Primeiramente, clamando perdão, irei, nesta redação, fazer novamente referência à literatura. Já nem considero flama ou amor ardente. Trata-se de um vício, de uma dependência, de um hábito insaciável, de um mecanismo obsessivo. O “ser livrólico” floresce com o urgir do tempo e, consequentemente, resplandecerá a incapacidade para mitigar a vontade voraz, para acalmar a fera que ruge descomedidamente. A leitura é um caminho sem retorno, uma ida sem volta, uma cavalgada ao vento no deserto!

Miguel Torga, conimbricense, é o poeta arquétipo para dissecar o tema de hoje. Eu, na presença de ilustre personagem, redijo esta narrativa com o simples desígnio de construir um dialeto descrito numa circunferência em torno de Gonzalo Plata através de uma ode de Adolfo Correia da Rocha.

Analogias quase impercetíveis, semelhanças encafuadas em versos. Panoramicamente, a retina pouco ou nada decifra. Contudo, na minúcia da análise, e após exumações furtivas, lapido algo. “Sísifo” irá expor o paralelismo. Aqui vai!

Caro Gonzalo Plata, inicia a tua aventura no Sporting Clube de Portugal movido pela tranquilidade e serenidade, a titularidade irá surgir com excelsa naturalidade, (“Recomeça/ Se Puderes/ Sem angústia/ E sem pressa”). Contudo, consciencializa-te dos óbices do percurso e rege-te por ti mesmo, usufrui da jovialidade, (“E os passos que deres, / Nesse caminho duro/ Do futuro/ Dá-os em liberdade”). E, pertencendo à tua faixa etária, enxergo integralmente a ambição que reina numa índole tenra como a nossa, portanto, permanece na justa até ao derradeiro segundo e até à mais pequena gotícula de sangue, ludibria o adversário sempre que o jogo o exigir e não entregues a posse sempre que os adversários te voltearem, (“Enquanto não alcances/ Não descanses/ De nenhum fruto queiras só a metade.”).

O jovem leão tem sido um dos destaques do Equador no Mundial de sub-20
Fonte: Sporting CP

Juventude e inconformismo são termos paradoxais. Soam os alarmes da incongruência! Diz não ao contentamento de modo a, futuramente, abduzires de triunfos inolvidáveis e glórias indeléveis, feitos que nunca ousaste conjeturar na mais bonita das tuas fantasias. (“E, nunca saciado, /Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar/Sempre a sonhar e vendo” O logro da aventura.”). Não designes de torpe às tuas raízes, não vilipendies quem te fez crescer: com a qualidade que encerras em ti, na esbelta miscelânea de velocidade, técnica e remate, granjearás o máximo sem a ínfima resistência, (“És homem, não te esqueças! / Só é tua a loucura / Onde, com lucidez, te reconheças…”).

O Mundial sub-20 é o ensejo adequado para efetuar a declamação da ode triunfal. O destaque contempla-se desde o primeiro embate. O brilhantismo ofusca a crítica alheia. O apanágio é teu e só teu.

Ah, não te subjugues nem escravizes ao mito de Sísifo. Ele é só isso, um mito. Não te esqueças que o homem é o único ser que é digno de adoração e exaltação. Estou a “ensinar-te” algo ou já conheces Miguel Torga?

Foto de Capa: Sporting CP

artigo revisto por: Ana Ferreira

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Casado há 18 anos com o Sporting Clube de Portugal e amante do Moreirense Futebol Clube, clube da terra na qual cresci e da qual me orgulho cada vez mais. Internacionalmente, o foco localiza-se no Liverpool FC e na massa adepta que considero fanaticamente apetecível e extremamente fidelizada para com a instituição que apoia, festejando cada golo como se do último se tratasse. Deste modo, a paixão futebolística faz companhia à escrita e à leitura tendo em mente a opção pela vertente jornalística.                                                                                                                                                 O Romão escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.