Defender ou argumentar a favor de uma personalidade polémica e corrosiva como tem sido o presidente Bruno de Carvalho pode tornar-se algo arriscado e perigoso. Podemos ser acusados a qualquer altura, pois o Gabinete de Crise que por aí anda – e que serve apenas para esconder a própria crise do clube em que se encontra – pode muito bem tramar-nos ao virar da esquina. Temos que ter cuidado com o que dizemos e escrevemos. Os fiscais do lápis vermelho andam por aí à solta. “Poisam nos prédios poisam nas calçadas / Trazem no ventre despojos antigos / Mas nada os prende às vidas acabadas” como cantava Zeca Afonso.

Vamos a Bruno de Carvalho. É um facto que desde que chegou à presidência do Sporting Clube de Portugal, o tom das suas declarações públicas tem sido coberto por uma grande polémica. Mas, se no plano da forma, podemos discordar da sua atuação (e eu sou, por vezes, um deles), no plano do conteúdo, temos que concordar que Bruno de Carvalho colocou o dedo na ferida dos interesses instalados quer no Sporting quer no Futebol Nacional, por muito que isso custe aos nossos rivais.

Com a sua chegada, há um Sporting muito diferente e, sobretudo, mais transparente. O Futebol Português e, atrever-me-ia a dizer, também o Europeu – conheceu nos últimos anos alguém que lutou e luta, de forma veemente, pela transparência e pela verdade desportiva que é uma coisa que muitos pseudocomentadores apregoam a todo o momento nos seus pseudoprogramas televisivos mas que, na prática, pouco ou nada fazem por ela. A introdução do VAR foi apenas um dos exemplos de uma batalha que Bruno de Carvalho teve que travar com as instâncias que lideram o Futebol em Portugal e na Europa. Se resolveu o problema da falta de transparência nas decisões da arbitragem? Claro que não. Mas é hoje uma ferramenta ao dispor para o apuramento dessa verdade, dando mais transparência ao jogo, sendo certamente alvo de eventuais retificações e aperfeiçoamentos.

O presidente leonino tem participado ativamente no apoio às diversas modalidades do Sporting CP
Fonte: Sporting Clube de Portugal

Quanto ao Sporting, não nos podemos esquecer que foi com ele e com a sua Direção que o Sporting saiu da situação de abismo financeiro em que se encontrava e da melindrosa situação desportiva, quer no que ao futebol sénior dizia respeito, quer às modalidades. É justo dizer que, nestes últimos cinco anos, Bruno de Carvalho recuperou uma marca central do ADN do clube – o seu ecletismo. E, para não bastar, criaram-se as condições para a construção de um Pavilhão tão grande como os maiores da Europa: o Pavilhão João Rocha.

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Quanto à “linhagem” da presidência dos Leões, quebrou com o “Roquetismo” e a dinastia daqueles que tudo sabiam de finanças e dinheiro mas pouco conheciam de futebol. Bruno de Carvalho apareceu como alguém que alia as competências de gestão às de adepto leonino, vibrando com as vitórias e sofrendo com as derrotas, como todos nós, repito, como todos nós. Com Bruno de Carvalho, a presidência e a sua direção “desceram” aos relvados e pavilhões e o Sporting voltou assim a ser, por muito que isso custe aos nossos rivais, dos sportinguistas. O jornalista Paulo Curado escreveu no Jornal Público o seguinte: “Uma longa distância afastava a tribuna presidencial do relvado onde a bola rolava. Com a chegada de Bruno de Carvalho esse fosso deixou de existir. Literalmente” (Jornal Público, dia 23 de março de 2018, p. 42). Mas destaca também este jornalista algo inegável e que deve alertar-nos: o Sporting não foi ainda campeão nestes últimos cinco anos de mandato de Bruno de Carvalho.

E, neste aspeto, se temos que melhorar, é facto, o desempenho desportivo da nossa equipa de Futebol nalguns jogos e momentos decisivos das épocas, temos ainda que lutar com veemência contra certas e determinadas toupeiras que irrompem, de vez em quando, do subsolo, e que nos mostram um lado muito negro do Futebol Português.

Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal

Artigo revisto por: Beatriz Silva