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Foi um final de jogo impróprio para cardíacos, o que ao inicio da noite de hoje se jogou no Estádio da Choupana, no Funchal. O União da Madeira vinha moralizado depois do empate a 0, na passada terça-feira, frente ao Sport Lisboa e Benfica. O Sporting Clube de Portugal, procurava, mesmo que por cerca de hora e meia, ampliar a vantagem para o FC Porto, com quem joga no próximo dia 2 de janeiro.

Com um início de jogo bem morno, onde as duas equipas se estudaram, e onde se notava o sistema de jogo focado na defensiva por parte da equipa da casa, o Sporting aumentou a toada ofensiva em busca do golo.

Slimani e Freddy Montero foram os mais inconformados por parte da equipa leonina. Por diversas vezes o argelino tentou fazer o gosto ao pé ou à cabeça e colocar o Sporting em vantagem. Num Estádio da Madeira quase cheio, parecia mais estar-se a jogar um encontro em Alvalade, tanta era a falange de apoio dos verde e brancos.

Da primeira parte, além de Freddy Montero e de Slimani, destacar, por diversas vezes, algumas situações que podiam ter sido problemáticas para a equipa de Norton de Mattos por parte do guarda-redes André Moreira.

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O União da Madeira pouco mais fez do que defender ao longo dos primeiros 45 minutos, exceção feita para um lance logo aos três minutos, onde Shehu e Cadiz combinaram entre si e tentaram criar uma situação de perigo para um Rui Patrício que foi quase um mero espectador. Aos 19 minutos os jogadores do União ficaram a pedir pénalti, num lance onde Cadiz rasgou pela direita do ataque, oferecendo a bola para Amilton que rematou contra Paulo Oliveira. Aos 28 minutos, Shehu exagera no meio-campo, perde a bola para Adrien Silva, com o capitão do Sporting a servir Islam Slimani que remata junto ao poste esquerdo da baliza do União. A partir desse momento o União da Madeira limitou-se a defender, tentando sempre apostar no contra-ataque como forma de surpreender o Sporting.

O intervalo chegava e foi aí que Luís Norton de Mattos pediu aos seus jogadores uma vitória ante do até então líder do Campeonato.

Apesar do domínio territorial, o Sporting nunca conseguiu traduzir essa supremacia em golos Fonte: Filipe Gomes
Apesar do domínio territorial, o Sporting nunca conseguiu traduzir essa supremacia em golos
Fonte: Filipe Gomes

Na segunda parte, notou-se claramente um jogo muito mais aberto, muito mais solto, com ambas as equipas a procurarem a vantagem no marcador. Islam Slimani e Fredy Montero, do lado do Sporting, foram sempre os mais inconformados. Do lado do União da Madeira, Cadiz tentou sempre ser o homem mais irreverente dentro de campo. Mas foi do banco que Luís Norton de Mattos tirou os três pontos! Aos 62 minutos, o treinador do União, tira o inconformado Cadiz e aposta em Danilo Dias. Ainda o Sporting massacrava ofensivamente o União e Danilo Dias, num belo rasgo pela esquerda, soltou a bola para Paulinho, que na direita do ataque insular vai à linha e cruza para a área onde Danilo Dias inaugura o marcador e leva ao delírio os adeptos da equipa da casa. Estavam decorridos 70 minutos de jogo, faltavam 20. 20 minutos de pleno sufoco onde só deu Sporting, com muito anti-jogo por parte dos azuis e amarelos. Nem a entrada de Tanaka foi determinante para contrariar a vantagem do União da Madeira. Nuns últimos 20 minutos impróprios para cardíacos, o União da Madeira, limitou-se a defender e a guardar a vantagem. André Moreira, foi também determinante, com uma ponta de jogo fenomenal e que ajudou o União a segurar os três preciosos pontos e a empurrar o Sporting para o segundo lugar da classificação.

“União limitou-se a defender”

Na conferência de imprensa após o encontro, Jorge Jesus referiu que o que faltou ao Sporting para vencer a partida foram “golos”. Mas, não poupou críticas à equipa da casa, dizendo que o “União limitou-se a defender, quase nunca saindo do seu meio-campo, sem criar quaisquer lances de perigo” e que marcou o golo “sem saber”. O treinador campeão nacional disse ainda que o Sporting gosta de se sentir pressionado, “sobretudo quando essa pressão vem de trás”, concluindo dizendo que é sempre bom ter “pressão de campeão”.

"O que posso dizer aos jogadores? Não os posso criticar em nada. Trabalharam, criaram oportunidades de golo. É futebol, não acontece sempre" - Jorge Jesus Fonte: Filipe Gomes
“O que posso dizer aos jogadores? Não os posso criticar em nada (…) É futebol, não acontece sempre” – Jorge Jesus
Fonte: Filipe Gomes

“Quero e estou aqui para ser parte da solução”

Sorridente, mas também muito ciente e cansado, foi assim que chegou Norton de Matos à sala de conferência de imprensa. O treinador da equipa da casa destacou a mudança de mentalidades da qual a equipa foi alvo depois da pesada derrota por 6-0 com o Paços de Ferreira, mas não poupou críticas aos que na última semana e meia têm vindo a atacar o técnico português. Norton de Matos, destacou que este jogo foi o mais difícil para o União da Madeira, pois apesar da derrota por 4-0 com o FC Porto, nenhuma outra equipa conseguiu criar tantas dificuldades ao plano de jogo do União como os verde e brancos. “À medida que o jogo se foi desenrolando, e depois do empate com o Benfica, eu e os meus jogadores começámos a acreditar que era possível ganhar a partida”, disse o técnico, que quis finalizar a conferência de imprensa referindo que nesta altura, depois de um mês intenso, os jogadores do União estão muito cansados psicologicamente e que espera “fazer parte da solução e não de um problema”, num claro recado à direção da SAD do União, que colocou a “cabeça” de Norton de Matos “a prémio”, depois dos resultados com o FC Porto e Paços de Ferreira.

A Figura:

André Moreira – O guardião do União da Madeira, demonstra, por diversas vezes, a irreverência da sua juventude. Aquando do jogo com o FC Porto, Moreira foi, sem sombra de dúvidas, um dos culpados do aveludado resultado que os dragões impuseram aos azuis e amarelos. Hoje, voltou, sobretudo ao longo da primeira parte, a cometer alguns erros que podiam ter atirado para o fundo do caixote do lixo os três preciosos pontos que o União conquistou ao Sporting. Mas, os bons jogadores fazem-se e denotam-se nos momentos em que são mais necessários e foi aí que o guardião do União da Madeira apareceu pela positiva. Por diversas vezes, travou remates de Slimani, Fredy Montero e de Aquilani.

O Fora-de-jogo:

Filipe Silva – O presidente da SAD do União da Madeira é, sem sombra de dúvidas, o fora-de-jogo desta partida. Aplicou demasiada pressão a uma equipa que, como todos sabemos, está recheada de jovens jogadores que só esta temporada se estrearam no escalão maior do futebol nacional. Colocar a “prémio a cabeça do treinador” não, é de todo, a melhor forma de incentivar uma equipa que tem por ambição, não mais do que, a permanência na Liga NOS. Depois das quezílias com o CS Marítimo que, por exemplo, impedem que o União utilize o estádio dos verde-rubros, Filipe Silva volta a dar uma má imagem aos sócios e simpatizantes do União da Madeira, sobretudo quando não consegue resolver a questão do Complexo Desportivo que o União tem no sítio do Vale Paraíso, na Camacha.

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