palcos mais complicados da Primeira Liga e, se Petit conseguir implementar rapidamente a sua identidade de jogo, o Santa Clara tem todas as condições para voltar a discutir um lugar na metade superior da tabela e até intrometer-se na luta pelas competições europeias. Afinal, estabilidade, organização, têm sido, nos últimos anos, a imagem de marca do emblema dos Açores.

4.

Arouca
Fonte: Paulo Ladeira/Bola na Rede

Arouca – O Arouca consolidou uma identidade muito própria nas últimas temporadas e tem conseguido substituir jogadores importantes sem perder qualidade no seu plantel. Continua a recrutar muito bem no mercado internacional e parece reunir todas as condições para tentar voltar a discutir os lugares europeus.

Depois de duas temporadas bastante positivas sob o comando de Vasco Seabra, o clube entra em 2026/27 com um projeto claramente consolidado. A chegada de reforços como o sul-coreano S. Park e do médio Mateo Flores acrescentam qualidade a um plantel que já demonstrava organização coletiva muito acima da média.

O quadro arouquense seguramente continuará a praticar um futebol atrativo, intenso e extremamente competitivo. Sem a pressão mediática que existe noutros clubes, poderá beneficiar dessa estabilidade e confirmar-se como uma das equipas mais incómodas da Primeira Liga.

3.

Equipa Técnica Marítimo
Fonte: CS Marítimo

Marítimo – O regresso do Marítimo ao principal escalão representa uma excelente notícia para o futebol português. Depois de conquistar a Segunda Liga, os madeirenses iniciam uma nova etapa sob o comando do antigo emblemático capitão maritimista Mitchell van der Gaag, técnico escolhido para liderar a adaptação ao regresso à elite. O clube fez algumas contratações cirúrgicas, mas centrou-se essencialmente em manter a base competitiva do plantel que garantiu a promoção de forma inequívoca.

Os Barreiros continuam a ser um dos campos mais difíceis do campeonato e Mitchell van der Gaag é alguém experiente (já com uma passagem pelo Manchester United como treinador-adjunto de Erik ten Hag), e habituado a trabalhar em projetos de crescimento e de máxima exigência. Se os reforços encaixarem rapidamente, não será de admirar que os insulares terminem confortavelmente na primeira metade da tabela.

A jogar nos Barreiros (onde tradicionalmente poucas equipas gostam de atuar), o Marítimo pode transformar novamente o fator casa numa das suas maiores armas. Se Mitchell van der Gaag conseguir que os seus jogadores assimilem bem a sua ideia de jogo, a equipa insular tem condições para realizar um campeonato bastante tranquilo.

2.

Sorriso Alan Nuñez
Fonte: Tiago Cruz/Bola na Rede

Famalicão – O Famalicão continua a ser uma das melhores plataformas de valorização de talento em Portugal. O clube mantém uma política de recrutamento muito interessante, alia juventude a alguma experiência e tem mostrado capacidade para se reinventar época após época. Se conseguir ganhar consistência defensiva, pode perfeitamente voltar a aproximar-se dos lugares europeus.

É difícil prever que Famalicão teremos esta época. Vindos da sua melhor classificação de sempre com um extraordinário 5.º lugar (que apenas a fantástica, mas igualmente surpreendente conquista da Taça de Portugal pelo Torreense, os impediu de estar pela primeira vez a disputar competições europeias), a equipa famalicense já deixou de ser propriamente uma surpresa dentro da Primeira Liga, mas continua a apresentar uma capacidade muito interessante para renovar o plantel sem perder competitividade. 

Este ano será muito desafiante, uma vez que foram várias e muito significativas as perdas que assolaram o plantel (Justin de Haas, Ibrahima Ba, e mais recentemente, a do seu talentoso capitão Gustavo Sá).  Perdeu igualmente um dos grandes responsáveis pela já mencionada classificação histórica. O técnico Hugo Oliveira seguiu para os franceses do Estrasburgo, mas a SAD da equipa famalicense mostrou novamente muita eficiência e deu um golpe de asa com a contratação de um treinador tão experiente e tão competente, como Carlos Carvalhal. Não será certamente uma época fácil, mas, a meu ver, a direção do quadro minhoto, escolheu o timoneiro ideal para esta reconstrução da equipa. 

1.

Vasco Botelho da Costa
Fonte: Paulo Ladeira/Bola na Rede

Moreirense – É quase um “clássico” das equipas-surpresa da Primeira Liga. A estabilidade diretiva e um recrutamento quase sempre inteligente fazem do Moreirense uma equipa muito competitiva, mesmo perdendo alguns jogadores importantes todos os anos, como terá de o fazer novamente para colmatar as saídas de jogadores tão influentes na época transacta, como Diogo Travassos e Alanzinho.

Nos últimos anos, o quadro minhoto afirmou-se como uma das equipas mais consistentes do campeonato português. Longe do mediatismo dos grandes centros, continua a recrutar com enorme critério e a construir plantéis extremamente equilibrados.

A continuidade de Vasco Botelho da Costa no comando técnico (na minha modesta opinião, um dos melhores treinadores da nova vaga), poderá revelar-se decisiva numa época em que muitos clubes iniciam novos ciclos. Se conseguir manter a consistência exibicional que tem caracterizado as últimas temporadas, o conjunto de Moreira de Cónegos pode melhorar o 7.º lugar da época anterior, e intrometer-se na luta por lugares europeus.

Tiago Campos
Tiago Campos
O Tiago Campos tem um mestrado em Comunicação Estratégica mas sempre foi um grande apaixonado pelo jornalismo desportivo, estando a perseguir agora esse sonho. Fã acérrimo do "Joga Bonito".

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