a norte de alvalade

Bryan Ruiz foi finalmente confirmado como jogador do Sporting para as próximas três épocas. Tudo está bem quando acaba bem, como se costuma dizer, e a verdade é que a chegada do jogador costa-riquenho é um importante marco na mudança da filosofia seguida nos últimos dois anos para o reforço da equipa. Apenas um reforço contratado até ao momento (o guarda-redes Azbe Jug não tem esse estatuto) parece revelar uma cautela criteriosa na escolha das aquisições, contrariando assim um passado recente. Se assim se confirmar não duvido de que, à semelhança do que tantas vezes aqui afirmei, esta é a forma e o método que mais nos aproxima da possibilidade do êxito.

De onde vem Bryan Ruiz?

Provavelmente há muitos adeptos Sportinguistas que ainda se lembram do serpentear de Bryan Ruiz entre os nossos defensores, com a camisola do Twente, numa renhida pré-eliminatória para a Liga dos Campeões que acabaria por nos sorrir. Na altura augurava-se-lhe um futuro radioso que não se chegou a confirmar em plenitude. É isso que torna possível que Ruiz chegue agora até nós a um preço então improvável, mesmo sendo já um trintão (completa 30 anos a 18 de Agosto) quando vestir a nossa camisola.

Mas o jogador, que saiu da Holanda em direcção a Inglaterra à procura do sucesso e reconhecimento, custou então aos cofres do Fulham 10,6 milhões de libras, sem contudo conseguir justificar o investimento. Os 24 golos que havia marcado pelo Twente e que tinham aberto o apetite ao clube inglês depressa deram origem à decepção que redundou no empréstimo ao PSV, sem conseguir recuperar o fulgor anteriormente exibido.

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É esse o jogador que agora ingressa no Sporting. Um jogador que ficou aquém do valor potencial, com fama de lhe faltar a adequada atitude competitiva, o que o faz ser inconstante e desaparecer nos momentos decisivos. As dúvidas até se podem justificar pelo trajecto pessoal, mas creio que as suas superiores qualidades técnicas não mereceram uma correspondente gestão de carreira, acabando, como tantas vezes acontece a inúmeros jogadores, a contribuir para a respectiva penumbra. Tem agora no Sporting e nas mãos e cabeça de Jorge Jesus a possibilidade de confirmar que não tem apenas aura, é efectivamente um craque dos pés à cabeça. Isso é perfeitamente possível desde que não aterre a pensar que encontrará facilidades no nosso campeonato.

Quem é então Bryan Ruiz?

Ruiz é um jogador dotado de refinadíssima técnica individual, o que é de certo modo atípico num jogador com quase 1,90m (1,88m). Tem tudo, por isso, para se tornar um menino querido dos adeptos, a quem a sua técnica muitas vezes deliciará. É exímio no último passe, muito bom a executar bolas paradas, quer com intuito de marcar em livres directos, quer a servir os colegas. Na zona frontal à baliza, que consegue alcançar especialmente quando joga sobre a direita e flete para o centro, é letal, por via do seu pé esquerdo, que tanto é capaz de finalizar em força como em supless. Tem também um bastante razoável jogo de cabeça. À semelhança do que já fez no Twente pode ter importância decisiva tanto a criar oportunidades como a concretizá-las.

Onde jogará Ruiz?

O costa-riquenho é um jogador versátil, que tanto pode jogar a “10”, “11” ou até mesmo a “9”, embora esta posição só mesmo como recurso. Como JJ já afirmou que jogará em “4-4-2”, é muito possível que vejamos Bryan jogar na posição “10”, até porque o treinador também já demonstrou gostar de que as alas sejam ocupadas por jogadores velozes e capazes de exercer um permanente vai-vem, o que não serão de todas as melhores características de Ruiz.

Conclusão

O título do post tem uma referência cinéfila que reporta a um filme dos Monty Python, “A vida de Bryan”, cujo protagonista é permanentemente confundido com o Messias. Isso não será com toda a certeza o que devemos esperar de Bryan Ruiz ou mesmo exigir dele. Mas será, desde que haja alguma normalidade, um reforço efectivo do plantel e, correndo bem, um dos nomes incontornáveis do próximo campeonato.

Foto de capa: bryanruizcr.com