sexto violino

… e o Sporting tem uma escolha bastante importante para fazer. Não vou entrar em pormenores sobre se a equipa se está a exibir abaixo do esperado (a atacar acho que não, a defender é óbvio que sim), mas o facto é que, à 10ª jornada, ocupa o 8º lugar do campeonato. Em parte essa classificação explica-se por diferenças de critérios de arbitragem no caso de ser o Sporting ou outros clubes – de que tanto eu como outros redactores já falámos – mas também salta à vista uma nítida irregularidade exibicional. A escolha que terá de ser feita e a que comecei por aludir será, a meu ver, entre o campeonato e as competições europeias.

É notório que o Sporting tem um bom grupo de jogadores, a grande maioria jovens que têm mostrado evolução. Apesar de a equipa defender muito mal, já fez alguns dos melhores jogos que me lembro de ver do Sporting – caso das duas partidas com o Schalke e do jogo com o Porto para a Taça, por exemplo. Mas esta tem sido uma época estranha, na medida em que esses grandes jogos são intervalados por exibições inexplicavelmente pobres. Sou da opinião de que uma parte dessa irregularidade se deve à inexperiência do núcleo duro da equipa, pelo que temos de ponderar se não será melhor haver alguma rotatividade conforme as competições. E, como os Sportinguistas estão sedentos de vitórias, não há volta a dar: o campeonato terá de ser sempre a grande prioridade.

Marco Silva referiu, há uns tempos, que um dos momentos em que o Sporting se sente mais confiante é quando está a gerir uma vantagem. O problema é que, este ano, foram mais as vezes que a equipa sofreu golo e teve de correr atrás do resultado do que aquelas em que marcou cedo e geriu com calma… Olhando para os jogos disputados até agora, já houve três fases em que o Sporting podia ter dado passos importantíssimos rumo ao consolidar da sua posição na Liga, mas em que isso acabou por não acontecer.

Vejamos: nas duas primeiras jornadas do campeonato, o Sporting empatou com a Académica e venceu o Arouca de forma suada. Resultados e exibições nada brilhantes. Na ronda seguinte, o empate na Luz, mesmo não significando os 3 pontos, foi razoavelmente moralizador. Em relação às últimas épocas, esse empate representou um ponto a mais na Luz e tudo parecia bem encaminhado… mas eis que o Belenenses empata em Alvalade e obriga os leões a marcar passo. Depois disso, mais dois pontos cedidos de forma ridícula na Eslovénia, e dois jogos que deviam ter sido ganhos de forma a dar confiança à equipa transformavam-se em tempo e pontos perdidos. Pelo meio houve uma vitória gorda contra o Gil Vicente que, com todo o respeito, era uma obrigação. Depois disso, o jogo em Alvalade com o Porto: uma partida que podia ter ficado resolvida na primeira parte acabou por significar novo empate. Desta vez, ao contrário do que aconteceu na Luz, o resultado soube a derrota. Não contabilizo o confronto com o Chelsea porque esse resultado era esperado. Ainda assim, os empates com Belenenses, Maribor e Porto podiam ter facilmente significado três vitórias e foram o pior período do Sporting até agora.

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O calendário do Sporting até ao momento e os próximos jogos. A vermelho, os 3 períodos-chave
Fonte: forumscp.com

Passado esse turbulento mês de Setembro, houve um intervalo de tempo em que os leões pareceram estabilizar. Pela primeira vez ganharam dois jogos seguidos para o campeonato (Penafiel e Marítimo), e as quatro partidas disputadas nesse período só não originaram outras tantas vitórias devido à vergonha de Gelsenkirchen. Após os 4-2 com o Marítimo vinha uma prova de fogo: V. Guimarães fora. Nesta altura a evolução da equipa era nítida e, olhando para trás, quem despacha o Porto no Dragão e obriga a UEFA a inventar uma vitória do Schalke também podia perfeitamente ganhar em Guimarães. Porém, não foi o que aconteceu. Num jogo sem dúvida difícil, mas que podia significar o consumar da aproximação ao Benfica – que tinha perdido em Braga na semana anterior – a equipa simplesmente não respondeu, e voltou de novo a uma desvantagem de 6 pontos. Segunda hipótese de retoma, segunda vez que o Sporting falhou. Terá sido por os jogadores já estarem a pensar no jogo em casa com o Schalke? Gostava de dizer que não mas acredito que em parte sim, daí defender que a equipa deve ser mais rodada.

A terceira e, até ver, última vez que o Sporting desperdiçou uma oportunidade de subir a confiança da equipa – quer se queira quer não, e mesmo sabendo que o campeonato não vai ficar assim, olhar para a classificação e ver “8º lugar” afecta bastante, até porque o plantel tem qualidade – foi no jogo contra o Paços de Ferreira. Uma equipa que, pese embora os seus méritos recentes, tinha de ter sido derrotada. Contudo, o Sporting não conseguiu mais do que um empate e o número 8 tornou-se demasiado familiar, representando actualmente tanto o lugar na classificação como a distância pontual para o enfadonho mas eficaz (e já várias vezes amparado na hora H…) Benfica de Jorge Jesus.

Tem havido falta de sorte? Tem. A pouca experiência europeia da espinha dorsal da equipa tem complicado? Sim. A forma como o Sporting defende e a necessidade urgente de um central têm feito a equipa perder pontos? Sim, e de que maneira. Mas, como se costuma dizer, não vale a pena chorar sobre leite derramado. Agora, o que há a fazer é tentar potenciar a equipa ao máximo nos jogos do campeonato, porque são esses que mais interessam. A Europa é um bónus. Claro que contra o Maribor o Sporting deve apresentar a equipa mais competitiva, porque o jogo é decisivo e os jogadores vão estar frescos. Mas as próximas 3 jornadas da Liga (V. Setúbal, Boavista e Moreirense) terão obrigatoriamente de significar 9 pontos. Há que ganhar três jogos seguidos pela primeira vez e, se isso for sinónimo de ir jogar a Stamford Bridge com alguns suplentes, aceito de bom grado.

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Os erros defensivos têm-se sucedido e minado os resultados do Sporting
Imagem retirada do blog Lateral Esquerdo, que aproveito para elogiar

No que toca à Europa não vejo, como já disse, outro cenário que não seja a rotatividade por forma a preservar as hipóteses da equipa no campeonato. Há duas possibilidades: ou o Sporting consegue o apuramento – e aí, sejamos sinceros, o mais natural é fazer apenas mais dois jogos europeus – ou é relegado para a Liga Europa (não concebo a hipótese de ficar em 4º no grupo). Nesse caso, dada a irregularidade que tem marcado os resultados e exibições do Sporting, apostar em atletas com menos minutos será a melhor solução. E, de resto, não é novidade nenhuma: Jorge Jesus tem-no feito com sucesso na segunda competição continental mais importante.

Quanto à opinião de Marco Silva a que já aqui recorri, não há fórmulas mágicas e muito menos sou eu que as tenho. Mas parece-me que, para que aconteça a já falada gestão das vantagens, é necessário que o Sporting entre de forma pressionante desde o primeiro minuto, não deixando o adversário respirar até ao 1-0. É mais fácil na teoria do que na prática, bem sei. Mas o que não pode acontecer é o Sporting oferecer a primeira parte de bandeja, como este ano já fez com Belenenses, V. Guimarães (neste caso foi o jogo todo…) e P. Ferreira.

A solução passará em boa parte pela dinâmica do meio-campo, sector em que é sobretudo William Carvalho quem tem de encontrar maior regularidade nas suas exibições. Dominado o meio-campo já é meio caminho andado para uma vitória, mesmo tendo em conta que 90% das equipas em Portugal se fecham muito e que devemos ser pacientes. Esse domínio terá mais hipóteses de sucesso caso os jogadores estejam frescos. E, para isso, há evitar sobrecarregar física e psicologicamente um grupo jovem. Posto isto, há que recorrer à tal solução que me parece mais imediata: rodar a equipa. E fazê-lo, claro está, na Europa, porque aquilo que os Sportinguistas mais desejam é o campeonato. À excepção da partida com o Chelsea, os próximos cinco jogos (três do campeonato, um da taça e outro da Liga dos Campeões) são para ganhar dê por onde der.

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