Primeiramente, não quero parecer ingrato, porque o trabalho de Rúben Amorim ao leme do Sporting CP tem sido extraordinário até aqui. No entanto, e como treina um grande clube e que tem de ser sempre exigente ao máximo, existem algumas coisas em que se pode melhorar. Somos todos treinadores de bancada e gostamos de dar as nossas sugestões, porém creio que críticas construtivas serão sempre bem-vindas, desde que bem colocadas e fundamentadas.

Ora, neste momento, o Sporting CP é líder isolado do campeonato, agora com oito pontos de vantagem em relação ao segundo classificado FC Porto, depois do empate na última jornada diante do Moreirense FC, que veio escancarar as dificuldades que a turma leonina já tinha apresentado nos últimos jogos, mas que os golos nos últimos minutos haviam “escondido”.

Apesar da caminhada histórica a nível pontual, a realidade é que o futebol apresentado pela equipa de Rúben Amorim – apesar de eficaz – está longe de encantar os adeptos como aconteceu na época 2015/16, ao leme de Jorge Jesus, temporada em que acabamos por não ganhar nada. Muitos golos já ao cair do pano, com alguma sorte, que também requerem trabalho, mas que não irá acontecer em todos os jogos. Não se trata de uma reclamação, mas sim de um alerta.

Em Moreira de Cónegos, acabou por acontecer o que já estava para acontecer há algum tempo. Com o jogo na mão, Amorim decidiu não arriscar e tentar resolver definitivamente o jogo, tal como acontecera frente ao Vitória SC, em Alvalade, em que acabou o jogo a defender o resultado. Também em casa, contra o CD Santa Clara, os leões abrandaram e sofreram o golo do empate já nos últimos minutos, mas o tento salvador de Coates acabou por resolver a questão.

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Para se ter uma ideia, o Sporting CP não marca mais de dois golos num único jogo da Primeira Liga desde sete de novembro, quando goleou o Vitória SC (0-4) no D. Afonso Henriques. Daí em diante, registam-se vários triunfos pela margem mínima, alguns com um sofrimento desnecessário. Este pragmatismo excessivo não pode ser uma constante, podendo prejudicar a equipa no futuro.

Mais recentemente, Jovane Cabral, que é um dos principais agitadores do Sporting CP, marcando golos e dando assistências sempre que entra em campo, deixou de ser opção para Amorim. É muitas vezes preterido quando é necessário marcar ou arriscar para resolver o jogo. Porque é que Jovane tem jogado tão pouco, ainda para mais tendo em conta a ausência de Paulinho no último mês? É uma pergunta que os sportinguistas gostariam de ver respondida.

Jovane Cabral não tem sido aposta de Rúben Amorim
Carlos Silva / Bola na Rede

No último jogo, estavam no banco três jogadores que durante a época já marcaram 15 golos e assistiram 13 vezes: o cabo-verdiano, Nuno Santos e Tabata. Todos aqueceram, mas nenhum entrou e quem não arrisca marcar, arrisca-se a sofrer. A “estrelinha” pode não durar para sempre e o último jogo deixou isso claro. Bem sabemos que oito pontos para o Sporting CP não significam uma vantagem confortável e que os rivais neste momento já não têm nada a perder.

São já dezanove anos, longuíssimos dezanove anos que têm de ter um fim já em maio. Para isso acontecer, Rúben Amorim terá de repensar a sua estratégia, que nos levou até aqui, mas que tem de nos levar até ao fim.