A CRÓNICA UM PONTO SABOROSO PARA O COVA, UM PONTO AMARGO PARA O PENAFIEL

Com a 29.ª jornada da Segunda Liga já em andamento, o primeiro duelo da tarde deste domingo contou com as forças do FC Penafiel e do CD Cova da Piedade em confronto.

Pese embora a tabela classificativa não corrobore o momento de forma das duas equipas, o Cova da Piedade chegava ao Municipal 25 de Abril com sete pontos conquistados em nove possíveis – desde que Miguel Leal assumiu o cargo -.  Já o Penafiel, estabilizado na oitava posição e com mais sete pontos do que o seu adversário, não conhecia o sabor da vitória há cinco jogos consecutivos.

As equipas encaixaram rapidamente, fruto também de uma disposição tática semelhante. A explicação para os raros desequilíbrios pode partir daí, no entanto, o 4x4x2 padrão das duas equipas foi sofrendo mutações de forma a ultrapassar a organização do oponente.

Entre aproximações tímidas de ambos os lados da barricada, foram os pupilos de Miguel Leal os primeiros a traduzir a ameaça em algo factual. João Vieira apontou o seu décimo golo da época à passagem do minuto 25, colocando os forasteiros no caminho dos pontos.

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O equilíbrio pautou a maior nota sobre o encontro, mas a expulsão de Alex Freitas, em cima do intervalo, veio trazer novos ingredientes à partida. O Cova da Piedade viu-se obrigado a recuar e sofreu o golo do empate no pior momento possível: logo a abrir a segunda parte e com a assinatura de Capela, depois da marcação de um pontapé de canto.

Com grande nota artística, o Penafiel colocou-se na frente do marcador depois de uma enorme jogada coletiva, finalizada pelo recém-entrado Wagner. No espaço de 10 minutos, o Penafiel virou o encontro e viu-se numa posição confortável da partida, isto até à expulsão de Rui Pedro.

Em igualdade numérica novamente, a formação caseira sofreu do mesmo mal dos seus oponentes, perdendo a capacidade emocional para gerir a partida nos momentos após a expulsão do atacante português. Os visitantes chegaram ao empate por intermédio de Oliveira, a cara de uma excelente jogada de ataque dos sulistas.

Seguiram-se 20 minutos de emoções fortes, com o Cova da Piedade a acreditar e com o Penafiel, numa única ocasião, pertíssimo de acabar com a seca de jogos sem vencer. Da marca de grande penalidade, as intenções de vitória de Wagner e dos seus companheiros acabaram nas mãos de Adriano.

Um ponto para cada lado após um empate a duas bolas. Miguel Leal e o seu Cova da Piedade somaram mais um ponto na luta pela permanência, estando à condição cinco pontos acima da linha de água. O Penafiel continua sem saber o que é vencer há mais de um mês, sendo sétimo classificado ao fim de 29 jornadas disputadas.

 

A FIGURA

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Adriano Facchini – Não teve muito trabalho, é certo. Nos momentos de maior aperto, somou ações interessantes, mas o facto de ter defendido o penalti de Wagner no final da partida catapulta-o para uma posição de destaque.

Com uma palmada, segurou uma série tremendamente positiva da sua equipa na luta pela manutenção. O Cova da Piedade soma 8 pontos em 12 possíveis, respira cada vez melhor e, desta vez, bem pode agradecer o ponto ao experiente guarda-redes brasileiro.

O FORA DE JOGO

Expulsões – Hipotecaram a estratégia de ambos os treinadores. Alex Freitas e Rui Pedro destacaram-se pela negativa. As equipas, como seria de esperar, ressentiram-se em desvantagem numérica e em muito podem culpabilizar as atitudes mal calculadas dos seus jogadores num resultado comum: momentos de aperto no jogo, golos sofridos e incapacidade para pôr em prática os planos trabalhados em laboratório.

 

ANÁLISE TÁTICA – FC PENAFIEL

A estrutura penafidelense para este desafio contemplou um 4x4x2. Apesar da ausência de Bruno César, Pedro Ribeiro montou um sistema ofensivo de elevado gabarito: Ronaldo Tavares e Pedro Soares, auxiliados por Robinho e Rui Pedro a jogar a partir das alas.

É verdade que no papel impunha respeito, mas a formação ressentiu-se das dificuldades conhecidas em momentos de aflição, como por exemplo na transição defensiva e no controlo da profundidade. Apesar disso, o Cova da Piedade não foi extremamente eficaz a explorar essas debilidades, criando perigo sobretudo a partir de cruzamentos teleguiados.

Pedro Ribeiro, sempre interventivo na partida, reagiu logo ao intervalo depois de se ver em superioridade numérica. Sem uma superioridade animalesca, a equipa viu-se em vantagem e com o controlo do desafio até à expulsão de Rui Pedro. Sobrou um jogo ditado a um ritmo lento e com alguns calafrios impulsionados por uma equipa forasteira acabada de empatar a partida e com a pretensão de vencer o encontro.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Luís Ribeiro (4)

Paulo Ribeiro (4)

Capela (4)

Denis (-)

Franco (4)

João Amorim (5)

Robinho (4)

Coronas (5)

Rui Pedro (3)

Ronaldo (5)

Pedro Soares (3)

SUBS UTILIZADOS

Vini (4)

Gustavo Henrique (5)

Wagner (5)

Mateus (-)

Leandro (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – CD COVA DA PIEDADE

O desenho tático que Miguel Leal preparou no seu regresso a Penafiel consistiu num 4x4x2, sem fugir muito às dinâmicas apresentadas dentro do bom momento em que os de Almada chegavam a esta partida. Uma equipa sólida, organizada e que raramente concedeu tempo e espaço para o Penafiel colocar em prática o seu ideal ofensivo. Em contrapartida, teve rasgos de competência no momento do ataque rápido, não realizando uma exibição por aí além, claramente influenciada pela expulsão de Alex Freitas ainda na primeira parte.

Sobrou a primazia pela estabilidade defensiva durante todo o segundo tempo, ainda com espaço para criar alguns momentos ofensivos dignos de nota. Essa ambição esbarrou com a rápida situação de desvantagem em que a equipa se encontrou. Apesar da notável eficácia do Penafiel na missão de dar a volta ao resultado, fazer menção para a forma coesa e organizada com que Miguel Leal tentou chegar ao golo do empate – com sucesso e já numa situação de 10 para 10 – sempre com a norma urgente do equilíbrio no pensamento.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Adriano (5)

João Amorim (4)

João Meira (5)

Simão Jr. (5)

Filipe Maio (5)

Bruno Alves (4)

Cele (4)

Shimabuku (5)

Alex Freitas (3)

Hugo Firmino (5)

SUBS UTILIZADOS

João Vieira (6)

Arnold (4)

Oliveira (6)

Clebinho (4)

Patrão (-)

Pepo (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

FC PENAFIEL

BnR: O Penafiel não vence há mais de um mês. Pegando na questão amímica, sente que esta incapacidade para matar o borrego, digamos assim, está mais relacionada com a questão emocional do que com aspetos técnico-táticos?

Pedro Ribeiro: Sim, repare que é transversal a quase toda a época. Tudo nos tem acontecido enquanto equipa. Muitas vezes por algum demérito nosso e não tanto por mérito da equipa adversária. Há sempre mérito da equipa adversária, mas mais por situações que são muito penalizadoras. Portanto, se isto é uma questão mental? É tudo junto. Naturalmente quem está numa fase em que sente que tudo nos vai acontecendo, naturalmente que ficamos mais intranquilos no jogo, nomeadamente naquelas fases do jogo mais emocionais. Com naturalidade e com trabalho diário, com a mesma ambição e com o foco que caracteriza esta equipa, vamos voltar às vitórias.

CD COVA DA PIEDADE

BnR: O mister referiu que em igualdade numérica não tinha dúvidas de que poderia vencer o jogo. Pergunto se sai satisfeito com o resultado perante essa grande condicionante?

Miguel Leal: O jogo tem 90 minutos e mediante o que se foi passando durante o jogo só tenho que sair satisfeito. Não era o que eu queria, porque nós temos o objetivo da manutenção e se ganhássemos os três pontos era quase a nossa salvação. Tem a ver com o nosso momento e um ponto é melhor do que nenhum e nesta altura um ponto pode decidir a classificação e por isso tenho de estar satisfeito.

2 COMENTÁRIOS

  1. Com todo respeito, a pessoa que escreveu este artigo tem que fazer melhor o trabalho de casa, porque o Cova da Piedade jogou claramente num 4-3-3, com Firmino e Alex Freitas a extremos e João Vieira a Ponta de Lança. O Thabo Cele jogava no meio campo sendo o médio mais construtor de jogo e que chegava mais a frente, mas nunca um avançado.

    • Em determinados momentos, a equipa soltava Cele para condicionar a primeira fase de construção penafidelense (esporadicamente, Hugo Firmino atacava esse espaço e libertava um dos pivots para cobrir terreno lateral). Seja como for, a interpretação mais lógica do sistema evidenciado talvez tenha sido mesmo o 4x3x3 (Que perdurou até à expulsão), com a primeira pressão do Cele e as coberturas de Shimabuku e Bruno Alves; Ainda com Firmino e Alex nas alas e João Vieira na frente. Esses pequenos pormenores induziram a análise em erro. Obrigado pelo reparo, boa tarde!

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