A CRÓNICA: EQUIPA DE BRUNO PINHEIRO VENCE COM BOA EXIBIÇÃO E LIDERA PROVISORIAMENTE A LIGA

Estoril-Praia SAD e CS Marítimo defrontaram-se no Estádio António Coimbra da Mota, em jogo da quarta jornada da Primeira Liga Portuguesa de futebol. Apresentavam-se em jogo duas equipas com propostas de jogo diferentes, embora com sucesso nos primeiros resultados desta temporada. A equipa da Linha vinha de uma vitória em Paços de Ferreira e estava sem derrotas no campeonato (três vitórias e um empate), ao passo que os madeirenses tinham empatado em casa com o FC Porto depois de vencerem o Belenenses SAD em Leiria (quatro pontos).

Esse contraste nas formas de jogar das equipas tornava o jogo imprevisível em teoria, mas a primeira parte foi animada, com algum ascendente do GD Estoril Praia. Pelo menos, foi a equipa de Bruno Pinheiro a dispor da primeira grande oportunidade do jogo, que nasceu de uma boa jogada. Chiquinho picou a bola para Clóvis, que ficou isolado perante o guarda-redes Paulo Vítor. O avançado picou a bola por cima do guardião, Francisco Geraldes tentou empurrar para a baliza, mas a bola foi intercetada com um excelente corte de Léo Andrade. Pouco depois foi Geraldes a tocar de calcanhar para Clóvis, mas o avançado atirou à malha lateral, pressionado por Sáenz.

O jogo abrandou durante uns instantes, mas os estorilistas chegaram mesmo à vantagem com alguma naturalidade. Chiquinho cruzou da direita para Bruno Lourenço, que tocou à entrada da área para Miguel Crespo. O médio tirou Rossi da frente e disparou, com um desvio em Zainadine a trair Paulo Victor.

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O Estoril-Praia SAD manteve-se por cima no jogo, sem ameaçar muito a baliza contrária, mas parecendo ter o jogo controlado, mas o CS Marítimo chegou à igualdade em cima do intervalo. Numa bola enviada para a área, Alipour conseguiu segurar bem o esférico e servir Cláudio Winck, que rematou colocado, sem hipótese para Dani Figueira, gelando as bancadas do António Coimbra da Mota antes do descanso.

O segundo tempo começou igualmente entretido. Dentro dos primeiros cinco minutos, as duas equipas registaram momentos de perigo, com o Estoril-Praia SAD a ganhar um livre perigoso, depois de um passe de Clóvis a isolar Crespo, que quase entrava na área antes de ser carregado em falta por Zainadine (do livre nada resultou). Na resposta, foi o CS Marítimo a marcar, por André Vidigal (bom passe de Alipour), mas o golo foi anulado por posição irregular do avançado português.

Até que, aos 59 minutos, a equipa da casa voltou à vantagem. Clóvis ganhou a bola a Sáenz junto à linha lateral, tocou para Bruno Lourenço, que teve a visão de jogo necessária para passar o esférico a Chiquinho, que se desmarcava em velocidade. O ‘7’ recebeu a bola e picou-a por cima de Paulo Victor, para o 2-1.

Quer Bruno Pinheiro, quer Julio Velázquez mexeram nas equipas após o golo, com o Estoril a aparentar continuar por cima do desafio, até que o Marítimo causou novo susto, através de novo golo anulado. Xadas foi progredindo pelo corredor central e isolou André Vidigal com um passe em profundidade, só que o avançado estava de novo fora de jogo.

Xadas, com nova boa jogada (desta individual) aqueceu as mãos a Dani Figueira e, na resposta, foi Chiquinho a desequilibrar na esquerda e a cruzar para Leonardo Ruiz, que não conseguiu controlar a bola. Os minutos foram passando, Velázquez foi arriscando, Bruno Pinheiro foi tentando congelar a partida, de forma a conservar a vantagem mínima nos minutos finais. E a verdade é que, com maior ou menor dificuldade, o Estoril-Praia SAD (que ainda desperdiçou uma grande oportunidade perto do fim, por Leonardo Ruiz) segurou os três pontos e lidera provisoriamente a Primeira Liga, com 10 pontos.

A FIGURA

Chiquinho – Foi uma autêntica dor de cabeça para a defesa do Marítimo, esteve em grande plano na primeira parte e confirmou a sua grande exibição, marcando o segundo golo do Estoril.

O FORA DE JOGO


Jorge Sáenz – Foi influente ao perder a bola na linha lateral, que deu origem ao segundo golo do Estoril Praia.

 

 

ANÁLISE TÁTICA – ESTORIL-PRAIA SAD

O treinador do Estoril-Praia realizou três mudanças no 11 inicial em relação à última jornada. Entraram David, Rosier e Francisco Geraldes para os lugares de Carles Soria e João Gamboa e de André Franco, respetivamente, mas manteve a mesma formação: 4x1x4x1.

Nos primeiros minutos do encontro o Estoril entrou muito forte, pressionando a primeira linha de construção do Marítimo, para induzir ao erro, e criar jogadas de perigo, logo a partir dos jogadores da frente.

O Estoril tinha praticamente todos os jogadores da frente de ataque apontados à baliza de Paulo Victor, que muitas vezes em lances individuais desequilibravam a defesa do Marítimo, mesmo estando com mais jogadores na área defensiva. Muitas das jogadas produzidas pelo conjunto lisboeta, foram através de toques curtos e combinações rápidas entre os jogadores, que conseguiam desequilibrar o conjunto de Velásquez, muito também graças também a jogadores como Chiquinho, que conseguia chegar muitas vezes à baliza do Marítimo.

O Estoril entrou com menos fulgor em comparação à primeira parte, mas adotou uma postura de jogo mais direto e de transições rápidas, essa mudança levou ao segundo golo, por parte de Chiquinho. Outro exemplo que confirma essa postura, foi a saída de Lourenço e a entrada de Ruíz, que ditou um jogo de mais transição e de menos posse, pois se compararmos Ruiz a Clóvis, Ruiz é mais estático e Clóvis é um ponta de lança que participa mais no jogo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Dani Figueira (6)

Lucas Áfrico (6)

Francisco Geraldes (7)

Chiquinho (8)

André Clóvis (7)

Crespo (7)

Bruno Lourenço (7)

David (6)

Ferraresi (6)

Joãozinho (6)

Rosier (6)

SUBS UTILIZADOS

Carles Soria (5)

Ruiz (5)

André Franco (5)

Gamboa (5)

 

ANÁLISE TÁTICA – CS MARÍTIMO

Depois de um empate contra o FC Porto, o treinador da equipa madeirense, Julio Velázquez, apostou no mesmo 11, para o jogo contra o Estoril-Praia, apresentando um 3x5x2.

O Marítimo entrou em campo com uma postura mais calculista, tendo as suas jogadas mais perigosas, a partir de contra-ataques, após erro ou distração do Estoril e quando tentava atacar, muitas vezes era através de pontapés longos para área contrária.

A equipa da Madeira, teve uma tarefa complicada para parar a ofensiva do Estoril, mesmo tendo os alas e os médios, mais preocupados em anular a ofensiva de uma das equipas-sensação do campeonato, até ao momento. Os alas foram importantíssimos para o jogo do Marítimo, pois tanto estavam a defender, como a atacar, exemplo disso foi o primeiro golo do conjunto de Julio Velásquez, que foi da autoria de Cláudio Winck.

Na segunda parte, a equipa do Marítimo entrou melhor, dexou de ser uma equipa tão cautelosa, em comparação com a primeira, mas continuou a atacar através de contra-ataques e de jogadas através de passes longos.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Paulo Victor (5)

Cláudio Winck (7)

Zainadine (5)

Vidigal (6)

Alipour (6)

Rossi (5)

Diogo Mendes (5)

Xadas (6)

Jorge Saenz (4)

Leo Andrade (5)

Vítor Costa (6)

SUBS UTILIZADOS

China (5)

Matheus (5)

Pelágio (5)

Rúben Macedo (5)

Edgar Costa (5)

 

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Estoril-Praia SAD

BnR: Trocou dois jogadores no meio-campo em relação ao último jogo, fazendo entrar o Rosier e o Geraldes para os lugares do Gamboa e do Franco. Porque é que trocou e como é que viu a exibição do meio-campo?

Bruno Pinheiro: Às vezes gosto de complicar as coisas. Primeiro, entendi que, com um jogo há quatro dias, a probabilidade de os jogadores se desgastarem era grande e se eu repetisse o onze, corria o risco de chegar ao fim do jogo e precisar de substituir dez jogadores e só poder substituir cinco, uma das razões foi a capacidade de dar à equipa sangue novo e que não condicionasse na hora de fazer as substituições. Por outro lado, também gosto de desafiar os jogadores. O Rosier é um médio defensivo top com bola, defensivamente está a crescer, tem que evoluir. O Gamboa é um jogador top defensivamente, ofensivamente tem evoluído, está a crescer e achei que este era um jogo para o Rosier sair da sua zona de conforto. Sabíamos que ia ter uma marcação homem a homem, não ia jogar futebol, não era essa a tarefa e eu quis desafiar o jogador para sair da zona de conforto.

 

CS Marítimo

BnR: O André Vidigal fez uma grande época no ano passado. Como é que avalia a exibição do André Vidigal contra a antiga equipa?

Julio Velazquez: Avalio a exibição coletiva do Marítimo. A mim o que me importa é o coletivo. Isso dos prémios individuais é uma mentira, Bola de Ouro, de prata, de bronze… O Vidigal não é mais do que outro qualquer, para falar do Vidigal teria que falar de todos. A equipa fez muitas coisas bem. No futebol isso é uma mentira.

 

Rescaldo de opinião de Bernardo Figueiredo e Hugo Costa

 

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