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Há coisas que nos custam muito aceitar. Uma delas é o Licá ser jogador de futebol, outra, é a exibição do Sporting em Vila do Conde. Jorge Jesus voltou a repetir o onze que cilindrou o Chaves e em querer repetir a dose frente ao Rio Ave. Estavas enganado Jorge!

A teimosia em não querer libertar Podence para a ala direita é tão revoltante como cada convocatória com o nome de Alan Ruiz na lista. Não que o baixinho jogue mal atrás de Bas Dost mas por ser a melhor e mais viável alternativa a Gelson Martins. Com o “espalha magia” em baixo de forma e índices físicos abaixo da reserva de bateria, não existe outro jogador, de momento, capaz de fazer aquela posição com a mesma qualidade. Recordamos que Iuri queimou tantas oportunidades como o Coentrão queima o filtro de cada cigarro que fuma. Alan Ruiz, o lesionado crónico, é o cromo número um da caderneta de flops de 2017. Quem resta? Podence! Ao mesmo tempo que os minutos iam passando, a ansiedade aumentava. A indigestão de ver um jogo destes ao mesmo que se janta provoca uma azia tão descomunal como um convite de um jantar de aniversário no restaurante do Barbas. Os leões souberam respeitar os Vilacondenses, mas, em demasia. O Rio Ave tem uma equipa com grande qualidade e com jogadores tecnicamente evoluídos. O erro? Esteve na forma como a pressão foi abordada e na falta de mais um médio. Acuña esteve apagado, cumprindo apenas na ajuda defensiva a Fábio. Bruno Fernandes perde bastante qualidade quando joga a 8 e sir William, com quase meia equipa do Rio Ave à sua volta, não conseguiu ter tempo para respirar.

Bas Dost voltou a decidir, marcando o seu oitavo golo no campeonato Fonte: Sporting CP
Bas Dost voltou a decidir, marcando o seu oitavo golo no campeonato
Fonte: Sporting CP

As substituições foram, novamente, mal definidas. Como dito, a retirar do jogo, seria Gelson ou Acuña para colocar Podence na ala. A entrada do tanque Batta era inevitável para quebrar contra-ataques, dar agressividade ao meio campo e libertar William que estava a ser mais pressionado do que as fotos da Paula Bobone nas redes sociais. A equipa verde e branca melhorou na segunda parte, mas, mesmo assim, não foi suficiente para se superiorizar. Teve a sorte do jogo, com destaque para Rui Patrício. O guardião do templo estava intransponível e mais depressa acabava de escrever este texto do que o Rio Ave marcava um golo. O internacional português salvou o Sporting de uma derrocada precipitada, mantendo os leões vivos até ao apito final. Com a entrada de Doumbia em campo, o risco aumentou e os últimos dez minutos seriam de matar ou morrer. A sorte, que tantas temporadas tem faltado, esteve no limite da cabeça do gigante holandês. Deste jogo, ficam para a história os três, importantíssimos pontos. No final, é certo que ninguém se irá lembrar dos dezanove remates do Rio Ave contra os cinco do Sporting, tal como, não me lembro da última vez que Pedro Guerra passou na rua sem levar um calduço.

O pior a retirar foram as lesões de Piccini e Mathieu. Dois jogadores, de peso, que irão falhar a partida desta terça-feira frente à Juventus. Jorge Jesus teve três dias para preparar Ristovski e André Pinto para os gigantes Higuaín, Dybala e companhia. É certo que os italianos vêm mais desgastados e Massimiliano Allegri irá preparar uma equipa coesa, com pouco espaço para os avançados leoninos jogarem e trocarem a bola. No ataque irá colocar jogadores rápidos e é aqui que o Sporting terá de ter atenção para não se deixar apanhar pela velocidade da vecchia signora. O onze italiano não deverá ser muito diferente do seguinte: Buffon na baliza, a defesa composta por cinco jogadores com Lichtsteiner à direita, Alex Sandro à esquerda e no centro Barzagli, Chiellini e Rugani. No meio campo estarão Khedira e Pjanic ou Matuidi e a frente de ataque com Douglas Costa, Higuain e Dybala ou Cuadrado.

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Rui Patrício foi o homem do jogo, garantindo a vitória com defesas brilhantes Fonte: Sporting CP
Rui Patrício foi o homem do jogo, garantindo a vitória com defesas brilhantes
Fonte: Sporting CP

A Juventus irá querer retirar espaço às alas, com dois jogadores no apoio aos laterais e no ataque a pisarem mais a zona central para provocar superioridade na zona de finalização. Desta feita e tendo em conta os jogadores lesionados, o Sporting deverá apresentar Rui Patrício na baliza. Na defesa Ristovski, Coates, André Pinto e Coentrão. No meio campo, Battaglia, William e Bruno Fernandes e na frente Acuña e Gelson Martins no apoio a Doumbia ou Bas Dost. É certo que este será o onze mais provável, mas como conhecedor das invenções do “Chiclas”, o crânio JJ poderá ter alguma na manga para surpreender a formação italiana. Seja que formação for, o “Ai Jesus” vivido na partida de Vila do Conde poderá ser o eufemismo agradável do reverso da moeda. Se jogar bem não faz pontos e jogar mal traz vitórias impensáveis, que se repita a vitória pela margem mínima com mais uma grande exibição de Patrício. Que se leve a decisão até ao apito final da derradeira jornada da Champions.

Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal