A tarde já estava fria, mas João Correia encarregou-se de a gelar. Um golo no último lance decidiu um jogo nem sempre bem jogado, com superioridade minhota principalmente na segunda parte.

O Arouca entrava em campo de olhos na subida, podendo isolar-se no segundo posto em caso de vitória. Já os vimaranenses queriam dar seguimento a uma enorme segunda volta e escalar mais umas posições na tabela.

O jogo começou com a equipa da casa mais atrevida e podia ter inaugurado o marcador numa dupla-oportunidade de Roberto: primeiro foi Sakho que lhe tirou o pão da boca quando se preparava para encostar ao segundo poste e, no seguimento da jogada, rematou de bicicleta (qual Ronaldo qual quê) com a bola a embater no poste.

Depois dos primeiros dez minutos – que foram o melhor período dos comandados de Miguel Leal no jogo -, começou o festival de golos desperdiçados de Estupiñan: aos 11’, na cara de Bracali, atirou por cima e aos 28’, numa desatenção dos arouquenses, atirou novamente por alto. Roberto não lhe queria ficar atrás e continuava a desperdiçar, num cabeceamento à figura. Até ao intervalo, nota para um remate de Deyvison para as nuvens quando estava em boa posição e para uma jogada acutilante de Bruno Alves, que foi travada pelo guardião contrário.

Ao intervalo, o equilíbrio era nota dominante, com um Arouca ligeiramente mais perigoso.

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Festa vitoriana pelo golo no último lance

No entanto, o Arouca quase não se viu na segunda parte, tendo os comandados de Vítor Campelos dominado e gerido os tempos de jogo a seu bel-prazer. Estupiñan continuava a desperdiçar oportunidades, destacando-se a mais clamorosa de todas: rouba a bola a um defesa arouquense, corre meio campo isolado e no cara-a-cara com Bracali permite a defesa ao brasileiro.

As oportunidades vitorianas sucediam-se e na sequência de um canto, Dênis rematou para grande estirada de Bracali. Aos 65’, foi a vez de Artur Abreu rematar, com a bola a embater no poste esquerdo da baliza arouquense. Mais perto do final, foi novamente Dênis, desta vez de cabeça, a ficar perto do golo.

Com o cronómetro a aproximar-se dos noventa minutos, o Arouca ia despejando bolas na frente sempre com mais coração do que cabeça. Foi aproveitando esse balanceamento ofensivo que os “bês” vitorianos chegaram ao golo: João Correia é lançado em velocidade, Bracali sai da área procurando cortar a bola, mas o avançado chegou primeiro e colocou-a por cima do guardião, entrando na baliza deserta para gáudio dos vitorianos. Não se jogou nem mais um segundo, já que Helder Malheiro soou o apito final ainda com todo o banco vimaranense em campo, a festejar o tento.

Pode considerar-se uma vitória justa da equipa mais madura em campo. A segunda parte dos arouquenses foi muito frouxa, com a ansiedade e a pressão de vencer para não comprometer a luta pela subida a não permitir jogar tranquilamente o seu futebol. Já o Vitória, com muitos elementos que já atuaram na equipa A, teve maioritariamente o controlo das operações, demonstrando-se muito calma e madura, sendo a equipa em melhor fase nesta Segunda Liga.