Recentemente, nas imediações do estádio José de Alvalade, o presidente do Sporting CP, Frederico Varandas, inaugurou a “Cidade Sporting”. Assistimos a uma dinamização interessante em relação ao espaço que rodeia o estádio, onde foi criada uma pista de atletismo, um campo de basquetebol e foram feitas umas pinturas bastante atrativas, que, para além de terem o nome do clube, fazem também alusão ao ano da fundação do Sporting CP.

Em primeiro lugar, vou abordar todo o lado estético da questão. São acréscimos que, de facto, ficam bem. Não parecem forçados, estão bem feitos e diria que acrescentam vida às imediações da “nossa casa”. É importante também ter em conta que, quer a pista de atletismo, quer o campo de basquetebol, isto, para além de dar palco a duas das muitas modalidades que orgulham o clube, também demonstra um pouco do enorme ecletismo do clube, que muitas vezes é esquecido face à grande afluência ao futebol.

Depois, há outra nuance que acho que é fundamental. O amor a um clube e o sentimento de pertença ao mesmo não nasce, nem cresce, quando se ganham títulos ou quando se pratica muito bem qualquer modalidade que se aprecie. Esse mesmo amor, numa fase embrionária, é criado com histórias, memórias e recordações. Nós, enquanto adeptos, não começamos a amar o clube por terem uma grande equipa ou por ganhar títulos atrás de títulos, mas sim porque nos lembramos, desde pequenos, de ir ao estádio ou de ver jogos com os nossos pais, avós, tios, etc.

Com tudo isto, quero dizer que não tenho a mínima dúvida de que a criação destes espaços irá ajudar a criar bons momentos entre miúdos e graúdos. Quantos, dos miúdos de hoje em dia, não serão sportinguistas no futuro porque jogavam basquetebol nos campos construídos ou porque faziam corridas com os amigos depois das aulas na pista de atletismo em redor do estádio? Isto, consequentemente, quer seja a curto, médio ou longo prazo, só fará crescer e fortalecer a família leonina.

Anúncio Publicitário

Por fim, o único ponto que não me parece assim tão positivo: na cerimónia realizada para apresentar estas (boas) mudanças em redor do estádio, foi dito que estava a ser inaugurada a “Cidade Sporting”. Não quero entrar em questões presidenciais, que agora parecem estar mais calmas, mas durante muitos tempos causaram muitas dores de cabeça aos sportinguistas; no entanto, acho que não foi um momento oportuno de Frederico Varandas.

Na minha opinião, esta suposta “Cidade Sporting” começou a ser criada quando foi feito o Pavilhão João Rocha perto do estádio, quando foi construída a rotunda do leão e quando foram criados aqueles campos sintéticos à frente do pavilhão e todos esses marcos foram iniciados e concluídos na era Bruno de Carvalho. Apesar de não ter sido batizada com esse nome, convenhamos que toda essa zona já era considerada uma cidade do Sporting CP, daí também o título deste artigo ser “dinamização da Cidade Sporting” e não “criação da Cidade Sporting”.

Disse, e volto a repetir, não quero que isto seja considerada como uma questão de preferência de presidente ou de escolher um lado, porque este artigo não tem, nem de perto nem de longe, o objetivo de dividir o clube, só de analisar toda esta cidade Sporting CP e a cerimónia que ocorreu, daí ter referido que as palavras de Frederico Varandas, a vangloriar-se de algo que já tinha muita coisa feita, não me “caíram bem”.

Em suma, apenas relembrar que é uma obra que ficou bonita, é esteticamente atrativa, é algo simples que acabou por dar vida a todo o redor do estádio e que, certamente, fortalecerá e dinamizará a família sportinguista e, no fim do dia, é isso o mais importante.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Comente!
Por favor introduz o teu nome