A CRÓNICA: AROUCA EM FESTA COM EXIBIÇÃO SEGURA

FC Arouca foi a Vila do Conde, ao Estádio dos Arcos, defender uma vantagem conseguida em casa, de três golos sem resposta. A tarefa do Rio Ave, este domingo, não se antevia fácil, tendo em conta toda a época que vinha a fazer, desde a participação nas pré-eliminatórias na Liga Europa a enfrentar o cenário da possível descida de divisão.

A saída de Miguel Cardoso do comando técnico dos vila-condenses foi anunciada no decorrer da semana e a equipa pareceu reagir a este momento mais negativo com mais garra do que vinha a demonstrar.

Logo no primeiro quarto de hora, houve vários cruzamentos e aproximações à grande-área arouquense com algum perigo, mas sem conseguir concretizar nenhuma das ocasiões. Mas como se o cenário já não fosse mau o suficiente, na primeira oportunidade que o Arouca cria em toda a primeira parte, consegue mesmo chegar ao golo inaugural deste jogo. Boa recuperação de Ofori no meio-campo, a dar tempo aos seus colegas de equipa para subir no terreno, e depois houve um grande passe de Pedro Moreira para Arsénio, que o deixa isolado. A bola sofre ainda um desvio em Kieszek antes de entrar, mas acaba mesmo no fundo das redes.

A sorte não estava claramente do lado do Rio Ave neste momento do jogo, no qual tanto precisavam. A primeira parte trouxe o pior cenário possível para o Rio Ave e via-se alguns rostos de desistência na formação da casa. A manutenção era quase impossível e a esperança era que a segunda parte trouxesse com ela um Rio Ave a mostrar que é equipa de primeira, para se poder despedir da melhor forma do escalão mais alto do futebol português.

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No reatar da segunda metade da partida houve uma chuva de oportunidades para ambas as equipas. Primeiro o Arouca, por intermédio de André Silva que isolado cabeceou por cima da barra, e depois foi Ronan que teve no pé direito a oportunidade de marcar o primeiro golo do Rio Ave neste play-off, mas rematou para uma boa defesa de Braga.

Neste momento, o jogo estava completamente partido com o Rio Ave apenas focado em atacar e o Arouca, com a capacidade de transição que lhe é reconhecida, a conseguir criar boas chances de golo. Os rioavistas tanto se preocuparam em marcar, que acabaram mesmo por consentir o segundo tento aos arouquenses.

Houve um grande arranque de Quaresma na esquerda, que passou por vários adversários e depois cruzou rasteiro, onde apareceu Velazquez a desviar, sem hipóteses de defesa para Kieszek. A poeira assentou depois deste segundo golo e o Rio Ave jogou completamente conformado com a descida. Houve uma espécie de tratado não verbal para que ambas as equipas deixassem apenas rolar a bola até ao apito final. Com este resultado, o Arouca está de volta à primeira liga, passados cinco anos, e conseguiu este feito com duas tremendas exibições perante um histórico militante do escalão mais alto, o Rio Ave.

No final da partida, fez-se a festa arouquense que somou a 12.ª vitória seguida, culminando na tão desejada subida, após um terceiro lugar alcançado na segunda divisão que lhes conferiu acesso a este play-off.

 

A FIGURA 

Arsénio – Se na primeira mão foi o flanco direito do Arouca que brilhou, desta foi o esquerdo, com o protagonista Arsénio. O português fez um absoluto brilharete nos Arcos. Conseguiu excelentes jogadas individuais, raramente perdeu a bola e, como se não fosse suficiente, conseguiu marcar o primeiro golo da partida.

 

 O FORA DE JOGO 

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Ineficácia do Rio Ave FC – A equipa vilacondense voltou a reforçar o principal sintoma da temporada: a ineficácia. O Rio Ave FC criou inúmeras ocasiões, principalmente na primeira meia hora de jogo, porém, seja por fracos índices emocionais, ou por incompetência no momento de definir, voltou a ficar a zeros no marcador. «Muita parra e pouca uva», já diz o ditado…

ANÁLISE TÁTICA – RIO AVE FC

A equipa (hoje) orientada por Augusto Gama alinhou num 4-2-3-1 aquando em organização defensiva, sendo que, com a substituição forçada de Filipe Augusto por Pelé, tal acentuou-se ainda mais. Dito isto, era com Pelé enquanto gatekeeper dos centrais e Tarantini sempre um pouco mais à frente na zona intermediário do campo, que o Rio Ave FC procurava equilibrar a equipa para evitar as transições arouquenses.

Ofensivamente, os homens da casa alternaram para um 3-4-3 bastante ofensivo, com Ivo Pinto a oferecer profundidade e a dupla de centrais + Sávio a suster a equipa, defensivamente. Ao intervalo esta nuance do ponto de vista do jogo posicional ofensivo ainda se tornou mais evidente, com Ronan a juntar-se a Brandão na zona mais avançada do campo, e Carlos Mané/Fábio Coentrão a variarem na extremidade direita do terreno, oferecendo tal largura no campo que ficou.

O problema, do ponto de vista ofensivo, mesmo com dinâmicas diferentes, permaneceu. Isto porque o Rio Ave FC, mesmo criando e conseguindo chegar ao último terço, manteve os problemas de sempre: finalizar. Um problema, diga-se, sintomático em toda a temporada do Rio Ave FC, que por mais que conseguisse criar ocasiões de perigo, não conseguia meter a “redonda” lá dentro.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Kieszek (5)

Aderlan Santos (5)

Nélson Monte (6)

Sávio (6)

Ivo Pinto (6)

Tarantini (6)

Filipe Augusto (-)

Fábio Coentrão (6)

Carlos Mané (5)

Jr Brandão (4)

Gelson Dala (4)

SUBS UTILIZADOS

Pelé (6)

Ronan (5)

Meshino (5)

Anderson (5)

 

ANÁLISE TÁTICA – FC AROUCA

A turma de Armando Evangelista apresentou-se num 4-3-3 (na teoria), não obstante se tenha desdobrado na maioria do tempo num 4-2-3-1, com Ofori – sempre irreverente e com uma ‘ginga’ impressionante –  vagabundo no meio campo, na procura de surpreender a defesa vilacondense. Ofori – substituto de Pité que se lesionou antes da partida – apareceu entrelinhas e foi com o seu drible criativo que potenciou o momento ofensivo da equipa forasteira. Em termos individuais, o jovem ganês foi quem se apresentou com maior figura de destaque, para além de Arsénio (autor do golo).

Compactos a defender, os forasteiros revelaram-se algo tímidos e conservadores no início da partida, tendo no momento da transição ofensiva a principal arma para tentar ferir a baliza de Kieszek. Sempre mais preocupados em não sofrer, os arouquenses iam, à medida que o tempo passava, resguardando-se e baixando cada vez mais as suas linhas. Após o primeiro tento, a equipa do Arouca serenou, e a competência nas duas vertentes do jogo foi por demais esclarecedora.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Victor Braga (6)

Thales (6)

Basso (6)

Velazquez (8)

Quaresma (7)

Leandro Silva (7)

Pedro Moreira (7)

Ofori (8)

Arsénio (8)

Bukia (6)

André Silva (6)

SUBS UTILIZADOS

Adilio (5)

Joel (6)

Caballero (5)

Brunão (6)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA 

 

Rio Ave FC

Bola na Rede: Boa noite, o Rio Ave FC fez cinco alterações em relação ao último jogo. Gostaria de lhe perguntar o que se pretendeu de diferente, principalmente no que às dinâmicas diz respeito.

Diretor Rio Ave FC (André Vilas Boas): O mister Gama pretendeu uma equipa com os jogadores mais crentes, mais frescos.

FC Arouca

Bola na Rede: Boa noite mister, dois jogos, cinco golos marcados, zero sofridos. Esperava um playoff tão dominante?

Armando Evangelista: Os números refletem isso, mas parece-me que não foi um playoff tão fácil como os números fazem querer. O Rio Ave foi um digno vencido e o Arouca preparou-se muito bem. Aproveito para deixar uma mensagem de apoio ao Rio Ave, porque é um momento difícil na sua história.

Rescaldo de opinião redigido por Diogo Silva e João Filipe Brandão

Foto de Capa: Liga Portugal

Artigo revisto por Joana Mendes

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