O escritor/cronista ou qualquer profissional que dirija a sua atividade ao “simples” ortografar ressente-se quando está prestes a encetar determinada redação e a temática lhe aflige como de uma paragem cardiorrespiratória se tratasse. Invade-os a sensação de as palavras estarem aprisionadas numa porta que o cérebro vê trancada a sete chaves. Até a voz se emudece. Um momento no qual uma mãe fita a cria afogar-se, num mar agitado e ora o cercam ondas impetuosas, ora o agridem esquivos sôfregos tentados em vão. E, no fim, a submersão lenta do corpo, penetrando a densidade de água e caminhando em direção ao fundo (negro) marinho. Um exemplo ilustrativo, considero eu…

Raiva, situações de confronto pessoal e o chamado “diálogo com os botões” surgem. A calma que, momentos antes, estivera com o ponteiro no índice mais elevado é reposta, a todo o custo, sob influência de questões às quais o sujeito não sabe, decifra ou induz resposta, mas mesmo assim se inquire na esperança sempre frustrada de observar o acionar da lâmpada que surge nos programas ficcionais, e, de súbito, esta irromper e iluminar a sua cabeça. Neste tipo de cenário, nem a crença conseguiria fazer das suas, porque não existem espetros de religiosidade capazes de resolver um assunto recheado do grau zero da espiritualidade.

Num primeiro momento, prometo não trespassar a irracionalidade que me caracteriza para o lado do discurso do ponto de vista da lógica. Os burros possuem palas e veem o que lhes convém ver, os adeptos bradam pelas suas cores, mas estão capacitados e dotados do discernimento necessário no momento de qualquer comentário.

A contestação à direção encabeçada por Frederico Varandas não pára de crescer
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

O prólogo teve início nos anos 80, sobretudo na segunda metade da década. Fria, concisa e objetivamente, a instituição Sporting Clube de Portugal quebrou o ritmo medianamente voraz de conquista, olvidou a sua grandeza e não verificou a guarnição do respeito que outrora impunha ao adversário.

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Desde João Rocha que a atmosfera, com o urgir do tempo, vê o seu ar mais espesso, mais pesado, mais tórrido. A combustão, em pés de veludo, pé ante pé sobre uma corda bamba e em situação de perigo iminente, caminha e vai descortinando um horizonte favorável à sua prática. E, polémicas e opiniões obsoletas à parte, o mais perto que o clube esteve de uma sensação gloriosa e verdadeiramente indicadora do que é fazer parte da savana onde habita o rei da selva foi sob a presidência de Bruno de Carvalho.

A atualidade desportiva é sinalizada da mesma maneira há, pelo menos, 30 anos. Daí para cá, que estratégias foram delineadas e que estruturas se construíram para ser efetuada a marcha rítmica juntamente de SL Benfica e FC Porto? Por que motivo se desprezou e abandonou a salvaguarda da formação que, em pleno 2020, é a principal fonte de alimento dos rivais crónicos? Qual o verdadeiro propósito de temporada sim, temporada sim, se recitar um discurso no qual é exposto, de forma ignorante e anedótica, que o Sporting é candidato a uma, duas ou três das competições em que se insere? O departamento de scouting, no momento das contratações ditas cirúrgicas, está de cara virada para o sol, com um cocktail na mão? Qual é a função específica de Hugo Viana e de Beto, o que é que eles acrescentam e que experiência têm esses dois “monstros” do futebol? E em questões financeiras, estivemos bem, estamos bem ou não estamos coisa nenhuma?

Primeiro, estou enervado porque doía menos ser burro e viver com palas nos olhos. Segundo, estou enervado porque ironizei com os nervosos de espírito, procedi da mesma forma e me questionei imensas vezes. Terceiro, estou enervado porque, se nem com fé se vai lá, imaginem sem ela…

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

Revisto por: Jorge Neves

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