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Moreirense FC 1-0 CD Santa Clara: Felicidade e três preciosos pontos

Romão Rodrigues · 6 min

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A CRÓNICA: O VERDE DA ESPERANÇA (E DA VENTURA) A QUEM PERTENCE, A QUEM PERTENCE? AO MOREIRENSE FC

Na penúltima partida que encerrava a jornada 11, Moreirense FC e CD Santa Clara defrontavam-se no Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas. As duas formações, antes do apito inicial, encontravam-se apenas à distância de um triunfo no décimo quarto e sétimo lugar da tabela classificativa, respetivamente. No reduto dos cónegos, o último registo é favorável aos da casa (2-1).

A acalmia dominou o relvado nos 25 minutos iniciais. As duas equipas anulavam-se taticamente, as defesas assinalavam a sua supremacia relativamente às frentes de ataque, salvo duas exceções: Shahriair (10′) após uma perda de bola da defensiva do Moreirense FC, progrediu no terreno e ganhou um livre direto à entrada da área. O primeiro aviso estava dado; Rashid (24′), sem qualquer tipo de preparação, dispara de fora da área e obriga M. Pasinato à estirada. Mesmo sem o domínio da partida, o CD Santa Clara era a equipa mais esclarecida até ao momento.

Em cima do intervalo, Filipe Soares driblou dois adversários e arranca em direção à baliza insular e é travado em falta; o árbitro dá a lei da vantagem, Pires recupera, coloca em Yan e este é rasteirado à entrada da área. Na transformação, faz a bola embater na barreira. Passou o perigo…

A segunda metade iniciou-se da mesma forma que a primeira: jogo faltoso, aguerrido e pouco conclusivo de parte a parte. Desta vez, a lança em África pertenceu a Carlos Junior (59′): após um livre de Rashid que resvalou na barreira, aproveitou a sobra e atirou às malhas laterais.

Abdu Conté (68′), numa investida individual do corredor esquerdo para o centro do terreno, deixa em Pires; por sua vez, este desfere um remate junto do poste esquerdo. O perigo mudava de trajetória…

O minuto 70 sinaliza o primeiro golo do encontro: D’Alberto encetou uma jogada, Mikel interseta de forma deficitária e Yan, isolado na grande área, corre e desvia a bola de Marco, colocando-a junto ao poste direito. 1-0! O placard alterava-se e os cónegos estavam em vantagem!

No período que faltava jogar, as oportunidades de golo escassearam, destacando-se apenas (uma vez mais) as batalhas e o equilíbrio a meio campo, bem como a quantidade de faltas existentes, prova cabal do espírito aguerrido dos 22 combatentes em campo.

O Moreirense FC foi feliz, triunfou e saltou para o sétimo lugar da tabela classificativa, a par de CD Santa Clara e CS Marítimo.

 

A FIGURA

Fábio Pacheco considerado o Homem do Jogo no encontro de hoje. 👏👏#VamosMoreirense #SempreJuntos pic.twitter.com/GqiphZ4tiq

— Moreirense Futebol Clube (@MoreirenseFC) February 9, 2019

Fábio Pacheco – defensivamente, foi uma das principais figuras do campeonato anterior e, até à data, continua no mesmo lote. Pode dizer-se mesmo que, em algumas partidas, – esta é um exemplo demasiado ilustrativo – atinge níveis de eficácia quase supremos. Neste Moreirense FC, Fábio Pacheco é o verdadeiro pêndulo e o ganha pão em tempos difíceis

O FORA DE JOGO

Mikel – hoje, a displicência tomou conta dele: defensivamente, ofereceu pouca segurança à equipa e aos restantes companheiros de posição; ofensivamente, esperavam-se mais investidas em profundidade, mais triangulações delineadas com meio-campo e mais capacidade de projeção de cruzamentos. Além disto, a dádiva é de sua inteira responsabilidade…

 

ANÁLISE TÁTICA – MOREIRENSE FC

A equipa liderada por César Peixoto apresentou-se diante dos insulares no frequente 3-4-3. Fábio Pacheco permanecia no miolo e Ferraresi ocupou a vaga por preencher ao lado de Rosic, regressando ao onze. Pires deu lugar a Walterson e junta-se a Derik Lacerda de modo a tomar a ofensiva da partida. Yan Matheus e F. Soares posicionavam-se em setores mais exteriores tendo em vista a profundidade e a velocidade. Pedro Amador e Pedro Nuno permaneciam no lote de lesionados e, uma vez mais, não foram opção.

Durante a primeira metade, o Moreirense FC possuiu, na maior parte do tempo, a salvaguarda e guarida da posse de bola, travando inúmeros duelos no centro do terreno e procurando – essencialmente – a velocidade do corredor do lado esquerdo e obrigando Abdu Conté a piques sucessivos.

Contrariedade para César Peixoto (40′): Derik Lacerda foi substituído após queixas musculares; Pires saltou do banco com o intuito de imprimir velocidade.

A segunda parte trouxe a felicidade. O jogo estava partido e o sorte pendeu para os da casa. Depois de adquirir a vantagem, o Moreirense FC recuou as linhas e intensificou a pressão ao portador da bola.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

M. Pasinato (6)

D’Alberto (5)

Rosic (7)

Ferraresi (6)

Conte (6)

Yan (7)

Pacheco (8)

A. Soares (6)

F. Soares (6)

Lacerda (4)

W. Silva (6)

SUBS UTILIZADOS

Pires (5)

Franco (5)

Galego (-)

I. Camará (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – CD SANTA CLARA

Daniel Ramos gizou um 4-3-3, tática utilizada habitualmente. Rashid, Costinha e Anderson Carvalho ocupam-se das transições defensivas e ofensivas e dos movimentos interiores, enquanto que Ukra e Carvalho são os destinados a conferir profundidade e ímpeto atacante. Mansur, lateral esquerdo utilizado massivamente durante este início de campeonato, está fora dos convocados devido a lesão.

A turma dos Açores demandou pelo contra-golpe. Rashid e Anderson Carvalho serviam como pivôs, onde a construção de jogo era executada. Ukra era o mais solicitado e, por vezes, recuava em detrimento da subida de Pierre Sagna, por meras questões táticas. Os extremos ocupavam posições interiores de modo a serem auxiliados pelos laterais, aquando dos momentos de ataque.

Na segunda metade, após o golo sofrido, restou a fé e querer e poucos foram as armas e os argumentos táticos. As substituições tardias foram facto comprovativo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Rocha (6)

Sagna (6)

Afonso Silva (6)

Cardoso (6)

Villanueva (4)

Rashid (6)

A. Carvalho (6)

Costinha (5)

Ukra (6)

Shahriar (5)

Carvalho (5)

SUBS UTILIZADOS

D. Salomão (4)

Crysan (4)

Lincoln (-)

J. Patric (-)

Nenê (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Moreirense FC

BnR: Boa noite, mister. Um comentário sobre o regresso de Abdu Conté ao campeonato português, sendo que as duas contratações e alternativas para o corredor esquerdo se encontram lesionadas.

César Peixoto: Ansiávamos o regresso do Abdu Conté. Fez um bom jogo, mas pode dar mais e sei perfeitamente que vai dar mais, bem como a equipa. O triunfo trouxe-nos confiança. O Abdu esteve bem, quer na postura defensiva, quer na postura ofensiva, foi incisivo em todos os lances que disputou. O quarteto defensivo esteve muito unido, muito coeso, muito responsável, muito concentrado e isso também ajudou a que a exibição do Abdu fosse positiva. Dentro do plantel que temos, é verdade que o Abdu é o único lateral esquerdo de raiz que temos. Até o Walterson já lá jogou, com o apoio  dos quatro defesas restantes… Porém, tentamos encontrar soluções mediante as necessidades e as estratégias definidas.

CD Santa Clara

BnR: Mister, boa noite. A equipa sente-se injustiçada pelo desaire? A dualidade de critérios existiu? Se existiu, pesou no resultado final?

Daniel Ramos:Pergunta mesmo para matar… Injustiçados, sim! Não merecíamos este resultado! Mas o futebol é isto, é eficácia! Daqui a algum tempo já ninguém se lembra… Não quero nem vou falar aqui da arbitragem! Somos gente boa, que trabalha muito e todos os dias! Eu sei que os erros existem, mas só espero que não sejam sempre contra os mesmos. O CD Santa Clara tem sido muito prejudicado no campeonato, já sabemos que as equipas ditas pequenas têm sempre mais razões de queixa. Vou agora falar do jogo: em muitas situações de jogo, o CD Santa Clara teve o domínio e até mesmo o controlo do jogo enquanto que o Moreirense FC jogou a maior parte do tempo na expectativa; o golo, como se costuma dizer, acaba por cair do céu, nasce num lance fortuito. Na minha opinião, o pior resultado com o qual podíamos sair daqui era o 0-0 e perdemos.

Romão Rodrigues

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