O Sexto Violino

Não há nada pior do que traçar o destino de um clube com base em apenas um jogo oficial. E isto serve para as boas e as más exibições, para os bons e os maus resultados. O Sporting não seria a melhor equipa do Mundo (ou de Portugal, sequer) se tivesse ganho em Coimbra, nem é o pior clube do planeta por ter consentido um empate. Nestes casos, as conclusões demasiado radicais são simplistas e, consequentemente, pouco certeiras. No entanto, olhando para os plantéis dos três grandes e para o nível exibicional demonstrado até agora, é possível concluir que os leões partem, uma vez mais, atrás de Porto e Benfica.

É claro que a expulsão de William Carvalho condicionou o jogo do Sporting, que até tinha entrado melhor (Carrillo parece estar a tentar assumir um papel importante de uma vez por todas). Mas, depois de chegar à vantagem, a equipa pareceu retrair-se um pouco. Heldon (não percebi a razão da sua titularidade em detrimento de Capel) podia ter feito o 0-2, mas foi perdulário e permitiu que a máxima que diz que quem não marca sofre voltasse a verificar-se. Se contarmos com os jogos de pré-época, é a terceira vez que o Sporting sofre um golo para lá da hora. O sector mais recuado, que com Leonardo Jardim sempre deu garantias, parece agora algo instável.

A lesão de Cédric foi outro contratempo, e acabou também por revelar alguma falta de profundidade no plantel do Sporting: Geraldes ainda não convenceu, Esgaio beneficiaria com um empréstimo para ganhar minutos e Miguel Lopes só fica se baixar o ordenado. Posto isto, nem a cultura táctica de Rosell nem o promissor mas inexperiente Paulo Oliveira foram suficientes para segurar a vitória contra uma equipa sofrível. Com a saída de Marcos Rojo, o Sporting tem duas opções: ou vai buscar um central de créditos firmados (hipótese pouco provável dada a política de contenção de custos da direcção) ou verá o seu eixo defensivo decair bastante de qualidade face à última época. Em ano de Champions, as perspectivas na retaguarda não são animadoras.

Isto leva-me, portanto, a perguntar o seguinte: caso se confirmem as saídas de Rojo e Slimani (e reforço o “se”, sobretudo quanto ao avançado), como é que se pode dizer que o Sporting está mais forte do que em 2013/2014? A defesa está mais permeável, o ataque não marca e as alas – posição mais deficitária da última época – ainda não foram reforçadas… Para além de tudo isto o treinador também é outro, o que exige sempre um período de aprendizagem e adaptação. Se Rojo e Slimani ficassem, tudo seria diferente. Mas essa hipótese parece cada vez mais distante, e a ausência de jogadores com qualidade para os substituir pode comprometer seriamente as hipóteses verde-e-brancas.

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Sem Rojo e Slimani, como se pode dizer que o Sporting está mais fote do que há um ano? Ir ao mercado é urgente
Fonte: Blogue A Norte de Alvalade

Comecei este texto com uma chamada de atenção contra as conclusões precipitadas, às quais espero ter conseguido escapar, e termino-o reforçando esse aspecto com um exemplo muito recente: o Benfica fez uma pré-época muito má, em que tudo começou a ser posto em causa. De facto, o clube da Luz não só ficou sem muitas das suas maiores figuras como parecia ter perdido por completo o norte. Mas, mesmo sem referências como Garay, Siqueira ou Rodrigo, e ainda que venha a perder Enzo Pérez, continua com um onze forte, até porque muita gente se esquece que jogadores como Sidnei ou Luis Felipe nunca irão jogar (este último até já foi recambiado). Artur, um dos elementos mais criticados durante os “jogos a brincar”, como lhes chama Jesus de forma sobranceira quando as coisas não correm bem, acabou por ser decisivo nos dois jogos oficiais que disputou até agora.

Tudo isto para dizer o quê? Que a pré-época do Sporting, que começou bem apesar de ter acabado de forma menos exuberante, pouco ou nada diz sobre a temporada que agora começou. Sem querer parecer agoirento nem derrotista logo após a primeira contrariedade, creio que o futebol mais atacante e atractivo de Marco Silva de pouco ou nada valerá se não se conseguir encontrar um equilíbrio. Com Rojo e Slimani, o Sporting deste ano seria um dos plantéis mais promissores desde o último título conquistado; sem eles, a equipa será apenas “candidata a candidata” ao título, partindo novamente atrás de Porto e Benfica – sim, esse Benfica que até há poucos dias tantos disseram estar morto e enterrado. Se ficar sem os dois mundialistas, o Sporting terá obrigatoriamente de ir ao mercado para garantir pelo menos um ponta-de-lança. E tem já menos de duas semanas para o fazer.

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O João Sousa anseia pelo dia em que os sportinguistas materializem o orgulho que têm no ecletismo do clube numa afluência massiva às modalidades. Porque, segundo ele, elas são uma parte importantíssima da identidade do clube. Deseja ardentemente a construção de um pavilhão e defende a aposta nos futebolistas da casa, enquadrados por 2 ou 3 jogadores de nível internacional que permitam lutar por títulos. Bate-se por um Sporting sério, organizado e vencedor.                                                                                                                                                 O João não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.