cartaaberta

Caro Fredy,

Estiveste dois anos e meio em Alvalade. Significa isto que foste uma das caras principais do projeto delineado por Bruno de Carvalho, desde que este foi finalmente eleito para a presidência do grande Sporting Clube de Portugal. A tua chegada foi digna do lema “Chegar, ver e vencer”. Ainda me lembro de estar a conduzir e ouvir que Montero tinha marcado o único golo de uma vitória do Sporting sobre o Nacional da Madeira num amigável. Lembro-me de sorrir e pensar que era um bom prenúncio, que se veio a confirmar mais tarde, na primeira jornada do campeonato: o Sporting recebia o Arouca, na tarde quente do dia 18 de agosto, lembro-me como se fosse hoje. Saí da água fria da praia de Peniche e fui com um grande amigo benfiquista ver o jogo num café lá da praia. Se esse fim de semana do verão já estava a ser dos mais épicos de sempre, tu ainda o tornaste mais com o “hat-trick” que apontaste frente à equipa que se estreava na Primeira Liga. O último golo, então, foi delicioso. Até o benfiquista te elogiou…

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Marcaste vários golos na primeira metade desse campeonato, mas já tinhas uma sombra feroz no banco, pronta a tomar o teu lugar: Islam Slimani. Bastou estares alguns jogos sem marcar e ficares um jogo ausente, para o terrorista argelino te saquear a titularidade. Apesar de tudo, duvido seriamente que o lugar de suplente de Slimani venha a conhecer um intérprete de tanta qualidade. Apesar de alguma falta de “ganas” que denotavas em alguns jogos, especialmente quando entravas como titular, era sempre uma enorme onda de esperança que me invadia quando via que ias entrar. Onda de esperança que já foi confirmada algumas vezes esta época, como são exemplos as receções ao Nacional e à Académica. Tenho de admitir, que o teu nome é dos que dá mais gozo completar após os incentivos do João Botas nas bancadas de Alvalade.

Se Bryan Ruiz e João Mário são os nossos grandes maestros, irradiando qualidade técnica por cada metro quadrado de Alvalade, tu não ficas muito atrás. És dono de um toque de bola pouco visto em Portugal, aliado a uma leitura de jogo, facilidade e qualidade de remate que dão garantias aos teus adeptos. Seja com remates fulminantes, como fizeste frente à Fiorentina ou ao Lokomotiv de Moscovo, seja de cabeça como já conseguiste contra o Benfica ou na Pedreira de Braga, seja após receções de mestre como no jogo frente à Académica ou no já falado terceiro golo frente ao Arouca, tu és capaz de um manancial de soluções como poucos.

Contudo, falta mencionar o golo mais épico que tu marcaste. Admito, eu já tinha deixado a televisão de lado e estava a tentar, infrutiferamente, controlar as lágrimas e a raiva naquela final da Taça de Portugal a 31 de maio. Estava tão desiludido e triste que já não conseguia olhar para o antijogo do Braga e para as perdas de bola dos “leões” que estavam em campo. Ainda por cima, a pessoa que estava comigo nesse dia é alguém a quem eu não consigo esconder nada.

Por isso, ela já estava a vislumbrar as minhas lágrimas, até um pouco chocada por eu estar a chorar devido a um jogo de futebol, quando ouço gritos vindos de Alvalade (sim, eu estava a ver o jogo perto do estádio). Voltei para a televisão e era verdade, o Slimani tinha mesmo reduzido a desvantagem. Bom, assim fiquei preso à televisão para aqueles derradeiros minutos e tu lograste o impossível nos descontos. O Paulo Oliveira fez, talvez, o melhor passe longo da vida dele, o Aderlan falhou e tu marcaste um dos golos mais festejados da história do clube. Só por esse golo, já terias um lugar histórico na memória “verde e branca”, assim como tem também, imagina tu, o Rodrigo Tiuí.

Um jogador especial, com uma camisola mágica, a marcar um golo para a história. Fonte: Sporting CP
Um jogador especial, com uma camisola mágica, a marcar um golo para a história.
Fonte: Sporting CP

Tem calma! Não, nem sequer és comparável com este avançado que eu acabei de mencionar. Tens muito mais qualidade e mesmo classe, um perfume futebolístico novo e refrescante em Portugal. Além disso, aparentas ter qualidades humanas incomuns entre futebolistas. Sabes agradecer aos adeptos, sempre foste um jogador que não criou problemas internos ou de comportamento enquando estiveste em Portugal. Também por isso, tenho pena que saias tu e fique, por exemplo, o Teo Gutiérrez connosco. Além de gostar muito mais (com milhas de distância) da tua forma de jogar, não gosto de ver sair jogadores comprometidos com o clube, como tu, ou mesmo o Tanaka e o Boeck, e ver ficar jogadores que deixam muito a desejar em termos desse espírito de equipa e união.

Para um jogador especial, fica uma despedida especial. Boa sorte no Tianjin Teda e que voltes rápido para Alvalade. Tens, com certeza, as portas abertas para o já aguardado regresso. Espero que em maio venhas buscar a faixa de campeão e festejar como mais um adepto do Sporting, porque tenho a certeza que o és. Aliás, na foto do topo, só falta o cartaz “Fredy Montero quer o Sporting campeão!” Obrigado Fredy , até à próxima!

 

Da Equipa BnR – Sporting CP:

El avioncito partiu antes da hora” – José Duarte, redator do Sporting CP.

“Fredy, desculpa tratar-te pelo teu nome, mas fazemos parte da mesma família, acho que é legítimo tratar assim um ente querido. Obrigada pela dedicação e amor à camisola; obrigada por nunca desistires ou desmotivares por não jogares tanto. Obrigada por me deixares ver exibições fantásticas; obrigada por aquele golo contra o Vitória de Setúbal. Acho que não fui a única a ficar arrepiada com a magia que fizeste. Obrigada por poder assistir, ao vivo, o teu último golo, contra a Académica, que me tranquilizou.
Tal como desejaria a um amigo, quero que tenhas todo o sucesso possível. Te voy echar de menos en Sporting, Fredy Montero.” – Marta Reis, redatora do Sporting CP.

“Ao Montero só quero agradecer os golos que marcou. Os que contaram e os que foram anulados segundo critérios para desmotivar e descredibilizar um excelente avançado. Obrigado pelos golos e dedicação.” – Nuno Almeida, redator do Sporting CP.

” É só um até já, Fredy! No final da época espero que regresses para festejar um título que também será teu! Fizeste muitas vezes magia e deste-nos muitas alegrias, e por isso, Alvalade te está grato! Serás sempre bem-vindo!” – Pedro Miguel Silva, redator do Sporting CP.

“Foram dois anos e meio em que fizeste do Sporting o teu amor; foram dois anos e meio de golos e falhanços, de exibições de encher o olho e de substituições precoces… Mas sempre que vestiste o leão rampante, deste o teu melhor e quiseste sempre o melhor para o NOSSO Sporting. Obrigado pelos golos inesquecíveis, obrigado pelos golaços ao Arouca e ao Marítimo, pelo golo à Académica e, acima de todos, obrigado pelo golo aos 92′ no Jamor. Serás sempre um dos nossos, “avioncito“! – Vítor Miguel Gonçalves, editor do Sporting CP.

Foto de Capa: Sporting CP