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Com a última bala, o tiro certo em (e de) Rúben Amorim

Alexandre Sequeira Ribeiro · 4 min

Rúben Amorim
Foto: Carlos Silva/Bola na Rede

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A expressão “tiro” é muitas vezes utilizada no mundo do futebol. Pode descrever situações de grande felicidade, que apesar das poucas probabilidades acabou por ser a melhor escolha (um “tiro certeiro”), como pode também caracterizar ocasiões infelizes, em que o feitiço se virou contra o feiticeiro (um “tiro no pé” ou o “tiro pela culatra”). No caso do Sporting CP, quer a escolha em Rúben Amorim para treinador do clube, quer as escolhas do treinador para alinhar em campo, foram dois tiros completamente certeiros.

Em primeiro lugar e apesar de, por várias vezes, ter apresentado uma posição contra a atual direção, há que reconhecer o mérito na aposta em Amorim. Vendo bem, o ex-treinador do SC Braga foi mesmo a primeira (e, caso corresse mal, poderia muito bem ter sido a última) forte aposta de Frederico Varandas.

Os anteriores técnicos que representaram o clube durante o mandato do atual presidente, pelo menos pelo que se tentava perceber, nunca tiveram o seu cargo assim tão seguro. José Peseiro foi despedido (e bem) na primeira oportunidade; Tiago Fernandes foi apenas técnico interino durante três jogos.

Marcel Keizer foi despedido após maus resultados; na época posterior a ter vencido a Taça da Liga e a Taça de Portugal, e, sejamos honestos, tirando os primeiros jogos (onde eram goleadas atrás de goleadas), a passagem do holandês pelos leões não impressionou; Leonel Pontes também assumiu como treinador interino e em quatro jogos, perdeu três; por fim, Silas, à semelhança de todos os outros, não foi grande aposta e parecia ser mais um treinador para “ir tapando uns buracos”.

Ao serviço do Sporting CP, Marcel Keizer venceu uma Taça de Portugal e uma Taça da Liga
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Depois, chega Rúben Amorim. 13 jogos pela equipa principal do SC Braga, dez triunfos (cinco contra os três grandes) e uma Taça da Liga. Pelos vistos, o suficiente para convencer Varandas a gastar dez milhões na sua assinatura. Por um valor tão alto e com poucas provas dadas num curtíssimo espaço de tempo, é normal que a contratação tenha gerado alguma controvérsia e desconfiança no universo leonino.

Até ao momento, a contratação de Rúben Amorim tem dado indícios que trará benefícios ao clube, quer seja de uma forma financeira, ou até mesmo a nível de prestígio, com a conquista de títulos. Por estas mesmas razões, há que “dar o braço a torcer” e reconhecer que a contratação foi estudada e bem executada pela direção. Sem dúvida, um tiro certeiro.

No entanto, este tiro certeiro não foi o único. A nível tático, o próprio Rúben Amorim também acertou em cheio. Já era sabido que, antes de ser verde e branco, o seu sistema de eleição era o 3-4-3. Contudo, certamente após várias horas de estudo do plantel leonino, Amorim percebeu que tinha margem para adquirir peças chaves tão boas ou melhores no Sporting que as que tinha no Braga, e isso permite, como é lógico, implementar as mesmas ideias de jogo, com um melhor efeito.

No onze base dos leões, temos um quarteto defensivo (os três centrais e o guarda-redes) muito bem trabalhado, que dá segurança e garantias à equipa; temos os alas, a meu ver de classe mundial, que são extremamente rápidos, fortes a defender e muito eficazes a atacar, quer a garantir profundidade no corredor, quer no um-para-um, ou até mesmo na eficácia dos seus cruzamentos.

Sebástian Coates é o patrão da defesa leonina, composta por três centrais e dois alas subidos no terreno
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Os dois médios centro, tal como Amorim gosta, um mais virado para as tarefas defensivas e mais preocupado em recuperar a posse (João Palhinha) e outro mais focado nos movimentos ofensivos (João Mário); e, por fim, uma frente de ataque com um matador, que joga bem de costas para a baliza e que dentro de área é letal (Paulinho) e dois médios centro ofensivos, que jogam bem entrelinhas, são fortes na procura à profundidade e que tanto conseguem jogar por fora, como por dentro (Pote e Nuno Santos).

Em diversas conferências de imprensa, Amorim já afirmou que o mérito das boas contratações vistas esta época é de Hugo Viana. Até acredito que Hugo Viana e o restante departamento de observação de jogares tenham algum mérito; no entanto, ninguém me tira a ideia de que Rúben Amorim é o principal responsável por estas contratações. Todos nos recordamos do desastre que foi o planeamento da temporada passada (Fernando, Bolasie, Jesé, etc.), por isso, duvido que a mesma estrutura tenha alterado tantos aspetos para falhar redondamente numa temporada e na seguinte acertar em cheio.

Em suma, a contratação de Amorim por parte da direção verde e branca e olho do mesmo para aplicar o seu sistema nas melhores características de cada jogador leonino, foram dois “tiraços” que, para além de permitir aos leões ocupar a posição que ocupam hoje em dia na Liga Portuguesa, também permite fazer sonhar todo o universo leonino com um futuro mais risonho.

Alexandre Sequeira Ribeiro

Redação Bola na Rede · ver artigos