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Assimilando conceitos – as dinâmicas ofensivas do leão!

Vasco Mata · 4 min

Assimilando conceitos – as dinâmicas ofensivas do leão!
Foto: Sporting CP

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Uma das grandes diferenças que se denotam entre o futebol apresentado pelo Sporting CP neste e no ano passado é, sem dúvida, a capacidade (ou falta dela) de finalizar. Eventualmente isto poderá ser explicado de várias formas. A razão que mais salta à vista, será porventura a falta de Slimani. Mas isso não explica obviamente tudo. Bas Dost não é o argelino, mas no que diz respeito a “meter a bola lá dentro”, o holandês não tem comprometido e já leva sete golos em onze partidas. Sendo que na última temporada em trinta encontros, marcou apenas dez golos.

A falta de golos dos leões, deve-se a meu ver, à dinâmica ofensiva da equipa, à falta de rotinas que, neste momento, os jogadores que ocupam o último terço do terreno vão apresentando. Podem obviamente dizer que este argumento apresentado não passa de um “cliché”, mas perder um jogador como João Mário tem, sem dúvida alguma, um enorme impacto na manobra ofensiva da equipa. João, era a meu ver, a “pedra de toque” que permitia ao Sporting criar constantemente situações de desequilíbrio nas defesas adversárias. Era o jogador que melhor sabia ler o jogo, e que tinha uma capacidade incrível de definir momentos de jogo, sabia sempre quando era altura de levar o jogo para as alas, ou de o trazer para o interior do terreno, causando perigo de qualquer uma das formas. Gosto de lhe chamar híbrido pois, sendo originalmente um jogador de pisar terrenos anteriores, quando Jorge Jesus o decidiu encostar no flanco, correspondeu de forma fenomenal. Transformou-se num jogador ainda mais completo, emprestando desta forma uma qualidade incrível à equipa.

A falta de João Mário ainda é sentida em Alvalade. Fonte: Sporting CP
A falta de João Mário ainda é sentida em Alvalade
Fonte: Sporting CP

Claro que podem afirmar que Gelson é também um jogador com muita qualidade, mas são dois jogadores completamente diferentes. O novo menino bonito de Alvalade é um jogador completamente vocacionado para jogar numa ala, encostado à linha, e devido à sua juventude não tem, a meu ver, ainda a capacidade de controlar os tempos e os ritmos de jogo, jogando maioritariamente através da “explosão” e do repentismo. Gelson tem um potencial imenso, mas ainda não oferece à equipa tanta qualidade como a que João Mário ofereceu. Tenho confiança que, com o tempo e com os ensinamentos de JJ, Gelson saberá também pisar terrenos mais interiores, tornando-se num jogador mais multifacetado e completo.

Outro dos factores para a fraca dinâmica ofensiva da equipa é obviamente a quebra de forma física do costa riquenho, Bryan Ruiz, este que tal como João Mário poderá ser considerado um génio táctico. Alguém que alia a sua brutal técnica às suas cultura e inteligência táctica como ninguém. Um jogador que entende de forma exímia o jogo, bem como os seus ritmos e tempos. Mas Ruiz é lento, técnica e atleticamente, e tem trinta e um anos de idade. Sem estar no topo da sua forma física, Bryan perde muita capacidade de entregar à equipa aquilo que pode e sabe. E o facto de há dois ou três anos estar a competir constantemente também durante o Verão, sendo o capitão da Costa Rica, não tem trazido benefícios à sua forma física.

Outra questão é também a posição de segundo avançado. Não foi até este momento encontrado o complemento adequado para Bas Dost. Já foram testados nesta posição cerca de cinco jogadores: Markovic, André, Castaignos, Alan Ruiz e Bryan Ruiz. Nenhum destes jogadores trouxe aquilo que se esperava. Nenhum deles conseguiu oferecer à dinâmica colectiva ofensiva da equipa, o que jogadores como Teo Gutiérrez ou próprio Montero ofereciam.

E penso que nesta posição deveria claramente ser testado Joel Campbell. Parece-me ter as condições necessárias para ser um complemento de qualidade para Bas Dost. Joel é rápido, tem uma capacidade técnica bastante interessante, alguma capacidade no jogo aéreo e, muito importante, sempre que joga com a camisola do Sporting, demonstra uma garra imensa, algo que falta à linha mais avançada da equipa desde a saída de Islam Slimani.

Mas não só de avançados e médios ofensivos se fazem as dinâmicas atacantes de uma equipa. Muito importante são também os laterais. E é na esquerda que eventualmente se pode encontrar a maior lacuna do actual plantel da equipa leonina. Nas equipas de Jorge Jesus e em qualquer uma que assente o seu estilo de jogo em ataque continuado, os laterais são sempre os homens que aparecem em zonas mais avançadas do terreno, quando todos os caminhos estão fechados, causando então as derradeiras roturas nas estruturas adversárias e, neste momento, de todos os laterais do plantel dos verde e brancos, a meu ver, apenas João Pereira se encontra em boa forma e, por incrível que pareça, este mesmo esteve fora da equipa durante praticamente dois meses. E ainda mais incrível é o facto de o Sporting ter ganho sete dos oito jogos em que João Pereira participou, tendo apenas feito parte da equipa na derrota alcançada nos últimos minutos contra o todo poderoso Real Madrid, no Santiago Bernabéu.

João Pereira tem sido o lateral mais consistente do Sporting CP nesta época Fonte: Sporting CP
João Pereira tem sido o lateral mais consistente do Sporting CP nesta época
Fonte: Sporting CP

Ou seja, João Pereira virá porventura dar legitimidade à minha teoria, de que um lateral tem de facto um papel fundamental na manobra ofensiva da equipa, seja ao limitar o extremo adversário ou a abrir brechas nas estruturas defensivas adversárias. A questão da actual baixa produtividade da equipa do Sporting prende-se por muito mais do que a ausência deste ou daquele jogador. Deve-se, a meu ver, a um conjunto de situações e acontecimentos muito mais profundos e complexos do que aqueles que se querem vender nos meios de comunicação social nacionais.

Mais uma vez sinto-me na obrigação de reiterar a imensa confiança na equipa técnica e direcção actuais do Sporting Clube de Portugal. Tenho a profunda convicção de que todos desejam tanto como nós ver um Sporting convicto e vencedor. Um campeão crónico e não espontâneo.

Devemos-nos unir até à última gota de suor! Esforço, dedicação e devoção são o lema do leão!

Foto de capa: Sporting Clube de Portugal

Vasco Mata

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