Não é certamente desta época que o lado direito da defensa dos Leões se apresenta bastante enfraquecido. Alguns textos que escrevi durante a época passada mostraram a minha opinião sobre esse problema: era na altura Cristiano Piccini que descompensava todo a ala direita, fazendo incursões ofensivas pouco ponderadas defensivamente. O tempo foi passando e o que é facto é que o italiano foi melhorando de jogo para jogo, ao ponto de o tornar transferível para o Valência por um valor superior (8 milhões de euros) àquele pelo qual tinha sido contratado (2.87 milhões de euros para os cofres do Bétis de Sevilha). Mas ao longo da época as limitações do lado direito leonino tornavam-se cada vez mais indisfarçáveis.

Foi na pretérita temporada ainda que chegou a Lisboa o macedónio Stefan Ristovski, tendo uma missão muito clara: recuperar a dignidade do lado direito da defesa. E conseguiu. Com pouco tempo de Leão ao peito já dava mostras de ser bastante superior ao italiano, quer defensiva quer ofensivamente. Contudo, a lesão sofrida esta época contra o Arsenal em Alvalade para a Liga Europa levou a que a equipa técnica tivesse que recorrer ao homem de serviço para a mesma posição: Bruno Gaspar, ex-Fiorentina, contratado no defeso de verão. Chegou por um valor a rondar os 4.5 milhões de euros e tem experiência no futebol português, com passagens pelo Vitória de Guimarães e pelos escalões de formação do SL Benfica.

Mas Gaspar está ainda uns furos abaixo daquilo que pode dar: apresenta pouca fluidez, o jogo sai-lhe forçado e complica jogadas que são de relativa facilidade. Viu-se e desejou-se diante do Rio Ave, com vários “nós cegos” gerados pelos malabarismos e a velocidade do endiabrado Galeno na direita do ataque rioavista. Melhorou consideravelmente a sua prestação no jogo frente ao Desportivo das Aves, apresentando-se mais ponderado nas decisões em campo, mais calmo, sereno e confiante.

A falta de rendimento de Bruno Gaspar deve-se muito às limitações defensivas de Diaby na ala direita
Fonte: Sporting CP

Mas uma equipa é um todo. Qualquer tentativa de ver numa posição a lacuna de uma equipa pode resvalar no perigo de se reduzir aquilo que é da ordem do complexo. Não podemos ignorar que grande parte da eficácia defensiva dos laterais se relaciona com a capacidade dos extremos recuarem quando a equipa está a defender. Foquemo-nos no habitual titular dessa posição, o maliano Abdoulay Diaby. À exceção da última partida frente ao Desportivo das Aves em que esteve muito bem, as exibições do ex-Club Brugge têm deixado a desejar quer a nível defensivo quer ofensivo. Gaspar não se sente seguro, portanto, quando sobe no corredor direito pois sabe que não tem um ala que o compense defensivamente nessas alturas.

Todos os sportinguistas esperam ver mais e melhor de Bruno Gaspar. Pelo menos até à recuperação de Ristovski, o incontestável titular da posição. Até isso acontecer, todos acreditamos no potencial de Gaspar. Esperemos é que ele também acredite no seu valor e capacidades.

Foto de Capa: Sporting CP

 

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