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Antes do apito inicial deste jogo em solo alemão, as probabilidades estavam todas contra a equipa portuguesa: Sporting nunca tinha vencido na Alemanha, os seus dirigentes e equipa técnica pouco apostavam na Liga Europa, o Bayer já iniciava o jogo com a vantagem de um golo e o árbitro era francês.

Vou começar desde já pelo árbitro, até porque não o vou usar como desculpa para o resultado final. O senhor, apesar de francês, e porque sabemos como eles são avessos às equipas portuguesas ou mesmo à selecção, mostrou-se sempre com o intuito de querer deixar jogar, e não foi muito interventivo. Aliás, deixou jogar em duas situações que dariam expulsão em muitos campos. Primeiro, Wendell deveria ter sido expulso por agressão. E já na segunda parte Jefferson deveria ter também sido expulso por ter puxado o braço de Chicharito Hernandez quando este se ia isolar rumo à baliza de Patrício.

Relativamente ao jogo jogado pelas equipas, e olhando, desde logo, para a constituição da equipa do Sporting, podíamos perceber que Jorge Jesus ia apresentar uma equipa que, à partida, daria todas as garantias, estando todos os elementos em forma.

Apesar disso poderíamos também perceber que a dupla de centrais era composta pelo menos forte dos centrais do Sporting e que o outro bom central que vinha para o jogo sem ritmo competitivo ia ter como tarefa manter Chicharito debaixo de olho.

O meio campo era composto por excelentes médios, mas William está em franco sub-rendimento e Aquilani não dá a intensidade de Adrien, apesar de ser incontestável a sua qualidade técnica.

Ao começar a rolar a bola, percebeu-se que os alemães não vinham com ideias de pressionar como fizeram em Alvalade, e até davam algum espaço ao meio campo leonino, que com processos simples e rápidos facilmente conseguiria chegar à área germânica.

O problema é que a equipa do Sporting, apesar de até ter jogado bem, não tinha intensidade no meio campo, aquela intensidade que só Adrien consegue dar aos leões, e, como tal, os processos deixavam de se poder definir assim logo que a bola chegava aos pés de Mané.

Entendo que Jesus tivesse apostado em Mané para usar a rapidez para passar pelos “matulões” pesados do Bayer, mas para isso é preciso também ter técnica no domínio da bola e não só a técnica de correr com a bola. E como Mané foi trapalhão, especialmente em situações de franca vantagem em frente à baliza de Leno, não permitiu que a equipa leonina fosse para o intervalo já em vantagem.

Jesus errou no tipo de rapidez que quis colocar no jogo. Ou seja, colocar jogadores rápidos não é sinónimo de ter um processo de jogo rápido, e este jogo foi prova disso mesmo; o meio campo não trocava a bola com rapidez ou com boa definição no passe e quase sempre apostava em lançar a bola longa para os avançados. Isso apenas acontecia quando a bola chegava a João Mário, que infelizmente não chegava para tudo.

João Mário fez um jogo à imagem da sua época, onde a sua inteligência foi uma constante Fonte: Sporting CP
João Mário fez um jogo à imagem da sua época, onde a sua inteligência foi uma constante
Fonte: Sporting CP

Foi por não ter havido muito mais que João Mário que o Sporting não soube aproveitar a menor pressão imposta pelo Bayer no jogo, uma vez que ter Mané a jogar no meio e João Mário a cair para os corredores também não foi a melhor estratégia. Seria talvez mais produtivo o contrário, apesar de Mané também não ser grande “cruzador”.

Com Gelson ou Mateus no lugar de Mané e a jogarem na ala, colocando João Mário no meio a distribuir jogo, talvez tivessem sido feitos muitos mais estragos na rígida defesa alemã. Coloco estes nomes em cima da mesa para seguir o raciocínio de rotatividade do treinador leonino, ou eventualmente poderia escolher nomes como o de Bryan Ruiz.

Apesar de tudo, e olhando para as estatísticas do jogo, o Sporting foi mais forte em todos os aspectos menos no mais importante: a eficácia. E, até ao minuto 65, o Sporting era a melhor equipa no terreno de jogo; contudo, sem conseguir efeitos práticos. A partir daí, e com João Mário a ter que baixar o ritmo, não conseguimos incomodar verdadeiramente a baliza alemã.

No fundo, e para resumir este jogo, poderei dizer que o Bayer entrou no jogo para o controlar, sem grande pressão, e o Sporting não foi capaz de jogar rápido como tem feito no campeonato português; com processos simples e rápidos mas sem ter muito transporte de bola. Contudo, a verdade é que não existem dois “Adriens” no plantel, o que é pena.

Só para terminar, uma palavra para Teo, que não podia fazer muito mais contra centrais fortes, com quem tinha de disputar lances aéreos de bola lançados pela defesa leonina. Lutou, e é o que se pede.

Quero só deixar referência ao facto de achar que o Sporting ganha mais do que perde com esta derrota na Liga Europa. O Sporting é uma excelente equipa, mesmo melhor que este Bayer, mas teria poucas probabilidades de ganhar esta competição. E agora aumentou as probabilidades de poder lutar até ao fim pelo campeonato nacional.

 

A Figura:

João Mário – O médio leonino não sabe jogar mal e foi o jogador mais esclarecido do Sporting em Leverkusen. Hoje sem a parceira de Adrien, o jovem assumiu a batuta e tentou remar contra o dique alemão, sem sucesso.

O Fora-de-Jogo:

Lentidão Leonina – Ter jogadores velozes nem sempre é sinónimo de rapidez de processos. Mané nunca foi lesto ou esclarecido e acabou por desperdiçar algumas oportunidades que poderiam ter dado outro tipo de esperança ao Sporting.

Foto de Capa: Sporting CP

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