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A verdadeira voz da turma de Alvalade

Guilherme Anastácio · 4 min

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Numa altura em que se fala cada vez mais de “politiquices” e de “senhores doutores” que julgam representar os mais de três milhões de sportinguistas pelo mundo, é fundamental definir quem é a verdadeira voz da turma de Alvalade. Ora, a #UniãoDeAço já se tornou um mote para esta época e em muito se pode agradecer à mítica Curva Sul.

Ano de 1976. O clube mais pioneiro do nosso país, o Sporting Clube de Portugal (claro está), demonstrava mais uma prova disso mesmo: desta feita, as claques. A Juventude Leonina dava os seus primeiros passos enquanto grupo de apoio organizado em Portugal. Fundada pelos filhos do “eterno presidente João Rocha”, João e Gonçalo Rocha, foi através da “Juve Leo” que o conceito das claques chegou a Portugal.

“Invadindo” desde logo a bancada Sul do velhinho estádio de Alvalade, o grupo rapidamente se tornou conhecido no país e na Europa. Sob o lema “Um dia Juve Leo, Juve Leo até morrer” e dos mais do que conhecidos “Ultras”, a claque sempre se assumiu como a principal fonte de apoio ao clube leonino.

Correndo o mundo atrás do seu amor (o Sporting), os membros da Juventude Leonina nunca hesitaram em assumir-se como tal. Presidida por Fernando Mendes, liderada por Nuno Mendes (Mustafá) e por Daniel Samico, a Juve Leo é, atualmente, muito mais do que uma mera claque: é já vista como uma empresa que serve os adeptos leoninos, como um elo de ligação ao clube, mas, acima de tudo, como uma forma de apoio àquele que é o grande amor de todos os sportinguistas – o Sporting Clube de Portugal.

Contudo, se o (injusto) preconceito dos “maluquinhos e delinquentes das claques” existe na Curva Sul, em muito se pode agradecer à Juve Leo. Assumindo o claro fanatismo pelo clube e pela claque, os simpatizantes da mesma compõem a ala mais radical dos adeptos leoninos. Conhecida por isso mesmo, pela radicalidade, a formo como apoia o clube nem sempre é a mais “simpática”. Infelizmente, as raras (!) cenas de pancadaria e as constantes mensagens de ódio são uma realidade no seio da mais antiga claque portuguesa.

Todavia, fazendo um balanço geral da claque e da sua história, facilmente afirmamos que a Juve Leo trouxe muita “coisa” positiva ao futebol português e aos seus adeptos.  Tendo sido a pioneira em Portugal, foi também utilizada como modelo de cópia para a grande maioria dos clubes em Portugal – inclusive os históricos rivais, o Sport Lisboa e Benfica com os Diabos Vermelhos (1982) e o Futebol Clube do Porto com os Dragões Azuis em 1984. A nomenclatura “Juventude” ou até mesmo o diminutivo “Juve” foram utilizados por muitas das novas claques em Portugal: por exemplo, a Juventude Bracarense – claque do Sporting Clube de Braga.

Fonte: Juventude Leonina 1976 - JUVE LEO
Fonte: Juventude Leonina 1976 – JUVE LEO

Ano de 1984 (ou 1986, se preferir). Formada em ’84 e reconhecida em ’86, a Torcida Verde passa, em muitas das ocasiões, por despercebida. Contudo, e verdade seja dita, faz sempre questão de apoiar as equipas do Sporting. Sim, equipas! E digo equipas (e não equipa) porque a Torcida sempre se destacou pelo contaste e árduo apoio às modalidades do clube. Sempre com a defesa do ecletismo bem presente na mentalidade dos seus apoiantes, é neste aspeto que os membros desta claque tornam o Sporting num “clube tão grande como os maiores da Europa”.

Nunca esquecendo a modalidade rei, o futebol claro está, a claque que conta origens brasileiras (daí o nome “Torcida”) encontra o seu habitat natural nas mais diversas modalidades do clube, com particular destaque do Andebol, do Hóquei e do Futsal. Atualmente, e com o crescimento de uma outra claque (já lá vamos), a Torcida Verde tem vindo a perder muito da sua fama e força no que diz respeito ao mediatismo no seio das claques leoninas. Porém, a claque está viva! Tem ainda muita vida e muito para dar ao clube.

Fonte: Facebook da Torcida Verde
Fonte: Facebook da Torcida Verde

Dezassete de maio de 2002. “Coerência, Honra e Fidelidade…eis a nossa mentalidade!”. Dizer esta data e este lema é o mesmo que dizer “Diretivo Ultras XXI” (DUXXI). Um bocado como um jovem na flor da idade, o Diretivo tem crescido (e de que forma!) nos últimos anos. Com apenas quinze anos, tem já cerca de cinco mil filiados. Fundada após o último título de Campeão Nacional do Sporting e após “discussões” no seio da Juventude Leonina, a claque rapidamente se deu a conhecer e rapidamente começou a marcar presença em todos os jogos de todas as equipas do clube. No futebol ou nas modalidades, em Portugal ou no estrangeiro, o Diretivo é hoje a claque mais completa, mais unida e mais unânime de todas aquelas que se definem como claques de apoio ao Sporting Clube de Portugal.

É graças a essa mentalidade bem mais equilibrada que o Diretivo tem visto a sua massa apoiante crescer a olhos vistos. Traçando uma linha completamente estável e, tal como o lema, coerente, a claque vai pescar muitos dos seus adeptos às outras claques e aos jovens que iniciam o seu percurso de apoio mais vincado ao clube.

Fonte: Facebook do Directivo Ultras XXI
Fonte: Facebook do Directivo Ultras XXI

Ora, se o Diretivo é o jovem na flor da idade, a Brigada Ultras Sporting é o bebé que está a dar os primeiros passos. Autodefinindo-se como “um grupo de amigos com paixão pelo mundo ultra e com um amor eterno ao Sporting Clube de Portugal”, a Brigada tem também já lugar cativo na Curva Sul.

Fonte: Brigada Ultras Sporting
Fonte: Brigada Ultras Sporting
Guilherme Anastácio

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