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A Liga da atração

Diogo Pires Gonçalves · 3 min

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Arredada dos primeiros lugares das melhores ligas europeias (apenas sétimo lugar, atrás de Espanha, Inglaterra, Itália, França, Alemanha, e Escócia, segundo a IFFHS) e com presenças esforçadas, mas inglórias nas competições europeias, a Primeira Liga Portuguesa consegue recrutar antigas estrelas em final de carreira ou pérolas que ainda não brilharam nos colossos europeus.

Isto deve-se totalmente aos clubes que as conseguem contratar, mas deve ter-se em conta o contexto e adaptá-lo à nova realidade. Isto é, os clubes seduzem, atraem e conquistam, mas deve ser a Liga e o seu batalhão de entidades que devem tratar e cuidar destes “mini astros”.

Com isto não se pede tratamento especial nem vantagens sobre os demais competidores, mas sim um cuidado extra na relação com atletas de renome para que o proveito da sua presença nos nossos palcos seja o melhor.

A título de exemplo, o Sporting CP contratou em 2017/18 um defesa central com uma bagagem repleta de troféus vistosos; uma Liga dos Campeões, um Campeonato do Mundo de Clubes, uma Supertaça Europeia, duas Ligas espanholas, três Taças do Rei, uma Supertaça espanhola e uma Taça da Liga francesa.

Vindo do FC Barcelona, Jérémy Mathieu assumiu o eixo da defesa leonina e, apesar dos altos e baixos causados sobretudo pelas lesões, revelou-se uma contratação acertada. A humildade inerente ao estatuto de jogador de topo mundial veio ao de cima a cada partida realizada. Podia pensar-se que, em fim de carreira, Mathieu vinha descomprimir para os relvados portugueses, mas 81 jogos em dois anos provam o contrário.

O “astro” mundial das balizas integra o staff diretivo do FC Porto enquanto recupera do problema de saúde que sofreu na época passada
Fonte: FC Porto

Quando olhamos para trás não vemos nenhum tipo de ação por parte da Liga por poder contar com um nome tão relevante no seu campeonato. O mesmo se passou com Júlio César, guardião que entrou em Portugal pela porta do Estádio da Luz e por lá ficou durante três épocas. Ou com Iker Casillas.

Nem parece verdade. Duas entidades míticas entre os postes escolheram Portugal para continuar as suas carreiras e até se defrontaram. San Iker de um lado, Júlio César do outro; há uns anos seria uma utopia. Na altura, as contratações foram vistas como uma forma de divulgar o campeonato português, mas a verdade é que pouco ou nada foi feito.

Estas ocasiões devem ser vistas como oportunidades de acréscimo de qualidade ao nosso campeonato, mas não só. Os clubes fazem esforços no sentido de melhorar os seus plantéis e, consequentemente, o futebol praticado em Portugal. Por outro lado, a visibilidade da prova aumentará se as peças certas forem movidas. Ou seja, um simples ajuste de horários das partidas permitirá que adeptos de futebol de outras latitudes possam espreitar o campeonato português e a nova equipa deste ou daquele astro.

No caso das partidas europeias, há uma interação ao nível digital e social que pode e deve ser fomentada. Um simples vídeo de Iker Casillas e Gianluigi Buffon numa troca de curiosidades de um e outro rendeu partilhas e comentários em todo o mundo quando os dragões enfrentaram “La Vecchia Signora” na Liga dos Campeões 2016/17. Há uma mão cheia de iniciativas que podiam aproveitar, no bom sentido, a presença destas estrelas no nosso campeonato.

A capacidade de atração dos clubes mantém-se agradavelmente elevada. Raúl de Tomás trocou o Real Madrid CF pelos encarnados, depois de sucessivos empréstimos, e já se levanta em Espanha a dúvida se os “blancos” realmente tomaram a melhor opção, tendo em conta a valia do atleta. Luciano Vietto deixou o Atlético de Madrid para ser leão e a expetativa em torno do avançado de 25 anos é enorme. Urge ter à frente das várias entidades os “astrónomos” certos para que não sejamos um campeonato de estrelas cadentes.

Foto de Capa: SL Benfica

 

Diogo Pires Gonçalves

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