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Uma das grandes diferenças que se denotam entre o futebol apresentado pelo Sporting CP neste e no ano passado é, sem dúvida, a capacidade (ou falta dela) de finalizar. Eventualmente isto poderá ser explicado de várias formas. A razão que mais salta à vista, será porventura a falta de Slimani. Mas isso não explica obviamente tudo. Bas Dost não é o argelino, mas no que diz respeito a “meter a bola lá dentro”, o holandês não tem comprometido e já leva sete golos em onze partidas. Sendo que na última temporada em trinta encontros, marcou apenas dez golos.

A falta de golos dos leões, deve-se a meu ver, à dinâmica ofensiva da equipa, à falta de rotinas que, neste momento, os jogadores que ocupam o último terço do terreno vão apresentando. Podem obviamente dizer que este argumento apresentado não passa de um “cliché”, mas perder um jogador como João Mário tem, sem dúvida alguma, um enorme impacto na manobra ofensiva da equipa. João, era a meu ver, a “pedra de toque” que permitia ao Sporting criar constantemente situações de desequilíbrio nas defesas adversárias. Era o jogador que melhor sabia ler o jogo, e que tinha uma capacidade incrível de definir momentos de jogo, sabia sempre quando era altura de levar o jogo para as alas, ou de o trazer para o interior do terreno, causando perigo de qualquer uma das formas. Gosto de lhe chamar híbrido pois, sendo originalmente um jogador de pisar terrenos anteriores, quando Jorge Jesus o decidiu encostar no flanco, correspondeu de forma fenomenal. Transformou-se num jogador ainda mais completo, emprestando desta forma uma qualidade incrível à equipa.

A falta de João Mário ainda é sentida em Alvalade. Fonte: Sporting CP
A falta de João Mário ainda é sentida em Alvalade
Fonte: Sporting CP

Claro que podem afirmar que Gelson é também um jogador com muita qualidade, mas são dois jogadores completamente diferentes. O novo menino bonito de Alvalade é um jogador completamente vocacionado para jogar numa ala, encostado à linha, e devido à sua juventude não tem, a meu ver, ainda a capacidade de controlar os tempos e os ritmos de jogo, jogando maioritariamente através da “explosão” e do repentismo. Gelson tem um potencial imenso, mas ainda não oferece à equipa tanta qualidade como a que João Mário ofereceu. Tenho confiança que, com o tempo e com os ensinamentos de JJ, Gelson saberá também pisar terrenos mais interiores, tornando-se num jogador mais multifacetado e completo.

Outro dos factores para a fraca dinâmica ofensiva da equipa é obviamente a quebra de forma física do costa riquenho, Bryan Ruiz, este que tal como João Mário poderá ser considerado um génio táctico. Alguém que alia a sua brutal técnica às suas cultura e inteligência táctica como ninguém. Um jogador que entende de forma exímia o jogo, bem como os seus ritmos e tempos. Mas Ruiz é lento, técnica e atleticamente, e tem trinta e um anos de idade. Sem estar no topo da sua forma física, Bryan perde muita capacidade de entregar à equipa aquilo que pode e sabe. E o facto de há dois ou três anos estar a competir constantemente também durante o Verão, sendo o capitão da Costa Rica, não tem trazido benefícios à sua forma física.

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