A CRÓNICA: BRACARENSES INCAPAZES PERANTE UM FC FAMALICÃO RESIGNADO

No outro dérbi do Minho desta jornada da Primeira Liga Portuguesa, o SC Braga deslocou-se ao terreno da sensação do campeonato, o FC Famalicão. O resultado da primeira volta (2-2) e a forma atual das equipas faziam prever uma partida com golos, mas tal não se verificou durante os 93 minutos.

Numa primeira parte aberta e bem disputada, ficou a faltar o perigo junto às balizas dos guardiões brasileiros. Foi por demais evidente a falta de esclarecimento dos bracarenses no ataque à baliza. Num dos lances com mais qualidade, Esgaio recebe um passe longo junto à linha de fundo e cruza de pronto para Paulinho. O avançado português atira de cabeça contra Nehuén Pérez e Galeno, mas, na recarga, a bola sai por cima.

A fechar o primeiro tempo, Trincão aproveitou um alívio da defesa famalicense na sequência de um canto e atirou a rasar o poste direito de Vaná. O brasileiro estava batido e o apito para o intervalo foi como um balão de oxigénio.

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Para a segunda parte, Custódio apresentou um SC Braga mais pressionante e à procura da batuta da partida. Sem nunca abdicar de construir a partir de trás, o FC Famalicão teve muitas dificuldades em transpor a bola para o meio campo contrário em futebol apoiado, como havia feito diversas vezes na primeira parte.

Os arsenalistas pressionaram, logo na primeira fase, o adversário, mas sem nunca aproveitar recuperações adiantadas ou erros dos da casa. Contudo, foram os famalicenses os primeiros a criar uma verdadeira situação de perigo na segunda etapa.

Toni Martínez foi lançado na profundidade, ganhou no choque e na velocidade a Bruno Viana e ficou, sem dificuldade, cara a cara com Matheus. A última definição tramou Martínez, que, ao contornar o jogador, perdeu a bola e deu oportunidade a que esta fosse recuperada pela defesa forasteira. Devia ter feito melhor.

Dois minutos depois, Horta surpreendeu na cobrança de um livre, atirando para o lado do guarda redes, mas a bola foi desviada pelo poste. As aproximações do SC Braga à área contrária acumulavam-se, mas o perigo só chegaria a 10 minutos do fim. Esgaio cruzou para um pequeno encosto, mas Paulinho não chegou. Ricardo Horta recolheu e cruzou atrasado, e Trincão rematou um pouco ao lado, desperdiçando, assim, a última grande oportunidade da partida.

Até ao fim, destaque ainda para os 12 minutos desastrosos de Patrick William: um amarelo quatro minutos depois de entrar, um duelo perdido, uma bola perdida e segundo amarelo oito minutos depois do primeiro.

 

A FIGURA

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Fransérgio – Sem o brilhantismo de outros jogos, foi o peso e o pêndulo bracarense. Não se envolveu no ataque como de costume e quando o fez até acusou alguma falta de esclarecimento e discernimento. No entanto, foi na compensação defensiva que se destacou, permitindo que os colegas pressionassem sempre em cima e que a segunda parte no Municipal de Famalicão fosse vermelha e branca.

 

O FORA DE JOGO

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Trincão – Não foi mau, bem longe disso. O problema foi não estar à altura do que nos tem habituado. É nestes jogos extremamente enlaçados que a magia de Trincão é essencial. Ao invés disso, o jovem recém-contratado pelo colosso catalão falhou as duas grandes oportunidades de que dispôs, somando-lhe bastantes passes errados e apenas um drible bem sucedido.

 

ANÁLISE TÁTICA – FC FAMALICÃO

O Famalicão apresentou uma defesa camaleónica, alternando entre quatro e cinco elementos, o que fez oscilar a formação entre um 4-3-3 e um 5-2-3. Roderick iniciou como pivot defensivo, plantado à frente dos centrais, mas não raras vezes vimo-lo como terceiro central a fechar os caminhos da baliza de Vaná.

Sofreu bastante com a pressão bracarense da segunda parte, mas cedo aceitou a divisão de pontos e até se deu bem nesse papel, entregando a bola a um adversário pouco criativo esta noite.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Vaná (6)

Ivo Pinto (6)

Riccieli (7)

Roderick (6)

Nehuén Pérez (7)

Centelles (7)

Uros Racic (7)

Guga Rodrigues (6)

Diogo Gonçalves (6)

Toni Martínez (7)

Rúben Lameiras (6)

SUBS UTILIZADOS

Walterson (6)

Gustavo Assunção (6)

Patrick William (4)

Coly (-)

Anderson Silva (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – SC BRAGA

Os bracarenses apresentaram o já rotinado 4-4-2, com Ricardo Horta mais solto no apoio a Paulinho e a dupla Trincão/Galeno mais encostados às alas.

O jogo, em geral, foi muito apagado por parte das individualidades bracarenses, e nem as substituições vieram a tempo de surtir qualquer efeito – destaque para apenas três substituições de Custódio, deixando mais duas hipóteses por utilizar.

Mas nem tudo foi cinzento. Os laterais tiveram uma projeção que até se adivinhava difícil antes do jogo. Tanto Esgaio como Sequeira alcançaram terrenos adiantados, grande envolvência no ataque e foram nos seus cruzamentos que se iniciaram as jogadas mais perigosas.

Galeno perdeu-se nas arrancadas individuais e falhou muito a ligação com Paulinho, um pouco perdido entre tantos defesas. Pedia-se um segundo avançado para auxiliar Paulinho entre os centrais, arrastar jogo e libertar espaço para as diagonais de Trincão e Galeno ou, mais tarde, Wilson Eduardo. Rui Fonte apareceu tarde no jogo – pouco ou nada acrescentou.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Matheus (7)

Sequeira (7)

Bruno Viana (7)

David Carmo (7)

Ricardo Esgaio (6)

Fransérgio (7)

André Horta (6)

Ricardo Horta (7)

Francisco Trincão (6)

Galeno (5)

Paulinho (6)

SUBS UTILIZADOS

João Palhinha (6)

Wilson Eduardo (5)

Rui Fonte (-)

Artigo revisto

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