CRÓNICA: RIGIDEZ DEFENSIVA IMPLICA DIVISÃO DE PONTOS

A nona jornada da Primeira liga colocou frente a frente Rio Ave FC e Boavista FC, num encontro onde ambas as equipas procuravam ferir as redes adversárias, após dois jogos impotentes, diante Gil Vicente e Belenenses SAD respetivamente. As temperaturas estavam geladas, porém, ninguém foi capaz de mexer com o jogo e quebrar esse mesmo gelo.

A partida principiou com o domínio da equipa vilacondense, assumindo claramente as rédeas do encontro, com uma posse de bola «agressiva» e bem direcionada, sustentando o seu jogo com grande variabilidade de recursos dos homens da frente. Apesar disso, as oportunidades não se iam sucedendo e a previsibilidade ofensiva do lado da equipa da casa em conjunto com a inoperância ofensiva do lado axadrezado culminava, sem supresas, numa primeira parte sem qualquer golo. Aliás, não fosse o remate perigoso de Carlos Mané, o jogo ia para os balneários sem qualquer sinal de perigo por ambas as equipas. De sublinhar ainda a saída por lesão do internacional francês Rami, que obrigou Vasco Seabra à primeira substituição do jogo, entrando Devenish para o seu lugar.

Em suma, as temperaturas geladas estavam a tomar conta dos jogadores, num jogo de elevada inércia e rigidez tática, de ambos os lados. Ressalvava-se, ainda assim, até ao momento, a postura interessante por parte da equipa da casa, que não temia a sua linha defensiva muito subida.

À saída dos balneários, todavia um início congênere aos primeiros 45 minutos, a equipa axadrezada finalmente parecia querer agarrar no jogo, adquirindo a bola de forma mais incessante. Simultaneamente as linhas boavisteiras subiram, com uma pressão ao portador da bola bem mais agressiva. Apesar de alguns lances em transição do lado boavisteiro e sustos “acanhados” da equipa da casa, o resultado não parecia querer desatar. Somente com as alterações no decorrer da segunda parte, o jogo aquecia, não obstante a única oportunidade flagrante tenha pertencido à formação visitante, num remate à boca da baliza por parte de Hamache, que permitiu, no entanto, que os instintos de Kieszek luzissem.

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Em suma, as temperaturas invernais não acutilaram muito as ofensivas de ambos os lados, nem «aqueceram» o marcador. Ambas as formações somam o segundo jogo sem marcar qualquer golo.

 

FIGURA


Léo Jardim-No reencontro com a antiga equipa, executou várias defesas de grande nível e foi o principal homem na manutenção da nuladidade no marcador. Para além disso cobriu alguns erros da defensiva boavisteira e fez defesas de nível técnico muito difíceis de reproduzir.

 

FORA DE JOGO


Ofensiva de ambas as equipas-Um jogo que terminou exatamente da mesma forma que começou. Nenhuma individualidade alvoreceu e ninguém conseguiu alvejar de forma eficaz as balizas de Léo Jardim e Kieszek respetivamente. 6 remates para ambas as formações, que no entanto, ditaram uma ineficácia total, ao passo que as ocasiões evidentes de perigo “contam-se com os dedos”.

ANÁLISE TÁTICA- Rio Ave FC

A «turma» de Mário Silva apresentou-se num 4-3-3 bem delineado, impulsionando Filipe Augusto e Pelé (de forma intermitente) na ocupação do espaço entre os centrais, com o objetivo claro de a partir daí criar desiquilíbrios no meio campo boavisteiro. Defensivamente, os vilacondendes organizaram-se num 4-1-4-1, subindo a sua linha defensiva de forma extrovertida e eficaz, conseguindo inibir a ofensiva boavisteira.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Kieszek (7)

Santos (6)

Borevkovic (6)

Ivo Pinto (6)

Pedro Amaral (5)

Filipe Augusto (6)

Francisco Geraldes (4)

Pelé (6)

Gelson Dala (6)

Diego Lopes (5)

Carlos Mané (5)

 SUBS UTILIZADOS

Gabrielzinho (6)

André Pereira (5)

Meshino (6)

ANÁLISE TÁTICA- Boavista FC

A equipa comandada por Vasco Seabra defendeu num 4-4-2 muito bem definido, arrastando Yusupha e Angel Gomes como os principais jogadores na pressão da primeira fase de construção da equipa vilacondense. Show e Javi García, foram, por outro lado, fulcrais no encurtamento do espaço entre linhas, dificultando o acesso de Geraldes e Diego Lopes a zonas mais intermediárias.  Por outro lado, a responsabilidade de «tapar» Gelson Dala foi direcionada aos centrais axadrezados, que tiveram em contante alerta com as movimentações do avançado angolano. Ofensivamente, foi essencialmente através de transições rápidas que a equipa forasteira procurava «assustar» o Rio Ave, sendo que a entrada de Elis proporcionou maior dimensão física a estas transições.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Léo Jardim (7)

Cannon (7)

Rami (5)

Chidozie (6)

Show (6)

Javi Garcia (6)

Sauer (6)

Angel Gomes (5)

Yusupha (5)

Hamache (6)

Paulinho (6)

SUBS UTILIZADOS

Devenish (6)

Elis (6)

Nuno Santos (-)

Ricardo Mangas (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Rio Ave FC

BnR: É neste momento o segundo pior ataque do campeonato, sente que falta uma referência ofensiva à equipa?

Mário Silva: Falta-nos eficácia, de resto como viram tivemos uma oportunidade clara mas o guarda redes fez uma defesa, tivemos o Filipe Augusto com uma bola ao poste, o Mané que cabeceia e saiu mal. Acho que falta eficácia e hoje o jogo, foi dominado claramente por nós. Considero o empate injusto.

Boavista FC

BnR: Falou na antevisão ao jogo que a equipa tem estabilizado um pouco mais a organização defensiva, sendo este o segundo jogo sem sofrer qualquer golo. Que importância tem adquirido esta maior rigidez a nível defensivo?

Vasco Seabra– Sim é verdade. Para nós conseguirmos vencer de forma continuada precisamos de ser estáveis e conseguir que a equipa tenha equilíbrio defensivo, para atacar da melhor forma. É um processo que tem os seus percalços naturalmente, mas a verdade é que estancamos defensivamente nos últimos jogos. Isto faz-nos crescer com os pontos conquistados. Fomos capazes de evitar que o Rio Ave entrasse no último terço.

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