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Não. Gonçalo Guedes não é, neste momento, o Benfica. Os bons resultados mais recentes surgem devido ao contributo colectivo e à excelente forma de alguns jogadores. Apesar disso, o Benfica hoje é, também, muito Guedes. Porque Guedes (e o Benfica) representam inconformismo, intensidade, inteligência e uma insaciabilidade que coloca os encarnados neste momento como uma equipa consistente e a crescer de jogo para jogo. Veja-se o Paços, trouxe boas ideias, bateu-se bem, mas algumas desconcentrações foram fatais. Porque com esta fome de vencer o Benfica torna-se, por momentos, avassalador.

O fantasma de uma semana com jogo europeu decisivo e, acima de tudo, deslocação importante, mas não decisiva, ao Dragão, criou no Benfica uma certa sobranceria nos primeiros 20 minutos. É verdade que a equipa criou lances de perigo, mas o relaxamento fez com que os bons princípios do Paços viessem ao de cima. A partir dos 20 minutos, o relaxamento transformou-se em compromisso colectivo e, encabeçado por Gonçalo Guedes – os elogios não representam qualquer tipo de redundância – o Benfica tomou conta das operações. As jogadas iam-se sucedendo e o golo surgiu de uma forma natural. Cervi, sempre matreiro nos seus movimentos interiores, isolou Guedes, que, com um remate fulminante, colocou os encarnados em vantagem. O intervalo chegava num jogo em que a vertigem se tinha sobreposto quase sempre à organização.

O segundo tempo começou da mesma forma que o primeiro. Relaxamento encarnado, e o Paços a acreditar que poderia fazer um golo. Com Ricardo Valente e Ivo Rodrigues a tentarem o jogo pelas alas, eram Pedrinho (médio criativo) e Bruno Santos (lateral-direito) quem dava a profundidade e a agressividade que ia criando problemas ao Benfica.

A (quase) sempre competente organização benfiquista lá foi resolvendo os problemas e, aos poucos, Gonçalo Guedes e companhia tomaram novamente conta do jogo. O brilhantismo nem sempre estava presente, mas as jogadas em avalanche faziam adivinhar o golo. E foram dois. A gestão física não foi feita. Sinal que Rui Vitória confia demasiado nesta avalanche encarnada? Por vezes, esse foi o pecado de Jesus. Desequilibrar a equipa. Veremos se Rui Vitória não se deixa enganar pelo aparente fulgor encarnado. Com Guedes, arriscamos, pode contar.

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