Foi um mau fim de semana para quem ainda acha que Ruben Amorim é inflexível e preso sempre às mesmas dinâmicas. A sua preferência pelo 3-4-3 é óbvia, mas a realidade é que, no jogo frente ao Vitória SC, a equipa leonina apresentou-se diferente, e na minha opinião, foi a melhor exibição dos últimos jogos.

Um dos problemas que se verificou frente ao CD Tondela foi a falta de ligação do meio campo com o ataque do Sporting CP. Isto é, muitas vezes Gonçalo Inácio era obrigado a lançar longo para os alas ou extremos interiores, devido à falta de presença no corredor central. Com a entrada de Daniel Bragança no decorrer do jogo, e passando a jogar com um trio no meio-campo, a formação verde e branca impôs-se, teve mais bola e conseguiu vencer mais uma jornada da Liga.

Talvez a ausência de Nuno Santos tenha incentivado ainda mais à utilização do 3-5-2. Ruben Amorim arriscou e deu uma autêntica lição de futebol frente a um Vitória SC incapaz de contrariar a equipa leonina. O Sporting CP apresentou-se com um triângulo no meio-campo, algo que facilitou o recurso ao passe curto e a um maior controlo do jogo; João Palhinha foi importantíssimo ao evitar contra-ataques dos visitantes, enquanto que João Mário e Bragança desempenharam um papel criativo e mais ofensivo. Através desta dinâmica, os leões de Alvalade deram preferência à construção pelo corredor central, ao invés da primazia que regularmente dão às extremidades do campo.

Já em relação aos dois avançados, Pedro Gonçalves e Tiago Tomás, contribuíram com as suas melhores qualidades para o jogo do Sporting CP. Enquanto que o primeiro realizava apoios frontais, TT aproveitava o espaço nas costas da defesa para desempenhar movimentos de rotura. De destacar o facto de esta tática ser bastante atrativa para jogar com Paulinho e Tiago Tomás em simultâneo, pois o internacional A é muito bom a segurar a bola de costas para a baliza. Havendo a possibilidade de puxar Pote para o trio meio campista, jogar com dois avançados de origem é algo a considerar.

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Sporting CP apresentou-se com três médios e dois avançados
Fonte: Transmissão televisiva

Vi muita gente indignada com a jornalista do Canal 11 Sofia Oliveira por ter dito que o Sporting CP, em certos momentos do jogo, se apresentou num 3-4-3 diferente do habitual. Concordo em absoluto. Pedro Gonçalves é um médio disfarçado de avançado, e isso é visível pelos movimentos que apresenta ao longo da partida. Pote tem indicações para baixar no terreno para ir buscar jogo e, na partida do último sábado, não se fez exceção.

A dinâmica cruyffista que os comandados de Rúben Amorim apresentaram, à semelhança daquele que descrevi anteriormente, privilegia a posse de bola no meio-campo. Pote desempenha o papel de número dez da equipa, algo que obriga os alas a passarem da linha média do campo para a linha atacante, em apoio ao solitário avançado, neste caso Tiago Tomás. Claramente que o jovem treinador português inspirou o seu plano de jogo na filosofia de Johan Cruyff, que foi o fundador deste 3-4-3, que é bem diferente do habitual do Sporting CP.

Ao longo da partida, a dinâmica inspirada em Cruyff foi alvo de uso
Fonte: transmissão televisiva

Um dos jogadores que mais me está a surpreender é, sem dúvida, Gonçalo Inácio. O jovem de 19 anos tem sido um elemento de destaque no trio defensivo do Sporting CP, destacando-se pela boa relação com bola, facilidade no passe e bom posicionamento defensivo.

Normalmente, nos mecanismos que Rúben Amorim implementa na sua equipa, o central do meio serve para controlar o equilíbrio defensivo, contando com um papel menos preponderante com bola. O capitão de equipa, Sebastián Coates, costuma ser o jogador encarregue destas funções. Ora, com Inácio, o caso foi o contrário. O atleta, que até tem atuado do lado direito, foi uma espécie de líbero, avançando muitas vezes até à zona do meio-campo, com critério e qualidade, deixando Luís Neto e Feddal como os centrais mais posicionais.

Gonçalo Inácio tem um papel preponderante
Fonte: Transmissão televisiva

Jogar com mais elementos no meio-campo beneficia o jogo dos leões, pois permite um maior controlo da bola e menor utilização dos passes em rotura, que muitas vezes fazem os comandados de Rúben Amorim perderem a bola facilmente.

É muito importante ter várias dinâmicas para os variados momentos que o jogo exige. É bom ver que Rúben Amorim prepara o plantel do Sporting CP para, dentro do modelo de jogo dos três centrais, executar diferentes filosofias. É um treinador com o qual me identifico muito, seja a nível tático ou comunicacional.

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