Esta semana ficou marcada por mais um castigo a Marcus Wendel na sequência do incumprimento das regras internas do clube por parte do internacional olímpico pelo Brasil. A forma como Jorge Silas geriu a contenda constituiu-se como um pau de dois bicos. Por um lado, ao referir, num sentido mesclado de pedagógico quanto punitivo, que o brasileiro tem que aprender a estar num clube grande com o Sporting, gerou em seu torno uma autoridade no balneário que pode ser importante para a gestão do plantel no plano disciplinar ao longo da época; mas, por outro lado, e mais uma vez, o timing de tais palavras não foi o melhor, pois foram proferidas após uma vitória importante diante dos vimaranenses colocando, por isso, mais uma acha numa fogueira de problemas que tarda em cessar.

Quando um clube está a arder, tudo o que é dito tem que ser ponderado. Estas palavras, proferidas nesta altura em que foram, podem, assim, gerar mais fragmentações e clivagens no ambiente interno do plantel, com consequências destrutivas e negativas ao nível da união tão auspiciada. E, mais uma vez, a comunicação do Sporting não funcionou, mostrando todo o seu amadorismo agora no plano interno.

Mas este afastamento temporário de Wendel revelou-se, ao mesmo tempo, numa descoberta para Silas, pois, fruto dessa ausência, o técnico teve que olhar para as opções no plantel com vista a reformular um novo setor intermédio, criando mais músculo neste setor e tendo um toque mais defensivo. Aliás, as declarações do técnico sportinguista na antevisão ao jogo em Paços de Ferreira não deixaram dúvidas sobre as suas pretensões para este Sporting: “Quando chegámos, a nossa preocupação foi ao nível defensivo – e ainda está a ser. Precisamos de estabilizar a equipa, porque os golos pesam muito” (jornal Record, dia 31/10/2019).

O jovem médio brasileiro volta a ser notícia por razões extra-futebol
Fonte: Sporting CP

Após alguns jogos de muita indefinição no sistema tático a usar – oscilando entre o 4x3x3, o 4x2x3x1 e o 3x4x3 – Silas parece agora apostar, pelo menos a avaliar pelos dois últimos jogos, num sistema próximo do 4x2x3x1, garantindo a solidez defensiva que pretende ver na equipa. É que a queda de Wendel do onze levou à subida de Eduardo Henrique, jogador sobejamente conhecido de Silas quando ambos representavam o Belenenses-SAD. Tudo indica que serão Eduardo e Doumbia os “cabeças de área” deste Leão, os principais maestros na primeira fase de construção.

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Curiosamente ou não, a saída temporária de Wendel da equipa principal por razões disciplinares trouxe um maior esclarecimento a Silas ao nível das opções individuais e táticas para o meio-campo. O Sporting apresenta já uma ideia de jogo, um plano, ainda que em formato de esboço. Mas, já é alguma coisa. O 4x2x3x1 pode muito bem ser, tendo em conta as opções, o sistema tático de raiz deste Sporting, com Jesé/Luiz Phellipe no eixo do ataque, Bolasie e Vietto nas alas e Bruno Fernandes a ocupar a posição de “número 10”. Vamos acreditar que temos equipa!

Foto de Capa: Sporting CP

Artigo revisto por Joana Mendes

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O Simão é psicólogo de profissão mas isso para aqui não importa nada. O que interessa é que vibra com as vitórias do Sporting Clube de Portugal e sofre perante as derrotas do seu clube. É um Sportinguista do Norte, mais concretamente da Maia, terra que o viu nascer e na qual habita. Considera que os clubes desportivos não estão nos estádios nem nos pavilhões, mas no palpitar frenético do coração dos adeptos e sócios.                                                                                                                                                 O Simão escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.