Caso Raphinha: Não se pontapeia quem já está no chão

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Nos últimos dias, tomei conhecimento pela comunicação social da dívida da Sporting SAD à SAD do Vitória Sport Clube alusiva à transferência do brasileiro Raphinha do clube da cidade berço para o clube lisboeta, no verão passado. A dívida situa-se nos 4M€ que deveriam entrar nos cofres vimaranenses, mas o valor total da transferência situou-se nos 7M€.

Júlio Mendes, presidente do clube de Guimarães, veio, num primeiro momento, pedir a insolvência da SAD leonina. Dias depois, talvez por ter colocado a mão na consciência ou com eventual receio de que pela boca morre o peixe, veio serenar as águas agitadas entre leões e conquistadores, dizendo que afinal estava no futebol de forma construtiva e que tudo faria para, juntamente com o emblema leonino, encontrar a melhor solução para que o Sporting consiga pagar.

Raphinha está a adaptar-se da melhor forma à equipa, apesar da contenda que ainda envolve a sua transferência para o Sporting CP
Fonte: Sporting CP

Todos já percebemos que a situação financeira do clube não está famosa. No momento em que nos tentam meter na guilhotina, ameaçando-nos e lesando-nos a todos os níveis, alguns – leia-se o banqueiro José Maria Ricciardi – aparecem, neste contexto de crise, como salvadores da pátria, prometendo o pilim que muitos não têm e que tanta falta faziam, nesta altura, ao clube.

Mas devemos resistir com toda a força a esses Senhores do dinheiro que juram mundos e fundos pelo Sporting e depois, no final de tudo, só estão no desporto por puro e mero capricho financeiro. Ricciardi deveria ter vergonha na cara por, nesta situação difícil do clube, vir acenar com a única arma que tem: o dinheiro. O caso Raphinha foi o pretexto para este lobo sair da toca. Quando a situação passar, volta para dentro, mas fica à espreita.

A pequena novela Raphinha parece ter terminado da melhor forma possível. Tudo o que seja entendimento genuíno entre clubes, respeitando-se divergências e rivalidades, sou o primeiro a aplaudir. Mas tudo isto fez perceber o clima de constante crispação entre os emblemas no futebol português. Quando um clube como o Sporting, por razões sobejamente conhecidas, está ainda no chão a lamber as feridas duma crise que se abalou sobre si, há aqueles que ainda o querem humilhar mais ainda, pontapeando-o. E isto, no futebol como na vida, não é bonito.

Sem querer recuar muito no tempo, muito menos abordar assuntos que não são para aqui chamados, esta atitude de pontapear quem está no chão, vimo-la acontecer do outro lado da segunda circular quando Vieira ameaçou fazer “uma loucura” para contratar pérolas leoninas – uma delas, Bruno Fernandes – aproveitando-se da fragilidade do emblema leonino após os acontecimentos de Alcochete.

Ainda bem que Júlio Mendes reconsiderou e voltou atrás na sua decisão que seria, a todos os títulos, penosa para ambas as partes. Mas o Vitória Sport Clube, pela sua massa adepta, humana e dirigente, já nos habituou há muito que é um clube que pensa pela sua cabeça. Já os outros do Minho…

Foto de Capa: Sporting CP

artigo revisto por: Ana Ferreira

Simão Mata
Simão Matahttp://www.bolanarede.pt
O Simão é psicólogo de profissão mas isso para aqui não importa nada. O que interessa é que vibra com as vitórias do Sporting Clube de Portugal e sofre perante as derrotas do seu clube. É um Sportinguista do Norte, mais concretamente da Maia, terra que o viu nascer e na qual habita. Considera que os clubes desportivos não estão nos estádios nem nos pavilhões, mas no palpitar frenético do coração dos adeptos e sócios.                                                                                                                                                 O Simão escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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