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Dez de Janeiro de 2018. O Cova da Piedade estava, pela segunda vez (a primeira foi na 1971/72), nos quartos de final da Taça de Portugal e recebia, no estádio do Bonfim, o poderoso Sporting, já mais do que habituado a estas andanças da prova rainha do futebol português.

Bruno Ribeiro lançou apenas quatro titulares em relação ao último jogo (derrota na casa do União da Madeira por 1-0). Foram eles: Evaldo (capitão), Soares, Robson e Daniel Almeida. Tal como a sua equipa, o timoneiro da equipa proveniente de Almada demonstrava uma enorme ambição em seguir em frente nesta competição. Ciente das dificuldades, o técnico montou uma equipa que só tinha um objetivo em mente: vencer.

Antevendo esta partida, Jorge Jesus reiterou a ideia de que respeitava, e muito, esta competição e o seu adversário. Assim sendo, lançou, para o seu onze inicial, alguns dos seus habituais titulares, afirmando a vontade de vencer esta competição. O técnico optou, desta feita, por uma poupança moderada (Bruno Fernandes e Bas Dost começaram o jogo no banco; Gelson e William viram o jogo na bancada), mas, sem esquecer o que esta Taça representa para si e para o seu clube, manteve alguns dos habituais titulares. A destacar: Patrício, Coates, Coentrão e Acuña.

Ao contrário do que se esperava, foi o Cova da Piedade quem mais trabalhou pela vitória na primeira parte. A equipa de Almada, ao contrário da equipa de Alvalade, demonstrava muito mais vontade. Apresentando-se como uma equipa mais ambiciosa e mais motivada, a equipa do Cova usufruiu das melhores oportunidades da primeira parte. Respondendo a uma boa jogada em que Doumbia rematara, à entrada da área, por cima da baliza, a equipa da Margem Sul tentou logo “molhar o bico”. Ao minuto onze, Evaldo, numa grande investida pelo flanco esquerdo, conduziu um perigosíssimo contra-ataque que ameaçava a baliza de Rui Patrício. Assistiu, num cruzamento rasteiro, Cleo, que, com toda a calma do mundo, tocou para Paulo Tavares. Este, sem cerimónia, rematou colocadíssimo ao poste esquerdo da baliza de Rui Patrício. Estavam abertas as hostilidades no que diz respeito ao capítulo das grandes oportunidades.

Contudo, foi preciso esperar até cinco minutos antes do intervalo para ver a melhor oportunidade do primeiro tempo (e que oportunidade!). De novo, um excelente contra ataque rápido da equipa da Segunda Liga, desta feita, pelo lado direito. A bola ressaca para Hugo Firmino, que atira com estrondo à barra. Grande, excelente oportunidade! O Cova da Piedade demonstrava assim que estava na luta e saía para os balneários com sinal mais. O Sporting pouco ou nada mostrava. O jogo estava ao sabor da equipa da casa: morto e com alguns ataques rápidos que permitiam ameaçar a defesa leonina.

Com a clara intenção de “ir para cima deles” e de “arrebitar” a equipa na segunda parte, Jorge Jesus mexeu na equipa: Bas Dost e Bruno Fernandes nos lugares de Bryan Ruiz e de Bruno César. O Sporting começava assim com Podence no lado direito, Bruno Fernandes no apoio aos avançados, Bas Dost e Doumbia na frente de ataque e Acuña no lado esquerdo. Como se diz na gíria: “a carne estava toda no assador”.

O jogo estava mais do que vivo. Ambas as equipas estavam intensas e à procura do golo da vitória. Excelente jogo Fonte: Bola Na Rede
O jogo estava mais do que vivo. Ambas as equipas estavam intensas e à procura do golo da vitória. Excelente jogo
Fonte: Bola Na Rede

Arrancava a segunda parte e arrancava também o Sporting. Um Sporting completamente diferente daquele que estava em campo na primeira parte. Bastaram cinco minutos para ver o que os leões pretendiam para esta segunda parte: golos! O caudal ofensivo rapidamente se intensificou com ataques e oportunidades de todo o lado do campo. Aos 53 minutos, o motor desta equipa acelerou. O jovem médio arrancou sozinho e ninguém o parou. Entrou na área e, deslocado no lado direito, rematou sem cerimónia (típico dele). A bola sofreu um desvio e sobrevou o guarda redes do Cova. Ah, claro, se for preciso de dizer: foi o Bruno Fernandes.

Porém, a equipa do Cova não morreu. Antes pelo contrário. Cinco minutos depois, através dum canto, a equipa do outro lado do rio (claro está, para quem vê da capital) conquistou um pontapé de penalti. Num lance muito confuso na área de Rui Patrício, a bola embateu no braço de André Pinto e Rui Costa assinalou, perentoriamente, grande penalidade. Cleo, frio e sem cerimónia, enganou Rui Patrício e restabeleceu a igualdade no marcador.

O ritmo aumentava. E as oportunidades também. Aos 63 minutos, num dos muitos lances de ataque da equipa leonina, Coentrão rematou violentamente. A bola sobrou para Doumbia, que, na cara do golo, permitiu a defesa a Joyce. O jogo estava, finalmente, bom e digno da festa da Taça. Grande jogo de futebol que se via no Bonfim! Um jogo vivo e equilibradíssimo em termos de oportunidades. O Sporting rugia mais na segunda parte mas o Cova não tinha piedade nenhuma e tentava sempre o golo com inúmeros contra ataques.

Para bem do espetáculo e da festa, o ritmo manteve-se e o bom futebol também. Para o Sporting, o minuto 77 foi o auge: o golo da vitória. Num canto do lado esquerdo, batido por Acuña, em que Battaglia apareceu ao primeiro poste a desviar, o inevitável Bas Dost não perdoou e garantiu a passagem às meias finais. Excelente lance de bola parada! Após isto, o jogo acalmou. O Sporting foi, como diz Jorge Jesus, “maturo” e controlou o jogo. Foi dono e senhor da bola e não permitiu grandes chances à equipa do Cova da Piedade.

O jogo terminou com a clara ideia de que o Sporting acabara por ser superior. Contudo, deixou um pouco a desejar. Só com a entrada dos “pesos pesados” é que a equipa leonina se superiorizou. É ainda de realçar a excelente prestação da equipa do Cova da Piedade. Sem nada a perder, e com uma organização defensiva muita forte, a equipa de Almada nunca morreu no jogo e teve sempre uma palavra a dizer.

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