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A CRÓNICA: EMPATE NA PARTE DE CIMA DA TABELA

Domingo de manhã e “jogo de bola” entre duas das equipas com melhores resultados na Segunda Liga. No no fim de semana anterior, Rio Ave FC e FC Penafiel tinham garantido a passagem à próxima eliminatória da Taça de Portugal, mas com diferentes níveis de brilhantismo.

Era evidente o favorito para o jogo no Municipal 25 de abril. O Rio Ave (muito representado nas bancadas de Penafiel), depois de uma incrível goleada ao primodivisionário Boavista FC, aparecia muito motivado no Vale do Sousa, uma vez que, em caso de vitória, lideraria a Segunda Liga à condição.

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Apesar de bem-intencionado, o Penafiel foi muito “macio” logo aos cinco minutos. Balanceados para a frente, os durienses permitiram que uma reposição de bola do guardião vila-condense Jhonatan abrisse caminho para um remate colocadíssimo de Joca, que pôs o Rio Ave FC na frente do resultado, ainda enquanto o jogo não tinha uma tendência clara.

Nos momentos que se seguiram à desvantagem, o FC Penafiel foi tentando reagir com bola, mas sempre se sentiu que o 2-0 estivesse sempre mais perto do que do 1-1. A qualidade individual da linha defensiva do Rio Ave foi sempre fazendo a diferença e, mais do que isso, sempre que passava para o meio-campo ofensivo era mais empreendedor do que o adversário.

A eficácia vila-condense foi fundamental para a construção da vantagem, mas não se podia fingir que o Rio Ave não era uma equipa muito mais madura em campo (pelo menos até cerca dos 25/30 minutos). Na segunda metade da primeira parte, o FC Penafiel melhorou e conseguiu incomodar Jhonatan. Com Zé Valente aos comandos no meio-campo, Ruca conseguiu, aos 27 minutos, ganhar espaço na esquerda e um desvio subtil de Roberto, à ponta-de-lança, obrigou Jhonatan a defesa atenta.

Esse lance galvanizou os durienses que conseguiram partir para uma exibição mais fluída até ao intervalo. Cabia aos comandados de Pedro Ribeiro assumirem as despesas do jogo, até porque as soluções no banco não eram muitas (dadas as ausências, o FC Penafiel só conseguiu convocar seis suplentes) e urgia a necessidade de marcar.

No fundo, em campo, percebia-se a superioridade do Rio Ave FC na qualidade individual, percebia-se que o FC Penafiel tinha condições para discutir o resultado, mas também se percebia que um eventual segundo golo dos jogadores de Luís Freire mataria o jogo (Pedro Ribeiro ficaria muito limitado na capacidade de resposta).

O intervalo chegou e, apesar de uma eventual superioridade “estatística” do FC Penafiel, a vantagem do Rio Ave justificava-se. Tendo-se apanhado a vencer cedo, os vila-condenses foram conseguindo, sem grandes problemas, controlar o jogo. Cabia a Pedro Ribeiro a palavra para a segunda parte.

Ainda que sem alterações, o Penafiel apareceu um pouco mais seguro de si próprio na segunda parte. O experiente ponta-de-lança Roberto começou a ser mais solicitado por Feliz e por Robinho. Ainda muito cedo na segunda parte, sentia-se que o Rio Ave começava a perder o controlo do jogo.

Foram correndo os primeiros 15 minutos da segunda parte e, ainda que não conseguisse assediar a baliza adversária, assistia-se, isso sim, a um assédio do FC Penafiel à área do Rio Ave com constantes aproximações. Aproximava-se o momento de os treinadores mexerem com o jogo. Havia alguma expectativa para se perceber se seria Pedro Ribeiro a tentar aproveitar o momento para juntar um avançado a Roberto ou se Luís Freire optaria por colocar mais um médio, para ter mais bola. O que parecia certo é que um treinador responderia ao outro.

Foi Pedro Ribeiro a dar sinais à equipa de que ainda era possível lutar pelo jogo. O extremo Feliz deu lugar ao ponta-de-lança Ronaldo Tavares e o Penafiel passou a ter dois “tanques” na frente para aproveitar um jogo mais direto da equipa. Aos 67 minutos, sentiu-se verdadeiramente que podia ter chegado para a equipa da casa. Depois de um cruzamento da direita, Roberto foi ao segunda andar e, numa grande execução de cabeça, obrigou Jhonatan a grande defesa.

Já depois de Luís Freire ter refrescado a frente de ataque, Pedro Ribeiro apostou tudo e foi recompensado. Edi Semedo foi lançado para o lugar de Vitinha (estreia competente), Robinho recuou para lateral e foi precisamente de um cruzamento da direita que surgiu a igualdade, com uma finalização “à ponta-de-lança” de Roberto, que coroou uma exibição de bom nível e de muito trabalho.

Faltavam sensivelmente 15 minutos para o final da partida e tudo podia acontecer. Depois de uma primeira parte muito competente, era justo dizer que o Rio Ave se pôs a jeito na segunda parte e que, muito também por mérito de Pedro Ribeiro, o FC Penafiel mereceu o empate. Pouco tempo depois do golo, um susto enorme para os durienses com um atraso muito arriscado de Ruca que obrigou Caio Secco a resolver com dificuldade.

Os últimos minutos foram jogados muito mais com o coração do que com a cabeça. Apesar de terem feito acreditar o Municipal 25 de abril até ao fim na conquista dos três pontos, os durienses não foram capazes de chegar a uma vantagem que, pelo que fizeram na segunda parte, mereciam. Na verdade, um pouco “à italiana”, quem esteve mais perto de marcar foi o Rio Ave. Já na compensação, Yakubu Aziz não conseguiu finalizar da melhor forma um cruzamento muito bem medido de Gabrielzinho. Seria um lance em que a qualidade individual faria a diferença, mas seria, igualmente um castigo pesadíssimo para quem demonstrou mais qualidade coletiva durante mais tempo.

 

A FIGURA

Roberto – Quem sabe não esquece e Roberto mostrou que ainda sabe. Com um passado ligado à Primeira Liga, o ponta-de-lança conseguiu juntar qualidade à capacidade de trabalho e coroou uma boa exibição com um golo pleno de oportunidade.

 

O FORA DE JOGO

Luís Freire – Se a primeira parte esteve controlada, o treinador do Rio Ave não conseguiu responder à adversidade na segunda etapa e viu o Penafiel ser constantemente mais ofensivo do que a sua equipa.

 

ANÁLISE TÁTICA – FC PENAFIEL

Privado dos laterais habitualmente titulares, Pedro Ribeiro protegeu-se e, em vez de aparecer no habitual 3-4-3, o Penafiel apresentou-se em 4-3-3. Capela, habitual defesa central, foi trinco e conseguiu “varrer” muito do jogo ofensivo do Rio Ave, o que permitiu a Zé Valente fazer uma boa exibição. A equipa foi sempre muito solidária.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Caio Secco (6)

Vitinha (6)

Lucas (5)

Silvério (6)

Ruca (6)

Zé Valente (6)

Capela (7)

Amorim (6)

Roberto (7)

Feliz (5)

Robinho (6)

SUBS UTILIZADOS

Leandro (-)

Ronaldo Tavares (7)

Edi Semedo (6)

Pedro Prazeres (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – RIO AVE FC

Montado no habitual 4-4-2, com Zé Manuel a aparecer nas costas de Pedro Mendes. Guga e Vítor Gomes tentaram dominar a luta de meio-campo, mas Vítor Gomes não esteve ao nível a que já conseguiu estar esta época. Costinha e Amaral deram profundidade ao Rio Ave, mas os extremos (Joca aparecia mais por dentro e Gabrielzinho procurava mais a largura) também não estiveram num dia particularmente inspirado, não contando com o golaço de Joca.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Jhonatan (6)

Costinha (5)

Aderllan (6)

Hugo Gomes (5)

Pedro Amaral (5)

Joca (6)

Guga (6)

Vítor Gomes (5)

Gabrielzinho (5)

Zé Manuel (5)

Pedro Mendes (4)

SUBS UTILIZADOS

Yakubu Aziz (4)

Fábio Ronaldo (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

FC Penafiel

BnR: Com tantas limitações (apenas 6 jogadores no banco), deu-lhe algum “gozo especial” discutir o jogo como conseguiu discutir, num empate que, a cair para o Penafiel teria, para mim, “dedo de treinador”?

Pedro Ribeiro: O treinador só está bem quando a equipa ganha. Os clubes, as equipas e os treinadores não vivem de vitórias morais. Não nos sentimos inferiores a ninguém. Estou com a azia normal de quem não ganhou, porque merecemos. O Rio Ave é uma equipa I Liga: eu estranhei e toda a gente estranhou a descida do Rio Ave, mas não é o facto de não termos 20 jogadores na ficha de jogo que nos faz sentir inferiores. Nós costumamos dizer que não somos 11, nem 17 nem 20. Somos todos. Com todo o respeito pelo Rio Ave, nós não fomos melhores, fomos muito melhores.

 

Rio Ave FC

BnR: Se sentiu, na segunda parte, que estava a perder o controlo do jogo, não lhe passou pela cabeça tentar “unir” mais o meio-campo com a entrada do Rúben Gonçalves?

Luís Freire: O jogo defensivamente esteve controlado e foi um jogo muito equilibrado. Se nós tínhamos bola, o Penafiel criava perigo em contra-ataque e o oposto também acontecia, mas o Penafiel teve mais bola. As equipas foram tendo ascendente em momentos diferentes do jogo. Nunca quis abdicar de tentar ganhar o jogo. Os jogos na II Liga fora são sempre complicados, para qualquer equipa que jogue fora.

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