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Sporting

As eleições, o conceito de união e a resposta que é uma pergunta

O povo é soberano, como bem se sabe. O povo chega à urna descontraído – se possível de chinelos à jogador de futebol e meias brancas – apresenta o respetivo documento de identificação, dirige-se ao cubículo, tem a árdua tarefa de desenhar uma cruz sobre um dos inúmeros quadrados minúsculos, dobra a folhinha em duas metades, volta a parti-la e, se for como eu, está 20 minutos a repetir o processo com o objetivo de tornar o papel quase invisível.

O povo é hilário quando se diz convicto da inutilidade do voto, entre muitas outras barbaridades. O povo é igualmente hilário quando desperdiça a possibilidade de decidir umas eleições pelo facto de o seu voto valer o dobro, o triplo ou 100x mais do que um simples tracinho realizado pelo giz no quadro escolar. As consequências da aplicação do método descrito, por sua vez, são funestas. A democracia ressente-se, divide-se em múltiplas partes disformes e entranha-se em becos.

O dia 5 de março assinala as eleições para a presidência do Sporting CP. Que alma adepta e viva – também é importante – tinha saudades destes tempos gloriosos? Se conseguirem enumerar uma lista de dez pessoas que não gostassem de ver, na televisão ou ao vivo, o Vítor Espadinha a encarnar no Rambo e a oferecer percussão num dirigente leonino, eu encarrego-me dos custos do jantar que proponho. Até lá, acompanho-vos numa visita guiada pelos candidatos.

Frederico Varandas

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Surpreendentemente, Frederico Varandas recandidata-se pela lista A. ”E ó Varandas/ O que é que fazes aqui?/ A presidência/ Não é lugar para ti/”. Ao que parece, a presidência para o senhor Dr. Varandas constitui um lugar onde – pelo menos – é agradável estar. Como especialista na matéria, afirmo que a estrutura e a base de apoio seja a que levou consigo há (quase) quatro anos.

Esperem, saíram alguns. São todos, menos o Filipe Osório de Castro e o Rahim Ahamad. Não dá a sensação de que um amigo está a ligar para um restaurante com a pretensão de marcar um jantar e, simultaneamente, a fazer contas de cabeça para saber quem realmente vai?

Ricardo Oliveira

Logo pelas 21h30 o #Sporting160 entrevista o candidato da Lista B às Eleições no #SportingCP Ricardo Oliveira.

O programa será em directo nas plataformas habituais. pic.twitter.com/vSX7C32b6d

— Sporting160 (@sporting160) February 17, 2022

Ricardo Oliveira é o candidato pela lista B. O gestor pretende fazer um upgrade na academia e de construir uma Cidade do Desporto para integrar todas as modalidades do clube. Alguém disponível para dizer ao Presidente da Federação Portuguesa de Padel que Megapolis é um jogo (por sinal, é conteúdo ficcional) e não o nome de uma cidade da Grécia com que simplesmente sonhou?

De resto, à exceção da contratação de uma empresa de segurança israelita e da maneira como o próprio agiria mediante os incidentes do Dragão, não tenho mais dúvidas. Lá detalhe tem…

Nuno Sousa

Nuno Sousa anuncia candidatura à presidência do Sporting https://t.co/sVc0LLZx1H pic.twitter.com/zZLUIhmINE

— Jornal de Notícias (@JornalNoticias) December 21, 2021

Nuno Sousa, presidente da lista C, quer mais rigor nas arbitragens, deixar os secretismos de parte e um portal de transparência. “Sr. Nuno, não temos à venda portais de teletransporte para uma galáxia distante. Posto isso, também não temos portais de transparência. Nem sei bem onde é que eles estão à venda, se quer que lhe diga”. É bom que tudo fique esclarecido. A apresentação do candidato termina com a seguinte frase “podemos achar que Godinho Lopes fez bem ou mal, Bruno Carvalho geriu bem ou mal, mas a verdade é que nada foi provado em tribunal”.

Augusto Inácio, além de presentear os sócios do clube com a sua não candidatura à presidência, disse ao Bola na Rede que o atual presidente leonino iria ganhar as eleições com 80 ou 90% dos votos e perguntou ao painel o que tinha feito o visado para unir o Sporting CP. Eu devolvo a questão noutro formato: o que é que os presidentes anteriores fizeram para unir o clube? Leve o seu tempo a responder.

Se calhar, estas eleições não vão ter tanta afluência como as anteriores. As coisas estão mais calmas, ao que tudo indica. Não se tem visto apupos aos jogadores e, tendo por base o último jogo europeu, os meninos até são aplaudidos e ovacionados quando caem de pé. Pode dizer-se que a expectativa tende, em larga escala, para um espetro de continuidade. O facto quererá dizer alguma coisa, certamente.

– Quantos adeptos faltam unir em torno do clube? – pergunto eu.

– Quantos adeptos se uniram em torno do clube? – responde Augusto Inácio.

 

 

 

 

 

 

Em primeira mão, a informação que considera útil: cruza pensamentos, cabeceia análises sobre futebol e tenta marcar opiniões sobre o universo que o rege. Depois, o que considera acessório: Romão Rodrigues, estudante universitário e apaixonado pelas Letras.                                                                                                                                                 O Romão escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Em primeira mão, a informação que considera útil: cruza pensamentos, cabeceia análises sobre futebol e tenta marcar opiniões sobre o universo que o rege. Depois, o que considera acessório: Romão Rodrigues, estudante universitário e apaixonado pelas Letras.                                                                                                                                                 O Romão escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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