Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google
Bas Dost chegou, viu e venceu no clube leonino. O internacional holandês Dost foi uma transferência de “luxo” por parte do Sporting no verão de 2016 e veio com a difícil missão de fazer esquecer Islam Slimani, que se havia transferido para os ingleses do Leicester. Tornando-se jornada após jornada, não só titular indiscutível no onze de Jorge Jesus, como o melhor goleador da Liga NOS, adquiriu desde cedo um papel importante nos leões.
Na sua época de estreia, foi responsável por cinquenta por cento dos golos dos leões na Liga NOS, dando bem a entender a importância que tinha no processo ofensivo da equipa de Jorge Jesus. Apesar do futebol leonino ter sofrido um decréscimo de qualidade face à primeira época de Jorge Jesus ao comando da equipa de Alvalade – por vários factores – Bas Dost foi dos poucos que se destacou. Já com duas épocas de Sporting, sendo que regressou agora após ter rescindido, visto ter sido um dos mais visados no ataque à Academia de Alcochete, Dost leva setenta golos marcados em noventa jogos oficiais. A verdade – e respondendo à questão “inicial” colocada no titulo do artigo – é que a resposta para esta questão será sim e não, ou seja, será sempre um 50/50.

Fonte: Sporting Clube de Portugal
Passo a explicar: podemos responder que sim, pois Bas Dost é de facto um ponta de lança que garante golos, um finalizador nato e os números que tem obtido no Sporting falam por si e se não fosse por vezes o holandês a marcar golos com tanta regularidade, o Sporting poderia ter obtido resultados ainda mais negativos nas competições onde participou e teve a felicidade de nunca ter tido uma lesão de longa duração que prejudicasse o mesmo e o clube.
Por outro lado, a resposta será não e até a posição onde mais me revejo e defendo, pois creio que o futebol do Sporting precisaria de um avançado mais completo, com outro tipo de características. O futebol do Sporting foi perdendo qualidade da sua primeira época com Jorge Jesus até à ultima época do treinador no comando dos leões. É claro que o rendimento da equipa é analisado como um todo e como rende a nível coletivo, mas a verdade é que neste caso, creio que teremos de analisar também individualmente, pois o Sporting com Dost mudou para pior. Sem ovos não se fazem omeletes e o Sporting, após ir perdendo vários jogadores importantes para a ideia de jogo inicial de Jorge Jesus como Slimani e Teo que combinavam muito bem, como João Mário e Bryan Ruiz que procuravam zonas interiores e Adrien e William num enorme pico de forma, jogando praticamente de olhos fechados e com uma coesão enorme.
Slimani era o primeiro a exercer uma pressão ofensiva e Dost não é um jogador com esse tipo de características. E Jorge Jesus teve de adaptar o estilo de jogo – cada vez mais – ao plantel e jogadores que tinha. Nestes últimos dois anos, o clube nunca preparou bem o mercado e se inicialmente o onze titular, ou seja, a espinha dorsal do plantel parecia garantir soluções, já no banco não se podia dizer o mesmo, fazendo com que a qualidade da equipa se fosse prejudicando mais, caso fosse necessário proceder a alterações no sistema de jogo ou em algum jogador. O modo de jogo do clube leonino começou a ficar cada vez mais afunilado, com pouca vertigem, com pouco jogo interior, muitas vezes sem ideias recorrendo quase sempre ao cruzamento como única solução possível, confiando na capacidade de Bas Dost.
Como disse anteriormente, reconheço e elogio as capacidades de Bas Dost, é sem dúvida um jogador com capacidades únicas, mas o mesmo veio trazer alguma previsibilidade ao jogo leonino, tirando aquilo que de bom foi construído no primeiro ano de Jesus. Claro que as culpas não são todas do jogador holandês, mas a verdade é que o plantel começou a jogar em função do jogador e de apenas um jogador, perdendo noções de jogo e jogando quase que em desespero, com um estilo de jogo directo e lento. Outra nuance a realçar é que Bas Dost por vezes aparecia na área a cabecear sozinho contra quatro ou cinco defesas adversários, existindo pouco envolvimento ofensivo por parte do resto da equipa, ideia essa que com o novo treinador tem vindo a ser contrariada, pois os médios e os alas/avançados interiores procuram chegar com maior regularidade a zonas de golo e mais próximo do avançado, numa tentativa também de, numa eventual transição defensiva, recuperar a bola numa zona mais avançada do terreno.

Fonte: Sporting Clube de Portugal
Em suma, creio que Bas Dost, apesar de todos os golos que fez, não proporciona um estilo de jogo atrativo, passando até nos jogos grandes um pouco ao lado do mesmo, pois não se adapta bem a esse estilo de jogo e àquilo que o jogo pede. Naqueles jogos fechados e complicados, sobretudo em campos difíceis, poderá ser a peça chave para entrar e resolver o jogo, mas o Sporting ficaria a beneficiar de um avançado com outro tipo de características, o chamado avançado completo, sobretudo com as ideias que José Peseiro tenta incutir no novo leão. Têm-se visto algumas lacunas defensivas na equipa do novo técnico leonino, mas a nível ofensivo as ideias têm sido bastante agradáveis e uma lufada de ar fresco face ao que foi apresentado por Jorge Jesus nas duas épocas anteriores, onde existe maior mobilidade, criatividade e rapidez.
Nestas novas ideias, o avançado – e não o ponta de lança como Bas Dost é – tem de ser mais móvel, sair das zonas mais centrais do terreno, procurando criar espaços para si e para os seus colegas de equipa, jogando de costas para a baliza e procurando também fazer tabelas com os avançados interiores e os médios centrais, de modo a garantir um maior envolvimento ofensivo por parte de toda a equipa e baralhando também a defensiva contrária, sendo que neste estilo de jogo e olhando para o actual plantel leonino, creio que Montero partirá com ligeira vantagem, sendo o que mais se aproxima destas características. Existe assim alguma expectativa e curiosidade para ver como Bas Dost se irá adaptar neste novo estilo de jogo e se irá conseguir produzir os mesmos números que produziu até hoje com o leão ao peito.
Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal
Artigo revisto por: Jorge Neves









