A CRÓNICA: QUANDO TUDO PARECIA DECIDIDO, APARECEU CASSIANO

Em jogo a contar para a oitava jornada da Primeira Liga Portuguesa, o FC Vizela recebeu no seu reduto os açoreanos do CD Santa Clara. À entrada para esta jornada, ambas as equipas se encontravam na metade inferior da tabela, sendo que a equipa da casa tinha sete pontos, mais dois do que os visitantes.

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Num jogo entre duas equipas que gostam de praticar um futebol atrativo, virado para o ataque, não se registaram quaisquer oportunidades de golo dignas desse nome até aos vinte minutos de jogo, altura em que o Vizela se viu obrigado a substituir Zohi por Kiko, devido a lesão. Até ao intervalo, destaque apenas para um livre de Lincoln, muito perto da área vizelense, que esbarrou na muralha que era a barreira da equipa da casa, que já se encontrava muito perto da baliza defendida por Charles.

A primeira grande situação de perigo apareceu ao minuto 59. Grande passe de Morita, a desmarcar Luiz Phellype do lado esquerdo do ataque, mas este remata à malha lateral da baliza vizelense. O Santa Clara voltou a ameaçar de forma mais perigosa ao minuto 71, quando Jean Patric apareceu sozinho e atirou ao lado.

Já havia ameaçado dois minutos antes e desta vez não perdoou. Passe de Morita, já no chão depois de ser carregado, e Jean Patric aproveitou uma distração do Vizela para se isolar e atirou a contar para o golo inaugural da partida, já dentro dos últimos 15 minutos.

A equipa da casa não baixou os braços e partiu em busca do golo do empate, e quase o conseguiu ao minuto 85. Cruzamento de Samu e o pequeno Kiko a ganhar no ar entre os defesas adversários e cabeceou ao lado da baliza de Marco.

Já depois do minuto 90, o Vizela teve aquela que parecia a oportunidade de ouro para empatar a partida. Contra-ataque rápido do Vizela, a bola vai ter com Mendez que remata contra um adversário, a bola sobra para Kiko, que serve Guzzo para um remate ao lado da baliza adversária.

O Vizela continuou a correr atrás do prejuízo e praticamente no último lance do jogo vai chegar finalmente ao golo do empate. Canto para a equipa vizelense, batido à maneira curta para Koffi, que coloca ao segundo poste para Guzzo, este desvia para o centro da área, onde aparece o decisivo Cassiano a fazer o tão ansiado golo, para euforia dos adeptos vizelenses, que apareceram em massa no estádio.

O Vizela chega assim aos oito pontos, enquanto o Santa Clara fica com seis.

 

A FIGURA

Fonte: Sebastião Rôxo / Bola na Rede

Cassiano – A sua entrada galvanizou completamente a bancada e foi ele quem acabou por mudar o jogo. Não teve grandes oportunidades para marcar, mas bastou uma oportunidade para colocar a bola dentro da baliza. Decisivo.

 

O FORA DE JOGO

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Mansur – Não esteve particularmente bem, tanto ofensivamente como defensivamente. Abdicou de subir no terreno em grande parte do encontro, mas mesmo quando Kiko ou Nuno Moreira foram para cima, mostrou-se fraco no 1×1 defensivo.

 

ANÁLISE TÁTICA – FC VIZELA

O Vizela apresentou-se no 4-3-3 habitual, com Samu com mais liberdade do que Marcos Paulo e Claudemir no meio-campo. Alvaro Pacheco repetiu o 11 do último jogo, mas foi obrigado a mexer ainda dentro da primeira meia hora, lançando Kiko por Zohi.

Numa primeira fase de construção, o Vizela primou por sair apoiado pelos centrais, com os laterais não muito projetados a serem solução. Nenhum dos médios fazia uma linha de 3 para sair a jogar, mas ambos os médios mais recuados apareciam numa fase posterior a dar linha de passe, quer aos centrais, quer aos laterais.

Num segundo momento, o Vizela tentou servir Schetinne na profundidade ou encontrar Samu entre linhas, que sempre que foi encontrado em zonas interiores teve espaço para se virar para o jogo e fazer mossa.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Charles (6)

Bruno Wilson (5)

Ivanildo (6)

Kiki (6)

Koffi (5)

Marcos Paulo (6)

Claudemir (6)

Samu (7)

Nuno Moreira (6)

Schettine (5)

Zohi (3)

SUBS UTILIZADOS

Kiko (7)

Cassiano (9)

Mendez (6)

Guzzo (6)

 

ANÁLISE TÁTICA – CD SANTA CLARA

O Santa Clara também utilizou o esquema habitual, o 4-3-3, com apenas Rafael Ramos a entrar para o lugar de Sagna, em relação ao jogo frente ao Braga.

Os açoreanos tentaram apostar numa saída a três, sendo Mansur o homem que fazia de central à esquerda, dando liberdade a Rafael para se projetar na direita. O Vizela foi pressionando bem e anulou muitas tentativas de saída do Santa Clara com quatro homens muito altos no terreno.

Morita foi muito requisitado numa segunda fase, para construir e pensar o jogo da equipa. Rui Costa sempre em roturas entre o central e o lateral e Luiz Phellype normalmente em apoio. Lincoln como segundo avançado e Allano muito encostado ao corredor.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Marco (6)

Villanueva (5)

Tassano (5)

Mansur (4)

Rafael Ramos (6)

Anderson (6)

Morita (7)

Lincoln (6)

Allano (5)

Luiz Phellype (5)

Rui Costa (5)

SUBS UTILIZADOS

Crysan (6)

Jean (8)

Paulo Henrique (-)

Nene (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

FC Vizela

BnR: “O Vizela conquista novamente pontos depois do minuto 90 e novamente por um jogador que entrou no decorrer do encontro. Acha que estes golos tardios são o espelho do acreditar e do espírito de entre-ajuda que o grupo tem?”

Álvaro Pacheco: “Claramente que sim, nós temos um lema que é Vizela é assim e luta até ao fim e guiamo-nos sempre por isso. Tentamos dar sempre um espetáculo a quem nos assiste e vamos continuar assim. Os jogadores que entraram deram tudo o que tinham e ajudaram-nos muito, como têm ajudado sempre. Somos uma família e vamos lutar sempre juntos até ao fim.”

BnR: “Um grande jogo hoje do Samu, que parecia estar em todo lado. Vimos algumas vezes os jogadores do Vizela a mudarem de posição dentro do campo, com especial relevância para o caso do lado esquerdo, onde o Kiki se projetava e o Samu pegava no jogo mais atrás. Acha que esta adaptabilidade dos jogadores do Vizela de irem mudando de sítio dentro do campo, mas os comportamentos continuarem muito similares é uma arma forte para baralhar a defesa adversária e tirar partido disso?”

Álvaro Pacheco: “Isso tem muito a ver com a qualidade dos jogadores e do conhecimento que têm uns dos outros e do próprio jogo. Temos os processos bem assimilados e os jogadores sabem os espaços que têm que procurar. Criamos dificuldades ao adversário e fico muito satisfeito com isso”.

 

CD Santa Clara

BnR: “Hoje inverteram-se os papeis e foi o Santa Clara que esteve a vencer até ao último suspiro, mas acabou por empatar. O Jean Patric e o Cryzan entraram muito bem na partida e o Santa Clara cresceu significativamente com eles em campo, tendo até a oportunidade de fazer mais golos. Apesar do resultado, ficou satisfeito com a resposta dos jogadores que saíram do banco e com o que eles trouxeram à equipa?”

Daniel Ramos: “Muito satisfeito com eles. Entraram e mexeram com o jogo e era esse o nosso objetivo. Como disse e bem, fizemos o golo e depois poderíamos ter ampliado a vantagem, mas não o conseguimos. Trouxeram frescura e estou muito contente com a entrada deles”

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