Publicidade

Cuidado Jesus, eles já sabem!!

Nuno Almeida · 4 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

sporting cp cabeçalho 2

Muito se tem falado do momento menos bom da equipa de futebol do Sporting, e o facto de estarem a jogar menos bonito e bem. Eu acho, no entanto, que o problema não está tanto no facto de o Sporting estar a jogar menos, mas de os adversários terem mudado a forma de nos enfrentar.

De há uns tempos para cá, temos visto todas as equipas que nos enfrentam, e as que têm jogadores com essa capacidade (e por isso resulta melhor com uns que com outros) a pressionar a nossa saída de bola bem alto. Vemos pressão alta em William Carvalho e nos dois centrais, obrigando o Sporting a jogar nos laterais ou a colocar a bola na frente, conseguindo assim retirar qualidade no nosso jogo de meio campo, onde temos os jogadores mais evoluídos técnica e tacticamente.

William Carvalho é o primeiro ponto de pressão dos adversários Fonte: Sporting CP
William Carvalho é o primeiro ponto de pressão dos adversários
Fonte: Sporting CP

Ao obrigarem o Sporting a jogar na frente, retiram do jogo Bruno Fernandes, a quem todos reconhecem qualidade superior, mas que não consegue aguentar um jogo mais físico e de contacto. Retira também as alterações de flanco que William consegue fazer quando tem espaço, obrigando assim os adversários a desgastar-se e desposicionar-se. Com isso, obrigam ainda os laterais a subir mais, passando o jogo em constantes subidas e descidas do corredor, correndo maiores riscos de bolas nas costas, e os centrais a tentarem sair a jogar, perdendo depois a bola em zonas mais subidas.

Essa pressão obriga depois, muitas vezes, Bruno Fernandes a ter que descer para tentar pegar no jogo, deixando menos gente na frente, com Bas Dost entregue aos dois centrais e algumas vezes também ao médio defensivo. Isto desgasta o Bruno, retira-o das zonas de finalização, e quando lá chega vai já muito desgastado, como se tem visto ultimamente, que já nem força nos remates consegue imprimir. Cria-se também o problema de Bas Dost ter que ser muito bom no domínio das bolas bombeadas, para poder segurar e esperar pelos companheiros, algo em que cada vez está melhor.

Ou seja, Bas Dost ainda consegue disfarçar esta dificuldade em sair com jogo jogado de trás, levantando-se maiores problemas quando o holandês não está. E vê-se agora que Doumbia não é muito bom tecnicamente, seja a segurar ou a correr com a bola, destacando-se apenas com bolas lançadas no espaço. Já Montero, apesar da enorme qualidade técnica, está sem ritmo, chegando atrasado a todas as bolas. E como vamos ter que jogar com os que temos até ao fim, e não tendo nenhum jogador parecido com Bas Dost no plantel, porque não chamar Rafael Leão enquanto o holandês não volta, e os outros dois não recuperam ritmo? Tem qualidade técnica e é forte fisicamente. Podem dizer que é novo, no entanto, se precisamos dele agora, é agora que deve jogar.

Com tudo isto, e para ultrapassar esta pressão que já todos perceberam funcionar contra nós, precisávamos do estilo de jogo de há dois anos, com futebol apoiado, em constantes trocas de bola, de um e dois toques, não deixando que, mesmo os jogadores mais fortes na pressão consigam chegar a tempo de a disputar. E qualidade técnica para isso temos, e basta olhar para William Carvalho, Bruno Fernandes, ou Rúben Ribeiro, mas falta-lhes depois rapidez de processo, algo que se treina. Muitas vezes vemos estes jogadores a terem demasiado tempo a bola nos pés, dando tempo aos adversários para pressionar, aproveitando o seu maior poderio físico e rapidez para ganhar os duelos.

Não temos um meio campo forte fisicamente, mas temos o melhor meio campo tecnicamente. Por isso potenciem-se os nossos pontos fortes, porque me custa muito ver Bruno Fernandes ou Rúben Ribeiro restringidos a ter que correr a ressaltos de bola e segundas bolas. Tínhamos jogadores para fazer uma circulação de muita qualidade, não dando sequer tempo ao adversário para pressionar.

Falam que o jogo do Sporting, sem Gelson Martins, perde velocidade, mas o Sporting para ter velocidade de jogo não precisa do Gelson. E ele próprio ficaria a ganhar muito mais se tivéssemos essa maior rapidez de processos, uma vez que, muitas vezes, o nosso jogo é tão lento que, quando a bola lhe é endossada, já ele está em fora de jogo.

Algo que também nos retira fluidez de jogo é a forma como os árbitros decidem gerir os jogos. E eu percebi essa forma de gerir quando ouvi um ex-árbitro na televisão a dizer algo como que a inteligência do mesmo se vê também no conhecimento que este tem dos jogadores e equipas que vai arbitrar, e adaptar-se ao seu estilo de jogo. Ou seja, o que ele quis dizer foi que, sabendo que determinado jogador ou equipa jogam de forma mais física ou viril, não vai começar a mostrar cartões, senão todos os jogos dessa equipa acabariam sem jogadores em campo.

Será que a adaptação não deveria ser ao contrário? Sabendo que o jogador tem forma viril de abordar os lances, admoestá-lo para que se retraia no seu ímpeto? Não está estabelecido que se deve defender a integridade física dos jogadores? Não é defender os jogadores, é defender a integridade física dos mesmos. O nosso problema é também esse. É que contra nós, as equipas, por muito duro que entrem nos lances, apenas começam a receber cartões depois dos sessenta minutos, o que coloca as equipas bem confortáveis para condicionar o nosso jogo.

Juntando tudo isto, com pressão alta dos nossos adversários, coadjuvada pela inteligência dos árbitros, e a nossa maior lentidão de processos, temos um Sporting com grandes dificuldades em marcar golos e consequentemente ganhar jogos.

Pensa nisso Jesus, porque eles já sabem.

Foto de capa: Facebook oficial de Sporting Clube de Portugal

Nuno Almeida

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Sporting

A nova fase do leão | Shakhtar Donetsk x Sporting CP 

Anunciada a saída de Rui Borges do comando do Sporting e com Paulo Fonseca de malas feitas, os verdes e brancos preparam-se para enfrentar o Shakhtar Donetsk, em solo inglês, em embate relativo à quarta jornada da Liga dos Campeões. Ainda na ressaca do primeiro desaire europeu, sofrido em Alvalade diante do LASK por 3-2, os pupilos orientados por Tiago Fernandes, treinador interino que vai constar no banco de Stamford Bridge, apontam as suas fichas ao regresso aos triunfos, numa fase em que vão entrar num ciclo completamente exigente na prova milionária, com encontros marcados com gigantes do futebol europeu.

Inês Flores · 3 min de leitura
Ler a crónica
Benfica

Depois do Halloween, apareceu um Diablito para evitar uma ida do Benfica às bruxas

Uma equipa grande também se faz naqueles jogos mais chatinhos, onde a inspiração se perde nos poros de suor e nada parece correr bem. Será algo do género que Andreas Schjelerup terá ecoado ao intervalo, quando ficou no balneário, ou quando Gianluca Prestianni, talvez já moldado pelo peso do brilhantismo, enfrentou pela frente mais uma muralha de jogadores adversários. Se no final da época for feita uma compilação dos grandes momentos do Benfica, será pouco provável ver muitos lances deste jogo, talvez apenas aquele em que o argentino com um toque de classe fez a bola passar por entre as pernas de Touaizi, perdido no meio de tamanho inconformismo. O retrato geral, não o escondeu Marco Silva, numa dose de realismo que já há muito não se via nos corredores da Luz, foi desinspirado. Felizmente para os encarnados, há Echeverri. Não é o primeiro momento de brilhantismo desmedido do reforço de verão por quem a cláusula de opção de compra já se afigura uma mera formalidade, mas, fosse esse o caso, seria quase poético. Depois de se celebrar o Dia das Bruxas, Halloween para os falantes de inglês, brilhou no Estádio da Luz um Diablito, que impediu Marco Silva de procurar explicações para o tropeço nas bruxas e dissipou qualquer questão sobre os fantasmas do empate que assombraram o Benfica na última época. Quem tem um Joker assim, pode sempre sorrir.

Diogo Ribeiro · 5 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.