Querido Pai Natal, espero que se encontre bem. Espero que não tenha tido nenhuma complicação de saúde até porque já pertence ao grupo considerado de risco. Pena que na Lapónia ainda não tenham plano de vacinação. Será que vai conseguir ter livre trânsito para nos vir entregar os nossos presentes? Aqui em Lisboa não sei se passa. A menos que traga umas caixas com alguns brindes aí do clube da terra para entregar nalguma operação de controlo.

Antes que passe ao assunto que me fez escrever esta carta devo dizer que me tenho portado muito bem. Pelo menos em comparação com os meus amigos e colegas, posso até considerar-me um santo.

Pode até conseguir apontar-me o pecado de me irritar com algumas injustiças de que sou alvo e apontar o dedo a outros, mas apenas peço justiça. Porque se estiver à espera da justiça do teu amigo “Jesus”, faleço de velhice à espera e ainda sou muito novo.

Eu sei que devia escrever-lhe só para dizer o que gostaria de receber neste Natal, mas sinto que devo ajudá-lo nesta tarefa justiceira de perceber quais os que merecem e não merecem receber. É que nestes últimos anos, meu querido Pai Natal, tem andado muito distraído, porque vejo colegas meus, da minha escola – Escola da Liga Portuguesa de Futebol – que recebem presentes mesmo quando todos sabem que passam o ano a mentir, a trapacear e a roubar. Acho que devia ir ver o que se passa atrás dos pavilhões lá da escola. Quer que lhe dê os nomes? Posso deixar-lhe uma lista junto ao prato de bolachinhas e leitinho quentinho.

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Mas passando ao que realmente importa, se me achar digno, gostaria de deixar aqui alguns pedidos para o Natal.

Em primeiro lugar gostaria que na minha escola fosse tratado de uma forma igual aos meus colegas. Peço-lhe, Pai Natal, que consiga livrar-me do bullying que sofro de professores e colegas. É-me exigido que me comporte segundo as regras, mas, depois, essas só servem para me castigar a mim. Peço que a meritocracia seja valorizada em vez dos “meninos do professor”.

O Natal é, normalmente, uma época de pouca esperança e sentimento de sucesso
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Peço também que a minha família Sportinguista se una, independentemente dos tios, tias, primos, primas e enteados. Espero que neste Natal se juntem todos na mesa da consoada, consigam entender-se de forma a ficarmos mais fortes e chegar a um final feliz. E que perdoem o irmão expulso de casa, porque só com gestos desses se pode pedir união e paz numa família.

Se não for pedir muito gostaria ainda de pedir uma consola de jogos para poder levar a minha equipa de coração a ganhar títulos nacionais e internacionais. Quero poder comprar mais um central de qualidade para minha equipa, um ponta de lança que marque muitos golos, mais dois ou três, para poder ter boas alternativas à equipa base que vem no jogo.

Peço que as restrições do COVID deixem de ser necessárias, para que a nossa família se possa juntar aos fins de semana para conviver, abraçar, festejar sempre que algum de nós tem sucesso. A nossa família depende disso. Depende dessa força, dessa união.

Quero tornar-me, no futuro, um menino sábio, forte, vencedor. Por isso só peço oportunidades iguais às dos outros. Porque eu porto-me bem, e quero continuar a acreditar que só os que se portam bem merecem receber presentes. Ou terei de me portar como os outros para receber o que desejo?

Por tudo isso, Pai Natal, espero que me considere digno de receber o que tanto desejo. Se não conseguir, que seja apenas porque algum menino mereceu mais que eu.

Pai Natal, desejo-lhe sorte na sua viagem na noite em questão, não se constipe.

Um abraço do seu amigo Sporting Clube de Portugal.

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