A CRÓNICA: SEXTA VITÓRIA CONSECUTIVA GRAÇAS AO SÉTIMO GOLO DE LUCA NA LIGA

Nem mesmo a pausa de duas semanas faz parar o SL Benfica na luta para chegar ao lugar de acesso direto à Champions. Em mais uma ronda da Primeira Liga, as “águias” receberam e venceram pela margem mínima o CS Marítimo, numa partida em que a diferença poderia ter sido maior caso os homens da frente do ataque encarnado tivessem sido menos perdulários na hora de rematar.

O início de jogo não teve grandes momentos de interesse, com o SL Benfica a ter mais bola e a fazê-la circular com o intuito de abrir espaços na muralha insular, que estava a defender com toda a equipa atrás da linha da bola. Por lance corrido, estava complicado para os homens de Jorge Jesus criarem perigo ao seu adversário, pelo que foi na conversão de uma grande penalidade que foi inaugurado o marcador na Luz.

Depois de Marcelo Hermes ter cometido falta na grande área sobre Rafa, Luca Waldschmidt assumiu a responsabilidade de bater o guardião Amir e não desperdiçou a oportunidade para fazer o 1-0. O alemão fez assim o seu sexto tento na Primeira Liga.

Em desvantagem, o CS Marítimo teria forçosamente de se expor mais se quisesse sair da Luz com um resultado positivo, algo que poderia abrir mais a partida e trazer mais ocasiões de perigo.  Aos 29’, Seferovic combinou bem com Rafa e ficou na cara de Amir, só que atirou à figura do guarda-redes. No minuto 34, Waldschmidt apareceu isolado e tentou contornar o número 1 insular para fazer o seu bis, mas foi desarmado no momento em que ia rematar.

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A cinco minutos do descanso, foi a altura de se assistir ao primeiro remate à baliza dos visitantes – na sequência de um livre lateral, Zainadine amorteceu de cabeça ao segundo poste para Andreas Karo, que não foi capaz de bater Helton Leite, um autêntico espetador durante o primeiro tempo devido ao pouco perigo criado pela equipa madeirense.

O intervalo fez bem aos dois lados, já que o início do segundo tempo teve maior intensidade e novamente com o SL Benfica a estar perto de fazer o 2-0 numa bola parada bem trabalhada onde Otamendi fez o mais difícil ao atirar para fora, quando estava em excelente posição para marcar.

O ritmo de jogo parecia estar outra vez a baixar, mas ganhou interesse aos 63 minutos nas duas grandes áreas. Primeiro, Cláudio Winck obrigou Helton Leite a fazer uma grande defesa para manter a vantagem encarnada, após um pontapé de canto do lado esquerdo. No instante seguinte, Seferovic ficou isolado na cara de Amir que defendeu com o ponta do pé.

A partida foi-se desenrolando até ao minuto 90 com o SL Benfica a conseguir controlar o ritmo do jogo, algo que deixava pouco espaços para os visitantes ainda tentarem chegar ao empate. Mesmo assim, Jorge Correa aos 90+1’ teve o empate nos pés com um remate potente a sair ligeiramente ao lado. O último lance do encontro surgiu nos pés de Chiquinho que poderia ter dissipado quaisquer dúvidas sobre o resultado final, mas Amir voltaria a brilhar.

Vitória encarnada pela margem mínima que continua a sua senda vitoriosa e sem sofrer qualquer golo há seis partidas. O CS Marítimo só esboçou uma reação na fase final da partida, porém o esforço final não valeu de muito.

 

A FIGURA

Rafa foi a figura de destaque do SL Benfica
Fonte: Carlos Silva/ Bola na Rede

Rafa Silva – O extremo português está em bom momento de forma, e foi elemento “mais” do ataque encarnado durante a partida. Sempre ligado à corrente, procurou constantemente criar desequilíbrios na defesa insular e foi uma grande dor de cabeça para os defensores visitantes.

 

O FORA DE JOGO

Tagueu esteve em branco frente ao SL Benfica
Fonte: Carlos Silva/ Bola na Rede

Joel Tagueu – A referência ofensiva do CS Marítimo na ausência de Rodrigo Pinho esteve muito apagado durante o tempo que esteve em campo. Bastante vigiado pela dupla central do SL Benfica, o número 95 dos madeirenses não criou qualquer espaço na frente de ataque e acabou por ser substituído aos 71 minutos.

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

Em busca de chegar à sexta vitória consecutiva, o SL Benfica apresentou-se na Luz para continuar a sua senda vitoriosa com destaque para o triunfo importante em Braga na jornada anterior. Pairava no ar a dúvida se o sistema com três centrais iria manter-se, mas Jorge Jesus optou pelo 4-4-2, com a entrada de Everton Cebolinha para a ala esquerda do ataque encarnado.

As “águias” entraram motivadas para o jogo à procura de marcar logo no início, pressionando fortemente a defesa contrária, só que a boa organização do CS Marítimo impediu essa mesma pretensão encarnada. Foi aos 21’ que o conjunto encarnado conseguiu bater Amir, na conversão de uma grande penalidade por Waldschmidt. O resto do primeiro tempo foi totalmente controlado pelos homens de Jorge Jesus, só que estava a faltar maior criatividade na última zona do campo para surgirem mais oportunidades.

No início do segundo tempo, o SL Benfica até teve dois lances para aumentar a sua vantagem – Otamendi aos 53’ e Seferovic aos 62’ -, contudo a ineficácia dos dois jogadores levou a melhor e o resultado foi-se mantendo inalterado até ao final do jogo, sem grandes sobressaltos para os comandados de Jorge Jesus, que garantiram mais um triunfo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Helton Leite (6)

Diogo Gonçalves (6)

Nicolás Otamendi (6)

Lucas Veríssimo (6)

Grimaldo (6)

Julian Weigl (5)

Adel Taarabt (5)

Rafa (7)

Everton Cebolinha (4)

Luca Waldschmidt (6)

Haris Seferovic (5)

SUBS UTILIZADOS

Franco Cervi (5)

 Darwin Núñez (4)

Chiquinho (-)

Jan Vertonghen (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – CS MARÍTIMO

A lutar para sair dos lugares de descida, o CS Marítimo sabia de antemão que não teria uma missão fácil na visita à Luz. Depois da pesada derrota sofrida em casa frente ao FC Famalicão, o treinador Júlio Velázquez fez quatro mudanças no seu onze: Andreas Karo e René Santos entraram para formar com Zainadine a linha de três centrais, além da titularidade de Ali Alipour a acompanhar Joel Tagueu na frente de ataque.

Dando o controlo total ao seu adversário, os insulares limitaram-se a proteger a sua baliza durante a maioria da primeira parte, tarefa que não foi cumprida na sua plenitude devido ao golo sofrido aos 21 minutos. A precisar urgentemente de amealhar pontos para fugir da cauda da tabela, era expectável que o CS Marítimo se soltasse mais para voltar à situação de igualdade no marcador. Porém, isso não aconteceu de todo, tanto que foi preciso esperar até ao minuto 40 para ver o primeiro remate enquadrado da formação visitante.

Na segunda parte, a equipa visitante arriscou um pouco mais para tentar chegar ao golo do empate, mas esse esforço apenas se traduziu nos últimos minutos do jogo, algo que penalizou bastante o CS Marítimo que continua em posição delicada na tabela classificativa.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Amir Abedzadeh (7)

Cláudio Winck (6)

Zainadine Júnior (6)

Andreas Karo (5)

Marcelo Hermes (5)

Jean Irmer (4)

Franck Bambock (6)

René Santos (5)

Ali Alipour (4)

Edgar Costa (5)

Joel Tagueu (4)

SUBS UTILIZADOS

Pedro Pelágio (5)

Correa (5)

Milson (5)

Rafik Guitane (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

SL Benfica

BnR: O SL Benfica iniciou a partida a jogar com dois centrais, mas terminou o jogo num sistema de três centrais. O que o fez mudar a dinâmica defensiva da sua equipa, ainda para mais numa altura em que o CS Marítimo foi à procura do golo do empate de forma mais intensa nos últimos minutos?

Jorge Jesus: Optei por jogar com dois centrais e não três, por achar que o Marítimo não tinha um sistema tático de forma que pudesse fechar mais o nosso corredor central. Senti que era importante ter um jogador com caraterísticas mais ofensivas a jogar mais perto da última linha do Marítimo. Calculava que o Marítimo ia jogar em 5-4-1 nos momentos defensivos, mas jogou em 5-3-2, o que até facilitou o jogo pelo lado direito. Explorámos muito esse lado, pois reparámos que o jogador do Marítimo que fechava o nosso lado direito, nunca tinha tempo de chegar ao Diogo (Gonçalves) e foi aí que canalizámos várias jogadas e na segunda parte, foi a mesma coisa. Fiz mudanças já perto do fim do jogo, voltando assim à estrutura que usámos em Braga, pois senti que o nosso corredor central estava a quebrar com o Adel (Taarabt) mostrou sinais de fadiga e o Julian (Weigl) parecido, e o Marítimo a meter mais jogadores na frente e que nos podia surpreender, então justificava-se mudar o sistema da equipa. Isso compete ao treinador saber jogar com o jogo, foi o que fizemos e ficámos mais seguros.

CS Marítimo

Não foi possível fazer questão ao treinador do CS Marítimo, Julio Velázquez.