Sentido! O Árbitro está aqui – Entrevista a Pedro Henriques

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No futebol, os protagonistas costumam ser impreterivelmente os mesmos. Jogadores, treinadores e dirigentes acabam sempre por mover paixões e muitas emoções por parte dos adeptos. No meio disto, existe um anti-herói: o árbitro, juiz do espetáculo, que acaba por ser o parente pobre no meio do jogo, e só lhe é dado protagonismo quando erra.

Em virtude daquilo que se tem passado no futebol português nos últimos tempos, fomos falar com Pedro Henriques. O atual comentador falou-nos da sua carreira no futebol e expôs a sua visão em relação ao estado da arbitragem em Portugal.

Bola na Rede: Pedro, foi sem dúvida alguma um dos árbitros portugueses mais marcantes do futebol nacional nos últimos anos. Como surgiu o interesse pela arbitragem?

Pedro Henriques: Fui tirar o curso de treinador e de árbitro de futebol e de futsal, em virtude de na instituição militar ter que lidar com o treino, e  com equipas e seleções de ambas as variantes e, nesse sentido, o interesse surgiu devido ao gosto pela modalidade, pela necessidade e vontade de saber mais sobre o Futebol e para, obviamente, poder desempenhar melhor as minhas funções. Assim sendo, ao tirar o curso de árbitro apaixonei-me logo pela função e, ao ser nomeado para um jogo, gostei, aliás adorei e fiquei por lá 20 anos.

BnR: Recordo que para além da carreira na arbitragem, fez carreira a nível militar. Acha que há semelhanças entre a vida militar e a arbitragem? O passado militar deu-lhe alguma vantagem quando, depois, veio a arbitrar jogos?

PH: Ser oficial do exército e ser árbitro de futebol tem coisas em comum: a adrenalina, a emoção, a gestão de pessoas e de momentos de alguma tensão, a actividade física e exigente, o rigor do treino, o espírito de missão, a motivação constante, o pouco reconhecimento público… Com todas estas coisas é fácil sermos um pouco loucos, mas muito apaixonados e envolvidos pela “tropa” e pelo “apito”.

BnR: Quais foram as suas grandes referências na arbitragem?

PH: Não tinha bem uma referência específica, tinha uma referência geral, de apreciar o futebol inglês e a forma como os árbitros interpretavam e dirigiam os jogos, daí, criei um estilo muito pessoal, de deixar jogar, privilegiar o contacto físico e de grande respeito e proximidade com os jogadores, treinadores e adeptos. Como diziam na altura, eu arbitrava à Inglesa.

BnR: Como é que se relacionava com os jogadores? Era próximo dos jogadores ou mantinha algum distanciamento?

PH: O segredo na vida está em pormo-nos no lugar dos outros quando nos relacionamos com eles. Se percebermos isto e soubermos o que significa: liderança, motivação, tomada de decisão, atitude, respeito, seres humanos, futebol e sobretudo paixão, o resultado só pode ser, para além de momentos constantes de felicidade, uma relação sistemática e permanente de excelência, neste caso concreto, com os jogadores ao mais alto nível, de forma fácil, tranquila e de enorme consideração e respeito.

Pedro Henriques foi árbitro profissional durante vários anos Fonte: Facebook Oficial de Pedro Henriques
Pedro Henriques foi árbitro profissional durante vários anos
Fonte: Facebook Oficial de Pedro Henriques

BnR: Arbitrou mais de uma centena de jogos em Portugal. Lembra-se de algum jogo em especial que lhe tenha sido mais complicado de gerir?

PH: Só guardo as recordações dos jogos que foram especiais pela positiva e que marcaram a minha carreira também de forma positiva. Destaco a minha estreia na 1º divisão em 2001-2002 no Santa Clara-Braga; a participação na final da Taça de Portugal em 2002-2003 entre FC Porto e União de Leiria; o primeiro dérbi Benfica-Sporting em 2005-2006; e o primeiro clássico entre Porto-Sporting em 2006-2007.

BnR: O que é que lhe proporcionava maior prazer em arbitrar?

PH: O prazer de arbitrar estava relacionado com o sentimento de que, para além de saber que estava a dar sempre o meu melhor, estava na modalidade que amo e a fazer uma coisa sem a qual não vivo (exercício físico de uma maneira geral e correr em particular). Depois, gosto de participar “por dentro” daquilo que eu gosto e das atividades às quais me entrego, ou seja, há os que fazem parte da história porque a ajudam a fazer e escrever, e há os outros, que apenas se limitam a contar essa história, e essa é a diferença que faz com que não perca tempo com aqueles que apenas sabem criticar e julgar.

Emanuel Melo
Emanuel Melohttp://www.bolanarede.pt
O Emanuel está no terceiro ano da licenciatura em Comunicação Social e Cultura. Vem da terra do Pauleta, das paisagens deslumbrantes e do queijo Terra Nostra. Gosta de ver a Premier League e espera um dia poder vir a ser relatador de futebol.                                                                                                                                                 O Emanuel escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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