UM SPORTING CP SEM “ESTOFO EUROPEU”

Na ressaca de mais uma derrota europeia sofrida pelo Sporting, desta feita com contornos de goleada, procuraram-se, como é habitual, culpados e explicações para o desaire frente ao AFC Ajax, na estreia dos leões na Liga dos Campeões. O tema já não é novo para os lados de Alvalade e deixa bem escancarada a falta de experiência a este nível. O tão falado “estofo”.

Já se sabia que o confronto frente ao campeão holandês seria difícil, por vários motivos: primeiro, a equipa de Rúben Amorim viu-se privada do capitão Sebastián Coates, devido a castigo, e de Pedro Gonçalves, melhor marcador do último campeonato, por lesão. Para além disso, Gonçalo Inácio não estava totalmente recuperado, tendo mesmo saído lesionado ainda na primeira metade. Do outro lado, estava uma equipa fortíssima, com jogadores de enorme qualidade como Gravenberch, Antony, Tadic ou Haller, e que há dois anos chegou à meia-final da prova milionária, eliminando CF Real Madrid e Juventus FC, com alguns destes jogadores.

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The first player to score four goals on his #UCL debut since Marco van Basten in 1992 ‣ #CestSébastien 👏#spoaja pic.twitter.com/pA0o32OQ4N

— AFC Ajax (@AFCAjax) September 16, 2021

O Sporting CP, por sua vez, tem um plantel jovem e inexperiente. Não são desculpas, até porque nada justifica uma goleada com tantas falhas defensivas, mas demonstra as limitações do elenco verde e branco. Para “consumo interno”, ter jogadores como Neto, Matheus Reis, Feddal, Ricardo Esgaio ou Tabata é suficiente (ou pelo menos foi na temporada passada), mas para a melhor competição de clubes do mundo será preciso algo mais, aliás, muito mais.

E é esse o centro da questão: o Sporting CP tem de se focar em ser, primeiramente, hegemónico em Portugal. Parece-nos uma utopia, mas tem de ser essa a meta. O plantel terá de dar um salto qualitativo de ano para ano, sem ficar sempre dependente da formação. Para ganhar campeonatos com frequência, são precisos também jogadores de créditos firmados e é algo que se nota muitas vezes: quando a situação “aperta”, falta um “abre-latas” como têm os rivais. A chegada de Sarabia, contudo, poderá ser um indicador da mudança deste paradigma no Sporting.

Para além da qualidade, há que incutir a mentalidade vencedora a todos os jogadores e elementos da equipa técnica do Sporting. Creio que é algo que já está a ser transmitido nos últimos largos anos, e que, naturalmente, demora tempo. Mas esse “chip” tem de ser ativado depressa. Pelo menos nos rivais assim o é. Quem chega, fica logo familiarizado com a mentalidade do clube.

⏹ FINAL DO JOGO | Os Leões perdem por 1-5, no 1.º jogo da #UCL.#SCPAJA #DiaDeSporting pic.twitter.com/jY9RrcLTHe

— Sporting Clube de Portugal 🏆 (@Sporting_CP) September 15, 2021

Falemos então do tal “estofo”, sem rodeios. Um dos rivais, o FC Porto, é o clube que mais venceu em Portugal nos últimos 30 anos. É um facto. Na Europa, conquistou duas Ligas dos Campeões, duas Taças UEFA/Ligas Europa, entre outros títulos, como a Supertaça Europeia ou a Taça Intercontinental, agora Mundial de Clubes. Creio que muita gente não tem noção da grandeza destes feitos. Numa era em que a discrepância entre os clubes “de topo” (os mais endinheirados, portanto) e os restantes é cada vez maior, o FC Porto venceu tudo. E mais: mesmo quando não ganha, batalha de igual para igual com Juventus, Chelsea FC, Club Atlético de Madrid, entre outros.

Perguntemo-nos, porquê? Porque são campeões várias vezes (não irei entrar em questões de mérito) e quando não o são, quase sempre ficam no segundo lugar, muito raramente em terceiro. Assim, disputam a Liga dos Campeões todos os anos. Rara foi a vez em que estiveram ausentes. Desde que vejo futebol, há cerca de 15 anos, portanto, que me lembro de ouvir o hino da Champions no Dragão. E quando não lá estiveram, ganharam a Liga Europa com autoridade.

⏱Final de Jogo / End of the match / Final del Partido

🔵⚪Começámos a Liga dos Campeões com um empate na casa do campeão espanhol#FCPorto #ATMFCP #UCL pic.twitter.com/m3xFIdjMHY

— FC Porto (@FCPorto) September 15, 2021

O “plano” para o Sporting CP terá de passar por fazer o mesmo. Pelo menos é o que auguro. Dominar internamente, conquistar o campeonato com maior frequência, para figurar entre os melhores clubes do mundo todos os anos e crescer com esse convívio. Os títulos, a experiência e o respeito contam muito, até porque olhariam para o clube de maneira diferente. Os acidentes de percurso continuariam a acontecer, tal como contra o Ajax, mas com o tempo a equipa ganharia calejo. Só assim poderíamos ambicionar campanhas ambiciosas nesta competição.

1 COMENTÁRIO

  1. A verdade é que ninguém no Sporting tem qualidade de nível seleção tirando Coates e, a espaços, Pedro Gonçalves. Um caminha para a reforma, o outro só se receberá 50% da venda. Sem dinheiro e com prejuízos de 33 milhões de euros… é o que há. Um título esconde muitas coisas…

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