O abafado ambiente na casa do engenheiro | Bétis x Braga

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Europa League, 2.ª mão dos quartos de final. Quinta, 16 de Abril, 20h.

A ANTEVISÃO: OS DO BÉTIS TENTAM ULTRAPASSAR MÁ FASE, ARSENALISTAS COM FOCO TOTAL

Há 23 anos, o Porto vencia o Celtic para conquistar a sua primeira Taça UEFA no mesmo La Cartuja onde o Braga disputa a sua temporada. Com o habitual quarto posto nacional já praticamente assegurado, resta ao projecto arsenalista a glória europeia para tornar positiva a estreia de Carlos Vicens.

A juntar a esse reforço simbólico, o lembrete de que a primeira e única vez que o Braga alcançou uma meia-final europeia faz já 15 anos, o que parece pouco para tanta consistência do projecto encabeçado por António Salvador; Para dar passo em frente e repetir o feito, bastará ao Braga aguentar a pressão de mais de sessenta mil eufóricos – porque do outro lado, na Andaluzia verde e branca, nunca se viu o clube chegar tão longe na segunda competição continental.

É declarado o sonho de conquistar o troféu do qual os eternos rivais da cidade são reis e senhores. E se, com isso, se validar e coroar o projecto de Pellegrini com uma qualificação para a Champions, atalhando a inalcançável luta via campeonato, tanto melhor.  

Paradoxalmente, nunca o ‘Ingeniero’ chileno esteve em posição tão frágil ao comando do Bétis. Chegado em 2020/21, conseguiu sempre top7 na La Liga, o que significa classificações europeias sucessivas – e se deu ao clube essa estabilidade competitiva, materializou-a com uma Copa do Rey ou a final da Liga Conferência do ano passado. Só que agora, mesmo sendo 5º lugar da tabela interna, não ganha para o campeonato há sete jogos. Depois do empate na Pedreira, o Bétis foi a Pamplona dividir pontos com o Osasuna (1-1).

«As equipas ‘europeias’ acabam por pagar a factura na La Liga. Os futebolistas têm a mente no Braga inevitavelmente, por muito que tenhamos insistido que o prioritário era o Osasuna. Tentámos mudar algumas coisas, mas não é uma questão física, antes de exigência mental»

E, por isso, quando confrontado com um possível descontentamento dum certo grupo de adeptos mais exigentes, o mestre relativiza: nada está ainda ganho ou perdido, e é importante valorizar o caminho percorrido.

«Penso que os adeptos estão contentes, senão não teríamos as 62 ou 63 mil pessoas que amanhã vã estar no estádio. Estamos a lutar pela qualificação para as meias-finais da Liga Europa e não há nenhum bético descontente, muito menos na outra competição em que estamos no quinto lugar.»

E corrigindo-o, dá-se o número para que as previsões apontam – 66 mil. Quase quase o recorde desta época, fixado na recepção ao Sevilha (que ultrapassou os 67). Não faltará calor humano no meio duma Andaluzia onde já se sentem temperaturas de 30 graus. Ao natural entusiasmo da ocasião, historicamente ainda mais significativa para béticos que arsenalistas, contribuem também as novidades na preparação: depois de Lo Celso, ainda que não tenha sido inscrito para a fase a eliminar da UEFA, ter voltado a competir no fim-de-semana, Isco também já participou nos treinos e está convocado. Os dois, essenciais no sistema de Pellegrini, permitem o alívio de responsabilidades tanto a Fornals como a Antony, as estrelas em sobrecarga física nas últimas semanas – o brasileiro, lembre-se, está a contas com complicações na púbis, saindo ao intervalo nas duas últimas jornadas internas e ficando no banco em Braga.

Do lado nacional, Vicens rodou sete elementos na recepção ao Arouca e indisponíveis só os três já conhecidos (Niakaté, Diego Rodrigues e Barisic). Portanto dúvidas só no eixo da rectaguarda: entra Vítor Carvalho, regressado de dois meses e meio de lesão precisamente contra o Arouca, ou Paulo Oliveira? Contra a tendenciosa preferência do treinador em relação ao primeiro pesará o argumento da experiência do segundo na decisão final. E se lá atrás há essa dor de cabeça para resolver, que dizer da presença de Zalazar no treino de véspera? Estará pronta a estrela da companhia? Se não, reforçar a intermediária ou introduzir Fran Navarro?

10 DADOS RÁPIDOS

  1. Nesta temporada, os andaluzes só perderam quatro dos 22 jogos realizados com o estatuto de visitado. Na Europa, só o Nottingham Forest saiu de Sevilha sem a derrota.
  2. Na recepção a portugueses, o Bétis só consentiu ultrapassagem ao Benfica de Eriksson, em 1982-83 (1-2). De resto, venceu o Vitória vimarenense duas vezes e o registo contra portugueses, em termos absolutos, é positivo, com apenas duas derrotas em sete jogos.
  3. Acontece que a equipa de Pellegrini vem atravessando fase nunca vista no reinado chileno, com apenas uma vitória nos últimos dez jogos. Não ganha para a La Liga desde 1 de Fevereiro e não vence em casa nesse contexto desde aí (quatro empates consecutivos)
  4. Os Béticos fizeram exactamente o mesmo score que o FC Porto na Fase de Liga (cinco vitórias, dois empates, uma derrota, 13-7 em golos), sendo os responsáveis pela única derrota do Lyon de Paulo Fonseca, que caiu no La Cartuja.
  5. Porém, foi com o factor casa que o Bétis registou os dois piores resultados (0-5 frente ao Atlético e 3-5 frente ao Barcelona) da temporada.
  6. Em termos individuais, quem são os intocáveis para Pellegrini? Fornals (44 presenças, 3194 minutos), Nathan (39, 3292’) e Aitor Ruibal (39, 2514’).
  7. E quem são os atiradores de serviço? Cucho Ramírez (12 golos em 33 jogos) e Antony (12 golos em 39 jogos).
  8. E que tal o Sporting de Braga contra espanhóis? São seis jogos, com apenas duas vitórias – mas uma delas exactamente em Sevilha, na casa do rival do Bétis (o histórico 3-4 em 2010/11, com hat-trick de Lima)…
  9. Com David Massa a ajuizar, o registo nacional solda-se nas 10 vitórias em 18 jogos (o mais recente, o 4-2 ao Real Madrid na Luz): e para o Braga são duas vitórias em três encontros – uma delas nos Quartos da Liga Europa, o 1-0 ao Rangers de 21/22
  10. Já o Bétis não sorri a olhar para o registo espanhol – apenas três vitórias em 15 jogos sob apito do italiano, com três derrotas nos quatro jogos de 25/26!

JOGADORES A TER EM CONTA

Abde Ezzalzouli Gorby Baptiste
Fonte: Paulo Ladeira/Bola na Rede

Ezzalzouli – Fornals é quem regista mais passes no último terço (580), mais cruzamentos (59) ou passes progressivos (14); Antony, além de ser quem mais remata enquadrado (28, daí o estatuto de goleador máximo), é quem mais progride em transporte, pelo número de conduções (203, mais de dois quilómetros conquistados) e quem mais oportunidades cria dessa forma (16). Só que, em Pamplona, quem rubricou exibição de encher o olho, assumindo sozinho as despesas ofensivas do conjunto andaluz, foi o marroquino de 24 anos. Lutou, fintou e rematou sempre com pertinência, incomodando sobremaneira a plateia que já o aplaudiu e quase foi obrigada a fazê-lo novamente. Num El Sadar que já foi seu, Ezzalzouli foi o joker que a equipa precisava para se manter à tona, mostrando o ímpeto físico que vai faltando a muitos dos colegas.

Fonte: Paulo Ladeira/Bola na Rede

Pau Víctor – Era suposto ter ficado a descansar no fim-de-semana, mas a equipa, apesar das garantias de Carlos Vicens, tão distraída estava com as preocupações europeias que precisou dele para ultrapassar o Arouca. Aqueceu, entrou e três minutos depois apontou o golo que resolvia a questão, o 12.º da temporada. Sendo difícil não estar motivado para um jogo desta envergadura, Pau Víctor será o gverreiro mais entusiasmado para a peleja – querendo, certamente, mostrar aos conterrâneos o quão evoluiu em Braga…

XI´s PROVÁVEIS

Bétis: Pau Lopez; Bellerín, Bartra, Nathan e Ricardo Rodríguez; Amrabat, Altimira e Fornals; Antony e Ezzalzouli; Cucho Hernández

Treinador: Manuel Pellegrini

«Toda a gente quer ganhar todos os jogos, mas nem sempre é possível, muito menos quando jogas quintas e domingos. Amanhã queremos qualificar-nos diante do nosso público e penso que não haverá nenhum adepto com pessimismo ou falta de confiança pelo que tem feito a equipa».

Braga: Hornicek; Lagerbielke, Vítor Carvalho e Arrey-Mbi; Victor Gómez, Gorby, João Moutinho, Grillitsch e Lelo; Ricardo Horta e Pau Víctor

Treinador: Carlos Vicens

«Vamos jogar para tentar ter ocasiões de golo. O Bétis terá a mesma ambição que nós de passar, terão de marcar golos. Espero um jogo de momentos, uns em que eles se imponham e teremos de ser equipa, competitivos, agressivos na maneira de pressionar, e defender na nossa área, e outros em que, e tentaremos que sejam o máximo possível, possamos impor-nos e aproximar da área e gerar oportunidades e que o acerto seja elevado».

PREVISÃO DE RESULTADO: Bétis 1-2 Braga

Pedro Cantoneiro
Pedro Cantoneirohttp://www.bolanarede.pt
Adepto da discussão futebolística pós-refeição e da cultura de esplanada, de opinião que o futebol é a arte suprema.

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