O último programa Mourinhos vs Guardiolas contou com a presença especial de Bruno de Carvalho, ex-Presidente do Sporting CP. A conversa versou sobre temas quentes da actualidade futebolística e, em especial, sobre o processo Cashball 

A abrir o programa, Bruno de Carvalho deu a sua opinião sobre a actual tensão existente no FC Barcelona e o afastamento do ex-Presidente do clube catalão, Josep Maria Bartomeu. Achei interessante e até mesmo oportuno o paralelismo que Bruno de Carvalho estabeleceu entre a situação que ele viveu nos seus últimos dias enquanto Presidente do Sporting CP com a do antigo Presidente dos blaugrana. De facto, são vários os pontos comuns entre as experiências dos dois presidentes. À semelhança de Bruno de Carvalho, Bartomeu, por um lado, não cedeu a pressões políticas na medida em que declinou com firmeza qualquer género de promiscuidade entre o FC Barcelona e as facções políticas pró-independência que governam a Catalunha; por outro, hostilizou-se com o “super-empresário” Jorge Mendes.  

Tal como Bruno de Carvalho, Bartomeu tornou-se um incómodo para muitos lobbies que parasitam à volta do futebol moderno. Não pode haver outro motivo senão este, pois a nível desportivo Bartomeu havia já conquistado grandes títulos para o FC BarcelonaE também à semelhança do que aconteceu em Alvalade, o seu “processo de afastamento” começou pelos jogadores que numa atitude hostil galvanizaram os adeptos contra a figura do Presidente.  

De facto, em qualquer clube do mundo, a lealdade dos adeptos está em primeira linha para com os seus jogadores. Bruno de Carvalho soube frisar muito bem este ponto para chegar a uma grande conclusão. Segundo ele, “as coisas estão subvertidas: são os jogadores que mandam e as pessoas não têm noção (…) os jogadores fazem cartas conjuntas e a partir daí mais vale os presidentes fugirem”. Percebe que os jogadores tenham vontade de mudar de clube rumo a outros projectos desportivos, mas surpreende-se com o facto de os jogadores resolverem esses problemas hostilizando-se com o “empecilho”.  

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E é curioso que o afastamento dos “empecilhos” do Sporting CP e do FC Barcelona só veio agudizar a crise dos dois clubes. O clube leonino acabaria por registar uma das piores épocas da sua história em 2019/2020 e a sua massa associativa viria a sofrer uma fractura lacerante; enquanto que o FC Barcelona é, hoje, uma “casa a arder”.  

A conversa seguiu para o tema Cashball. Bruno de Carvalho explicou com pormenor os factos e as teias de ligações com Paulo Gonçalves e César Boaventura, que estiveram por trás do denunciante Paulo Silva. Desmistificou igualmente o papel de André Geraldes que qualificou como “pessoa sinistra”. É de facto a pequenez do nosso país e do seu futebol que roça o miserável que permite a existência de uns “pilha-galinhas”, lacaios de lobbies e outros interesses.

Bruno de Carvalho foi convidado para o programa “Mourinhos vs. Guardiolas” e versou sobre a atualidade futebolística, apontando a mira ao processo Cashball
Fonte: Arquivo Pessoal

O ex-Presidente do Sporting CP expôs ainda as várias coincidências verificadas, nomeadamente, o facto de a CMTV no dia do ataque de Alcochete ter anunciado em exclusivo o caso Cashball com acusações de corrupção ao clube leonino e ainda o facto de ter as câmaras posicionadas para captar o ataque propriamente dito e o acesso exclusivo a imagens do balneários.  

No meu entender, Bruno de Carvalho deveria ter dado ênfase à mãe de todas as coincidências neste processo de ataque e difamação de que o Sporting CP foi alvo: a denúncia de Paulo Silva é entregue junto da Polícia Judiciária juntamente com o seu célebre telemóvel em Março de 2018, precisamente no mês em que o país ficou a saber que o SL Benfica de Vieira havia criado o célebre “Gabinete de Crise”. 

Outro facto que considero ter sido muito bem sublinhado por Bruno de Carvalho foi o de que, enquanto Presidente do Sporting CP em exercício do seu mandato, nunca foi ouvido pelas autoridades durante a fase de inquérito do processo, ao contrário de André Geraldes que passou de arguido com caução paga (sabe-se lá por quem) a testemunha principal.  

Bruno de Carvalho pergunta – e bem: é verosímil que Alcochete e Cashball tenham sido loucuras de Paulo Silva e Fernando Mendes? Claro que não. O tempo é soberano. E aos poucos parece cada vez mais evidente que Bruno de Carvalho, Presidente do Sporting CP, era uma figura a abater por ser incomodativa para os tais lobbies políticos que tornam imundo o futebol que todos nós gostamos.  

Já perto do fecho do programa, em resposta a uma pergunta feita pelos nossos espectadores, Bruno de Carvalho assumiu, quase em jeito de acto de contricção, o seu arrependimento em ter trazido Jorge Jesus para o Sporting CP. Na minha opinião, entre os muitos erros que Bruno de Carvalho cometeu ao longo da sua presidência, o maior não foi ter contratado o actual treinador e sócio do SL Benfica, mas sim ter mantido em Alvalade qual Cavalo de Tróia após a época de 2016/2017.  

Goste-se ou não da figura do ex-Presidente leonino, qualquer Sportinguista tem de ficar, no mínimo, satisfeito em saber que, uma vez mais, o seu clube é ilibado da prática de crimes alegadamente cometidos no exercício do seu mandato. Algo que os adeptos de outros clubes não se poderão orgulhar.  

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

1 COMENTÁRIO

  1. o ex presidente do sporting …enquanto presidente era tao so a entidade patronal dos activos do clube…. e tinha que ser responsavel e responsabilizado pela s suas performances … ele continua e nada aprendeu de que a humildade e o nosso maior bem… nos somos contabilizados pelos resultados que obtemos e nada mais do que isso

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