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William Carvalho: até ao início desta época, um nome desconhecido de boa parte dos sportinguistas. Actualmente, um dos pilares da equipa do Sporting e, sem sombra de dúvida, um dos principais responsáveis pelo bom momento de forma que esta atravessa.

A (boa) surpresa foi grande quando, na pré-época, Leonardo Jardim fez regressar o jovem médio à casa mãe. Com serenidade, sem acusar a pressão de finalmente jogar na equipa principal do clube ao qual estava vinculado desde 2005, impressionou; à primeira vista, pelo seu porte físico. 1,87m, forte fisicamente. Dois, três jogos, no máximo, bastaram para perceber o resto.

William Carvalho transpira raça e cultura táctica. Dono de um apurado sentido de posicionamento inexistente nos restantes médios defensivos do plantel, William rapidamente roubou o lugar que se previa pertencer a Rinaudo. E fê-lo com todo o mérito e justiça. A segurança por ele transmitida é por demais evidente; parece saber que vai ganhar os lances – e quase sempre os tem ganho. Parece saber sempre o que fazer à bola depois de a recuperar – e quase sempre lhe dá o melhor destino. A meu ver, é neste aspecto que William leva anos-luz de vantagem sobre Rinaudo. O argentino, muitas vezes, quando na posse de bola, decide mal, perdendo-a. O português recupera-a e, geralmente, oferece-a a um jogador mais bem posicionado.

O médio, internacional sub-21 por Portugal, é já elemento incontornável no onze leonino, tendo sido titular nos sete jogos oficiais do Sporting; apenas foi substituído uma vez, contra o Rio Ave, um dos dois empates da equipa.

É cedo para falar de certezas, até porque a pressão excessiva e o mediatismo exagerado já destruíram muitos jogadores. É, no entanto, a altura ideal para William jogar, crescer, ajudar a equipa e preparar-se para, tal como já fez nos sub-21, assumir o meio campo defensivo da equipa A de Portugal, um dia.

O Sporting voltou a virar-se para a sua formação e encontrou mais um caso de sucesso. Independentemente do brilho desportivo que a equipa venha, ou não, a obter esta época, o clube já ganhou. Ganhou um jogador, um novo produto da formação e um activo provavelmente valioso no futuro. A equipa, os adeptos e Portugal agradecem.

Aos 21 anos, o jovem jogador leonino conquistou os adeptos sportinguistas. Que a classe não tinha prazo máximo de validade já todos sabíamos; William Carvalho veio provar que esta, a classe, também não tem idade mínima.

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