Por vezes, nas alturas de crise, procuramos a solução para os problemas no mundo exterior. Acontece que ela pode residir precisamente no nosso interior. Esta premissa tanto vale para a vida como para o futebol. E pode muito bem ser aplicada à situação da baliza leonina para esta temporada.

Com a saída de Rui Patrício, nas condições que todos sabemos, para o Wolverhampton, o Sporting CP procurou no mercado uma solução credível para substituir o internacional português. No âmbito dessa procura, “descobre” Emiliano Viviano, um italiano de 32 anos, com experiência na Calcio ao serviço de clubes como a Sampdoria , a Fiorentina e o Palermo. Se na pré-temporada o italiano registava boas exibições, quando as coisas começaram um pouco mais “a doer”, ficaram bastantes dúvidas acerca da sua efetiva qualidade do guardião recém-contratado (quem não se lembra do “frango” frente ao Olympique de Marselha em pleno anfiteatro verde e branco no jogo de apresentação aos sócios?). Além disso, as pobres condições físicas que o italiano apresentava começaram a criar a ideia nos dirigentes e adeptos de que talvez Viviano não tivesse sido a escolha mais acertada.

Foi acusado de excesso de peso, algo que o próprio confirmou, afirmando que cometeu alguns excessos nas férias. A lesão do italiano – uma cervicalgia ainda no período de aquecimento no primeiro jogo da época em Moreira de Cónegos – ditou a sentença final: a sua lesão era muito mais do que isso. Era, sobretudo, a confirmação inequívoca de que Viviano não possuía a tarimba necessária e exigida para defender as redes do Sporting Clube de Portugal.

Viviano esforçou-se por conseguir um lugar no onze. Mas não aguentou a pressão de representar um clube tão grande como os maiores da Europa
Fonte: Sporting CP

Fiquemo-nos ainda nesse jogo inaugural da época em Moreira de Cónegos. Foi Romain Salin, o francês que esteve na sombra de Patrício na última temporada, quem ficou responsável por guardar a baliza leonina. E que bem esteve Salin! Com várias defesas de elevado quilate e recorte técnico, mostrou a José Peseiro que estava em condições de assumir o lugar. Se Salin é melhor do que Patrício? Apenas o tempo o dirá. Mas o que é facto é que Peseiro gostou do que viu e os adeptos também. Daí para cá foi um dos obreiros do início de época positivo dos Leões (sim, a derrota em Braga não comprometeu o que quer que seja). Bastaria recordar as excelentes defesas contra o eterno rival no Estádio da Luz para confirmar a ideia de que a baliza do Sporting já tem dono. E ele estava mesmo ali, dentro de casa. O jornal Record destaca, na sua edição online de 24 de setembro, as qualidades de Salin. Escrevia o matutino: “Salin, o guardião do templo”, referindo mais adiante que “Chegou para ser opção a Rui Patrício e esta época esteve quase a sair. Agora é o titular na baliza”.

Resumindo e concluindo: com a afirmação bastante categórica de Salin na baliza dos leões, torna-se mais imperioso do que nunca a premissa de que a solução para um problema ou uma crise pode muito bem estar no interior da nossa casa. Afinal, o francês, que já estava desde a temporada passada no Sporting, confirmou isso mesmo. Esperemos que essa solução dure por muito tempo e que Salin nunca se esqueça que defender aquela baliza é honrar nomes sonantes do futebol mundial. Falo, assim de repente, de Patrício, mas também de Peter Schmeichel e do eterno e glorioso Vítor Damas.

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Foto de Capa: Sporting CP

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O Simão é psicólogo de profissão mas isso para aqui não importa nada. O que interessa é que vibra com as vitórias do Sporting Clube de Portugal e sofre perante as derrotas do seu clube. É um Sportinguista do Norte, mais concretamente da Maia, terra que o viu nascer e na qual habita. Considera que os clubes desportivos não estão nos estádios nem nos pavilhões, mas no palpitar frenético do coração dos adeptos e sócios.                                                                                                                                                 O Simão escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.