Escolhi díficil. O fácil é de todos

Vou dedicar, pela segunda vez, o meu espaço semanal a um dos jogadores que considero mais passíveis de discussão: André Carrillo. Tantos são os que não o suportam como serão os que o consideram um talento com potencial infindável, mas quantos terão noção exacta da influência que o peruano tem nesta equipa do Sporting? Para apresentar a minha opinião recorrerei a factos. Números, portanto.

Carrillo foi titular em 14 das 25 partidas do Sporting desta época. Desses 14 jogos – em que se incluem a recepção ao Benfica e a ida ao Dragão – o Sporting só não ganhou por 4. Para ter uma ideia consistente do que estes números significam, nada melhor do que verificar os números do mesmo clube sem o extremo de início: nos 11 jogos em que Carrillo não foi titular, o Sporting deixou fugir a vitória em 5 ocasiões. Em quase 50% (!!) das vezes em que o nº 18 do Sporting não foi titular, a equipa não ganhou.

Estes números deveriam ser elucidativos e esclarecedores quanto à importância que André Carrillo tem no actual Sporting. Olhando para os últimos campeões do nosso campeonato, é fácil constactar que há sempre um desequilibrador nato em destaque: James Rodriguez, no Porto do ano passado; Hulk, nos dois anos anteriores; Di Maria, no último Benfica vitorioso; Quaresma se formos a olhar para mais longe, etc. Neste Sporting, quem tem esse papel? Wilson Eduardo é o extremo que mais vezes foi titular esta época, tendo tal estatuto por 15 vezes.

Fonte: sportingfans.pt
Fonte: sportingfans.pt

Estes são os dados objectivos sobre o que tem sido a vida dos extremos em Alvalade. Não quero com esta demonstração dizer que André Carrillo tem, actualmente, a capacidade que Hulk, Di Maria ou Quaresma tinham nos anos em que levaram as suas equipas ao título. Mas acredito piamente que é possível vir a fazer dele um extremo de qualidade semelhante. Ou não tem o peruano qualidade técnica, velocidade, criatividade, poder de aceleração e de remate para ombrear com esses grandes nomes da nossa liga?

O que lhe falta é a regularidade que lhe permita exibir em 80% das vezes em que joga (ninguém o consegue em 100% – Ronaldo e Messi não entram para estas contas) o que mostra em 30% ou 40%. Por outras palavras, falta ao Carrillo ser o Carrillo mais vezes. E não um Zé Manel que tantas vezes vai ao estádio por ele.

Mas como tornar possível essa evolução? Com 22 anos, Carrillo tem ainda tempo de sobra para ser cada vez mais focado e menos susceptível a subidas e descidas de rendimento. Quem com ele trabalha durante a semana saberá melhor responder a esta questão, mas o certo é que Carrillo tem muito mais qualidade do que qualquer outro dos extremos Sportinguistas e, tendo em conta a desinspiração dos seus colegas de posição (Mané é a excepção) e o rendimento que o peruano apresentou nos últimos dois jogos em que entrou, estará para breve o regresso do 18 às escolhas iniciais. Depois, veremos como variam as percentagens que exibi no início do artigo. Deixo o meu palpite: com Carrillo a titular, o Sporting está sempre muito mais perto de ganhar do que sem ele.

Comentários