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Marco Silva marca presença na conferência de imprensa de rescaldo ao AC Milan x Benfica, jogo da 1.ª jornada da Europa League.
O Benfica ganhou em casa do AC Milan por 2-0. A partida, que teve lugar no San Siro, foi referente à primeira jornada da fase de liga da competição e marcou a estreia das duas equipas nesta edição. Marco Silva em conferência de imprensa começou por dizer:
«Num jogo desta dimensão os riscos também são muito grandes. Em termos motivacionais são pequenos, são um pouco menores, porque naturalmente num jogo destes a motivação está nos píncaros, não há muito a fazer para motivar os jogadores, há muito mais trabalho tático para se fazer. E nesse aspeto os jogadores estiveram brilhantes. Por aí dizer que foi uma noite muito boa; não foi perfeita. Acho que nós temos muitas coisas a melhorar hoje. Demonstrámos isso novamente, que há muito a melhorar em alguns momentos do jogo. Temos que ter a capacidade de defender um bocadinho mais altos do que defendemos em alguns momentos na segunda parte, tomar decisões um pouco diferentes que nos podiam ter dado a criar ainda mais oportunidades do que criámos. Essa é que é a realidade, mas começar por dar os parabéns aos jogadores, foram extraordinários na forma como, num registo um pouco diferente… Nós começámos esta semana a falar sobre isso também, que há momentos em que tem de ser um registo um pouco diferente, e nós com umas questões táticas também um pouco diferentes que hoje apresentámos, especialmente no posicionamento do Kaminski sem bola. Os jogadores foram extraordinários na forma como perceberam, com dois dias de trabalho de um jogo para o outro, e conseguiram executar também no jogo. O golo cedo ajudou-nos, não há que esconder. A forma como marcámos cedo trouxe-nos aquela confiança e tranquilidade para depois encarar o jogo já de outra forma. Explorámos sempre muito bem, principalmente na primeira parte, muito bem aquilo que eram os espaços dados. Na segunda parte fomos perdendo algumas bolas que não poderíamos e não deveríamos, porque senão ainda tínhamos criado mais. Defensivamente estivemos sólidos, não deixámos o Milan criar muito… um pouco mais na segunda parte».
Sobre a estratégia tática e gestão do plantel.
«Eu esperava já alguma fadiga em alguns jogadores, alguma falta de energia, porque olhando para a nossa equipa hoje, alguns destes jogadores chegaram pela primeira vez aos 90 minutos: o Sofyan, o Alexsandro Circati, o próprio Dodi… muitos jogadores. O próprio Kaminski já não jogava há algum tempo; independentemente de ser um jogador muito físico, notou-se alguma falta de energia depois. Também o Fred, como vocês sabem, está a chegar. Portanto, eu senti que ia acabar por acontecer isso de uma forma. Não podíamos fazer as substituições todas, se pudesse, tinha feito mais ainda, mas a realidade é que, de uma forma geral, a equipa fez um excelente trabalho. Ganhar contra o Milan não é fácil. O Benfica é um clube enorme, como o Milan também o é, mas a realidade é que é a primeira vez que o Benfica ganha jogos oficiais ao Milan. Nós tivemos essa conversa também no último meeting antes de sairmos para o estádio. E eu tive bons feelings, e um deles foi quando cheguei ao estádio e fui ver o relvado juntamente com os jogadores, aquela receção que os adeptos do Benfica fizeram aos jogadores naquele momento. É algo especial. Sente-se algo especial naquele momento, e poderes retribuir os pontos para nós é fantástico. Em relação a sermos candidatos ou favoritos, eu não vou entrar por aí. Eu disse na minha apresentação que um clube como o Benfica, se estiver na fase de liga da Liga Europa, pela sua dimensão, mas estão lá outros com grande dimensão também —, tem de se apresentar com grandes aspirações e grandes ambições. E essas são as nossas. Nós tivemos de jogar seis jogos para estar aqui e agora não faz sentido andarmos aqui com receio de jogar futebol ou com receio de encarar os adversários como encarámos esta noite. Não vai ser sempre assim, eu sei, mas nós vamos tentar sempre jogar para ganhar e ir o mais longe possível na competição, chegar ao último jogo. É essa a nossa ambição. Se iremos conseguir ou não, temos que ver no final e fazemos as contas no final, mas é essa a nossa ambição. Deixar bem claro que há muitas e grandes equipas também nesta condição, equipas que têm um poderio financeiro enorme para chegar e comprar quase quem querem, e nós temos que ter essa noção também. Mas a realidade é que fizemos um grande trabalho. Em relação às dúvidas, eu tenho tido algumas. Não tenho demonstrado tanto no onze, mas tenho tido algumas e é bom sinal. É óbvio que quando temos repetido muitas vezes o onze não dá tanto a entender isso, mas é bom ter dúvidas e os jogadores têm-me colocado essas dúvidas. Acredito que daqui a um mês, dois meses, ainda me vão criar mais, porque muitos deles vão estar a um nível físico diferente, e vão-me criar mais. Eu não tenho a menor dúvida disso, e isso é bom para mim. Na minha forma de ver o futebol só faz sentido assim: um clube que joga quatro competições e que tem aspirações em quatro competições não pode ter só 13, 14 ou 15 jogadores. Isso não existe. Os jogadores às vezes não compreendem tão bem, mas em alguns momentos nós também temos de lhes dar a confiança de que acreditamos neles, e esta noite foi-lhes dada essa mesma confiança. Não é fácil mudar da forma como nós mudámos e eles responderam muito bem. Deixam-me satisfeito e vão-me criar ainda mais dúvidas no futuro. O jogo do Kaminski hoje é um bom exemplo. Este tipo de jogos são muito mais para o tipo de jogador que ele é do que jogos em que as equipas estão num bloco muito baixo, em que muitas vezes nós jogamos dessa forma. O trabalho que ele fez num aspeto tático, quase fechando numa linha de cinco, hoje demonstra isso tudo, que ele tem essas características. Com o tipo de jogos em que nós vamos estar mais em cima do adversário já não será tanto para ele, e estamos cá nós para ir gerindo da forma que temos de gerir.Em relação à questão do Lenglet em vez do Tomás de saída, é muito simples: o Lenglet tem muito mais jogos do que o Tomás, começou a jogar desde o dia 23 e praticamente só descansou um jogo, tem muito mais minutos. A idade do Tomás é diferente da idade do Lenglet também, e todas essas questões tiveram um peso na nossa decisão. Acabámos por não ter aquela saída de perna esquerda que nós tanto gostamos e é importante para nós, mas se vocês virem também hoje construímos muito mais a quatro do que a três. Temos vindo a construir muito mais a três com o tal mais posicional, e hoje como tínhamos o Dodi à direita, não íamos ter o nosso lateral tão subido num primeiro momento. Estrategicamente sabíamos que iria ser importante termos dois laterais um pouco mais baixos na primeira fase de construção. Na primeira parte isso foi visível, praticamente encontrámos sempre o Sofyan ou o Banjins quando rodava no sentido do jogo. Optámos desta forma por todas estas questões e muito a ver com a questão dos minutos que o Lenglet tem vindo a jogar muito mais do que o Tomás».
Sobre a relação com Rúben Amorim e gestão da euforia.
«A relação que eu tenho com o Rúben é muito boa e nós naturalmente… Ele sabe que sempre que não for contra ele, estou a torcer por ele, e ele naturally faz o mesmo. Com certeza temos um respeito muito grande entre nós e naturalmente o que falamos fica connosco, mas não foi nada extraordinário, nada de mais: muito mais a ver com questões pessoais e de família do que propriamente em relação ao jogo. Em relação à outra questão, é muito fácil: nós começámos muito bem a fase de liga da Liga Europa, simplesmente isso. Numa vitória histórica, dois grandes clubes europeus a defrontarem-se… Já se defrontaram em finais europeias, mas a realidade é que em jogos oficiais o Benfica nunca tinha ganho e fica este bom gosto de termos conseguido. E simplesmente isso: três pontos e começámos com o pé direito esta fase. Eu sei perfeitamente o grupo de trabalho que tenho a trabalhar comigo. Eles precisam de confiança, mas são humildes o suficiente para perceber que estamos no começo. Conseguimos três pontos, tivemos uma vitória muito boa, podemos dar um bom feeling aos nossos adeptos, mais de 5.000 aqui em Milão é extraordinário. E simplesmente isso. Hoje vamos descansar, amanhã viajamos para Lisboa. Não há tempo sequer para celebrar absolutamente nada porque foram três pontos. Há tempo sim para tentar usar o máximo tempo que temos até domingo, que será mais um jogo muito importante para fechar este primeiro ciclo da época, que tem sido muito desgastante em termos de jogos para nós também. Mas os jogadores têm respondido muito bem e tenho a certeza de que não há aqui euforia absolutamente nenhuma. Estão satisfeitos e realizados com o bom jogo que fizemos, com uma resposta muito boa de uma equipa que mudou nove jogadores de um jogo para o outro, simplesmente isso. Toda a gente tem de ter a calma suficiente para perceber… Eu disse a seguir ao jogo com o Gil Vicente que muitas batalhas pela frente iremos ter, e tenho a certeza de que vamos ter mesmo ganhando este jogo».
Sobre a dimensão de treinar o Benfica.
«O Benfica é um grande clube, mas mais do que isso é treinar o Benfica. Sei o que significa estar no comando do Benfica. Sou jovem, mas tenho experiência suficiente para estar nesta posição. Quero tomar as melhores decisões que tenho de tomar nesta posição, sempre na melhor direção, com grande apoio, grande história, e todos queremos trabalhar pelo melhor do Benfica».











